Pais e pessoas autistas assistem a sessão de cinema inclusiva em shopping de Santa Maria

Arianne Lima

Pais e pessoas autistas assistem a sessão de cinema inclusiva em shopping de Santa Maria
Fotos: Eduardo Ramos

Poderia ser um dia de muita pipoca, refrigerante e filme como qualquer outro no Cinépolis do Shopping Praça Nova Santa Maria, mas não foi só isso. Na tarde deste sábado (28), uma ação inclusiva possibilitou que pais, amigos e pessoas autistas tivessem a oportunidade de assistir a versão adaptada do filme Gato de Botas 2: O último pedido.

Momentos significativos

A fisioterapeuta Laura Costa Corrêa Silva, 38 anos, e o engenheiro elétrico, João Marasquin, 39, levaram o pequeno Estevam, de 5 anos, para a sessão. Antes de entrar na sala de cinema, Laura conversou com o Diário sobre a expectativa para o momento em família:

– O Estevam tem cinco anos e nunca foi ao cinema. Achei bem legal essa iniciativa de adaptar para pessoas como o Estevam, que tem autismo. Estamos super animados.

A sessão, que durou aproximadamente 1h40min, foi tomada pelas risadas e conversas entre crianças, trazendo reflexões sobre o respeito e a liberdade de ser quem se é. Assim como o Gato de Botas, que viveu uma aventura inesquecível ao lado do cachorro Perrito e da gata Kitty Pata Mansa, a dona de casa Bruna Silva, 32, viu o filho mais novo, José Otávio, curtir pela segunda vez uma ida ao cinema. O menino de 5 anos tem Transtorno do Espectro Autista (TEA).

– O filme foi fantástico, porque ele adora o Shrek. Então, vir ao cinema com ele é uma experiência única. Essas são as únicas vezes que a gente consegue vir em família. Em outras vezes, não conseguimos por conta dele. Para nós, isso é ser acolhido e é o que precisamos em todos os lugares – comenta a mãe.

Enquanto o pai, o auxiliar administrativo Thiago Acosta, 33, e os irmãos, João Luiz, 12 anos e Arthur, 7, agurdavam no corredor do cinema, José Otávio falou sobre a experiência:

– O filme é sobre um gatinho e eu gostei.

O auxiliar administrativo, Thiago Acosta, e a dona de casa, Bruna Silva, levaram os três filhos para assistir a versão adaptada de Gato de Botas 2. A iniciativa permitiu que João Luiz (ao centro) e Arthur curtissem o filme ao lado do irmão José Otávio (no colo), que tem TEA

Acompanhada de dois amigos, a acadêmica de licenciatura plena em Música pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e de Psicologia pela Faculdade Integrada de Santa Maria (Fisma), Ana Laura Ruchiga, 23, também assistiu ao filme. Ela relata que essa foi a primeira vez que participou de uma sessão de cinema inclusiva.

– Eu acho que fazia muitos anos que eu não vinha no cinema. E por vir pensando que tudo bem levantar e sair, se sacudir, usar fone ou óculos de sol, é muito mais interessante e amigável para o tipo de pessoa que eu sou. Mesmo estando com o fone, eu pode ficar sem ele quase toda a sessão. Eu só usei nas partes que tinha explosões. (…) Eu espero que existam sessões inclusivas para filmes voltados para o público adulto. Até mesmo, talvez, de terror, porque não são só crianças que são autistas – argumenta a jovem.

Aos 23 anos, a acadêmica Ana Laura Ruchiga celebra a primeira vinda a uma sessão de cinema adaptada para TEA. Ela espera que outros gênero, como terror, também ganhem versões

Atenção aos pequenos detalhes

A ação ocorreu em todas as unidades da Cinépolis do país. O sub-gerente da filial no Shopping Praça Nova, Douglas Lampert, explica que as sessões inclusivas ocorrem no cinema desde outubro de 2022. Para garantir maior acesso ao público, as próximas sessões devem ocorrer no último sábado de cada mês. Lampert explica como funciona:

– O acompanhante tem direito a meia-entrada e a pessoa que tiver o Especto também. É uma sessão que fica com as luzes levemente acessas o tempo todo e não tem publicidade. Tem apenas a vinheta de segurança, porque é necessário, e o filme. O volume fica um pouco mais baixo e se o cliente quiser sair em algum momento, pode. Se quiser trocar de poltrona também. Deixamos (a sessão) o mais confortável possível para poder acolhê-los.

Para a superintendente do Shopping Praça Nova, Heliane Simones, a iniciativa faz parte de um objetivo maior, que é abraçar cada vez mais esta comunidade.

– Ações como essa sessão de cinema vão ao encontro da inclusão e da acessibilidade que temos como premissa aqui no Praça Nova. No ano passado, inauguramos as três vagas de estacionamento para portadores do Transtorno do Espectro Autista. E continuaremos a inserir cada vez mais ações inclusivas para que abracemos a comunidade e tenhamos uma inclusão verdadeira, na prática – afirma.

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