Foto: André Bresolin
Recém-empossado presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), o prefeito de Imbé, Ique Vedovato (MDB), afirma que pretende usar o período de menos de um ano à frente da entidade para aproximar a entidade dos municípios menores e fortalecer pautas municipalistas em um ano marcado pelas eleições estaduais.
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Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN, nesta terça-feira (5), Vedovato destacou que a principal missão da entidade é representar os 497 municípios gaúchos, especialmente aqueles com menor capacidade de articulação política e financeira.
— Representar essas cidades é um grande desafio. Um município pequeno, distante da Capital, tem muito mais dificuldade de buscar soluções junto ao Estado e à União. A Famurs precisa fazer com que esses municípios se sintam pertencentes e representados pela entidade — afirmou.
Aos 11 meses restantes de mandato na presidência da federação, Vedovato pretende intensificar a presença da entidade no interior do Estado. A proposta é realizar encontros regionais ou macrorregionais ao longo do ano para aproximar a Famurs das diferentes realidades municipais.
Segundo ele, além das pautas históricas do municipalismo — como a rediscussão do pacto federativo e a divisão de recursos entre União, Estados e municípios —, a entidade também deve incentivar inovação e tecnologia na gestão pública.
— A iniciativa privada avançou muito nessa área e o poder público, principalmente os municípios pequenos, ficou para trás. A Famurs pode ajudar a levar mais eficiência e economia para as prefeituras — disse.
Ano eleitoral exige equilíbrio político
Embora a presidência da Famurs siga o sistema de rodízio partidário — neste ano sob comando do MDB —, Vedovato afirma que pretende manter a entidade afastada de disputas eleitorais em 2026.
Conforme ele, a federação deve dialogar com todos os pré-candidatos ao governo do Estado sem assumir posicionamentos políticos.
— A ideia é aproveitar o período eleitoral para gerar compromissos com causas municipalistas, e não transformar a Famurs em uma entidade partidária. Precisamos ter maturidade para manter o foco na representação dos municípios — destacou.
Saúde preocupa prefeitos
Outro tema apontado como prioridade pelo novo presidente é o financiamento da saúde pública nos municípios. Vedovato afirmou que as prefeituras seguem arcando com despesas além das suas responsabilidades constitucionais, especialmente em áreas como consultas especializadas, exames e transporte de pacientes.
— Os municípios acabam cobrindo lacunas deixadas pelo Estado e pela União. Muitas vezes, decisões judiciais bloqueiam recursos das prefeituras para custear procedimentos que não são responsabilidade direta do município — criticou.
Ele também citou a necessidade de revisão dos regimes próprios de Previdência em centenas de cidades gaúchas. De acordo com o presidente da Famurs, muitos municípios correm risco de colapso financeiro caso não façam ajustes nas contas previdenciárias. Santa Maria está entre as cidades com problemas financeiros por conta do déficit do Instituto da Previdência (Ipassp), projetado em R$ 3,9 bilhões em anos futuros.
Reconstrução do Estado após enchentes
Durante a entrevista, Vedovato também comentou os impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Para ele, houve avanço na reconstrução e em obras de resiliência, especialmente por parte do governo estadual, mas ainda existe necessidade de maior apoio federal.
— O Estado evoluiu bastante em estrutura e prevenção, mas ainda há muito a ser feito. O povo gaúcho mostrou força e resiliência, mas os municípios seguem enfrentando reflexos da catástrofe climática — avaliou.
Quem é Ique Vedovato
- Atual presidente da Famurs (Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul)
- Prefeito de Imbé, no litoral norte gaúcho
- Está no segundo mandato como prefeito do município
- Já foi vice-prefeito de Imbé por dois mandatos
- Também atuou como vereador por duas legislaturas
- Soma seis mandatos consecutivos na vida pública municipal
- Foi vice-presidente da Famurs na gestão anterior, presidida por Adriane Perin de Oliveira
- Assumiu a presidência da entidade em 2026, ano em que o MDB comanda a federação dentro do sistema de rodízio partidário
- Defende maior aproximação da Famurs com municípios pequenos e do interior
- Tem como principais pautas o fortalecimento do municipalismo, inovação na gestão pública e melhorias no financiamento da saúde dos municípios
Confira a entrevista completa