Dois anos após enchentes históricas, Defesa Civil aposta em comunicação de risco e amplia estrutura no RS

Dois anos após enchentes históricas, Defesa Civil aposta em comunicação de risco e amplia estrutura no RS

Foto: Rian Lacerda (Diário/Arquivo)

Dois anos depois das enchentes que marcaram o Rio Grande do Sul em 2024, a Defesa Civil Estadual trabalha para transformar a tragédia em aprendizado. Nesta segunda-feira (4), Santa Maria recebeu uma capacitação sobre comunicação de risco e estratégias de prevenção, reunindo gestores públicos, imprensa e órgãos municipais. A atividade integra uma série de encontros promovidos pelo Estado nas regiões atingidas pelos desastres climáticos.

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Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade, da Rádio CDN, nesta segunda-feira (4), o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, afirmou que o objetivo é melhorar a forma como as informações chegam à população, especialmente às pessoas que vivem em áreas de risco.

Segundo Boeira, a programação inclui capacitações, treinamentos e exercícios simulados, mas ele reforça que o trabalho só funciona com o envolvimento dos municípios, da imprensa e das próprias comunidades.

— Muitas vezes as pessoas moram em áreas de risco e não sabem disso. Por isso, é fundamental que a informação chegue de forma clara e acessível — destacou.

Mudanças após as enchentes

O coronel relembrou que as enchentes de 2023 e 2024 expuseram dificuldades na comunicação de alertas. A partir disso, a Defesa Civil reformulou seus protocolos e passou a utilizar um sistema de classificação por cores para indicar o nível de gravidade dos eventos climáticos.

Hoje, os alertas funcionam em cinco níveis:

  • verde (normalidade)
  • amarelo (atenção) 
  • laranja (alerta) 
  • vermelho (evento severo)
  • roxo (evento extremo)

Além disso, o Estado incorporou recursos de acessibilidade para pessoas com daltonismo, utilizando símbolos gráficos junto às cores. A mudança surgiu após um comentário recebido nas redes sociais da Defesa Civil.

— Uma pessoa nos relatou que não conseguia identificar as cores dos alertas. A partir disso fomos buscar soluções mais inclusivas — contou Boeira.

Estado mais preparado

Durante a entrevista, o coordenador afirmou que o Rio Grande do Sul hoje possui uma estrutura mais robusta para enfrentar eventos extremos. Segundo ele, antes das enchentes históricas, a Defesa Civil Estadual contava com cerca de 40 profissionais. Atualmente, o efetivo passa de 160 pessoas entre militares e especialistas civis.

Entre os novos profissionais contratados estão engenheiros, geólogos, hidrólogos, arquitetos e especialistas em geoprocessamento.

Outro avanço citado foi a elaboração dos planos de contingência municipais. Conforme Boeira, os 497 municípios gaúchos já enviaram seus planos atualizados à Defesa Civil Estadual.

— Hoje os municípios sabem que precisam ter abrigos preparados, rotas de fuga e estratégias organizadas para situações de emergência — afirmou.

Tecnologia e monitoramento

A Defesa Civil também ampliou os investimentos em tecnologia. Atualmente, o Estado possui 130 estações hidrometeorológicas espalhadas pelo território gaúcho, capazes de continuar funcionando mesmo durante eventos extremos.

Além disso, o primeiro radar meteorológico do Estado já está em operação em Porto Alegre. Outros três radares serão instalados nos próximos meses para ampliar a cobertura do monitoramento climático.

Santa Maria também deve receber um Centro Regional de Gestão Integrada de Riscos e Desastres, estrutura que fará parte de uma rede estadual criada após as enchentes.

— O que nós não conseguimos impedir é que os eventos aconteçam. Mas podemos estar melhor preparados quando eles chegarem — ressaltou o coordenador.

Capacitação em Santa Maria

A agenda em Santa Maria marca o início de uma série de encontros promovidos pela Defesa Civil justamente nas regiões atingidas pelas enchentes de 2024. A proposta é fortalecer a prevenção e garantir que a população compreenda melhor os alertas e saiba como agir diante de situações de risco.
Segundo Boeira, o Estado acompanha com atenção as projeções climáticas para o segundo semestre, especialmente diante da possibilidade de novos eventos associados ao aquecimento das águas do Pacífico.

— Estamos trabalhando para que, caso isso aconteça novamente, todos estejam mais preparados — concluiu.

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