No Dia do Comerciante, conheça histórias de quem mantém vivo o setor que mais emprega em Santa Maria

Quintana

No Dia do Comerciante, conheça histórias de quem mantém vivo o setor que mais emprega em Santa Maria
Segundo o dirigente do Sindilojas, o setor de varejo e serviços é responsável por 65% do Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Maria. Fotos: Pedro Piegas (Arquivo Diário)

Santa Maria foi e é reconhecida por muitas características. Já foi chamada de cidade dos ferroviários, a de segundo maior contingente militar do país, a Cidade Cultura e há décadas se caracteriza por ser polo universitário. No entanto, o emblema que mais acompanha o Coração do Rio Grande, não importa a época, é ser a cidade dos comerciantes.

A reportagem apurou os índices que a categoria representa para o município e a história de quatro empresas que já atuam no município há pelo menos quatro décadas.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o setor de comércio e serviços era responsável por 87% dos empregos com carteira assinada em Santa Maria no mês de maio. São 76 mil profissionais que atuam no setor. Seria equivalente a toda a população somada de Caçapava do Sul, de São Sepé e Júlio de Castilhos junta.

Os números apresentados justificam a relevância do setor para o município pelo presidente do Sindicato dos Lojistas da Região Centro, Ademir José da Costa, 63 anos. Segundo o dirigente do Sindilojas, o setor de varejo e serviços é responsável por 65% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas na cidade –, com 4,5 mil estabelecimentos credenciados

– É a oportunidade de a comunidade ver o nosso valor. Em Santa Maria, geramos 87% dos empregos de carteira assinada, quase 65% do PIB do município. Sobram 10 mil a 12 mil para os outros setores, fora os funcionários públicos e microempreendedores. É a porta de entrada para o primeiro emprego – diz.

Ademir José da Costa, presidente do Sindilojas Região Centro, acredita que o grande desafio do comércio é a adaptação a mudança de comportamento do consumidor.

Para Costa, que além de dirigente do sindicato é varejista há 47 anos, o segredo para a manutenção nos negócios são a perseverança e o preparo para os vários tipos de oscilação no mercado, até mesmo diante de uma pandemia, que culminou no fechamento de algumas empresas entre 2020 e 2022.

– É um desafio diário. A gente passou por muitas crises. Já tivemos inflações elevadas que a gente vendia três produtos e só conseguia repor um. Tivemos a pandemia, que não sabíamos o que fazer. Tínhamos que deixar uma portinha aberta para poder atender o cliente, entrar um produto pela fresta. A gente vive o desafio do dia a dia constantemente – descreve Costa.  

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Desafio

O presidente do Sindilojas acredita que o grande desafio na atualidade, após a pandemia da Covid-19, é a adaptação das empresas a tecnologia e a mudança de comportamento do consumidor.

– O grande desafio é o comerciante perceber essa mudança de comportamento do consumidor que está ocorrendo agora, e se preparar para isso. Seja o e-commerce, seja o avanço tecnológico, a gente precisa estar inserido no meio tecnológico, as empresas precisam estar na vitrine, seja no marketplace, seja com site atualizado. É preciso utilizar todas as ferramentas, para podermos sobreviver ao mercado. A loja física continuará existindo, mas é preciso estar aberto aos novos tipos de consumo. É preciso se adequar – conclui Costa.  

Histórias de comerciantes que ultrapassam gerações de dedicação aos negócios

A cidade acolhedora impulsionou o sonho de abrir uma joalheria

Tais Beuren, 44 anos, segue os passos do pai, administrando a empresa que começou há 46 anos.

A história da empresa Silvio Joalheiro poderia ser apenas mais uma de alguém que vem de fora de Santa Maria, como tantos universitários, militares e professores que chegam ao coração do Rio Grande todos os anos. Mas o santa-cruzense Silvio Beuren se sentiu tão acolhido pelos santa-marienses que, há 46 anos resolveu montar, na Avenida Rio Branco, a primeira unidade da joalheria. De lá para cá, a matriz mudou para a Rua do Acampamento. Foram abertas mais três lojas físicas e uma virtual.

Atualmente, a empresa está na segunda geração. A administração é da filha de Silvio, Tais Beuren, 44 anos. A empresa tem 37 funcionários.  

– Ser comerciante é a minha vida. É o que eu sei fazer. A gente contribui para o desenvolvimento da cidade e região, das pessoas que estão aqui, por meio do trabalho. A gente contribui para sociedade com produtos de maneira séria, responsável. Não só no balcão, mas também no atendimento virtual – diz Tais.

Silvio Joalheiro, atualmente, possui quatro lojas físicas e uma virtual

Os desafios foram muitos. Além dos assaltos às lojas – em um deles tiveram toda a mercadoria roubada –, também enfrentam o mesmo que todos os empresários: tempos de inflação e alta tributação. Durante a pandemia, apesar de todos os problemas, a família conseguiu manter o quadro de funcionários.

– Foram muitos desafios, época de inflação, insegurança, mudanças no governo, que sempre afetam de alguma forma o comércio, depois a pandemia. Conseguir manter todos os empregos, mesmo com as lojas fechadas. Foi aí que lançamos a loja virtual, aceleramos o processo – conta.

Para retribuir o carinho com Santa Maria, a empresa realiza diversos projetos sociais. Entre eles, a venda de estojos recicláveis que são revertidos para pagar as consultas de crianças em vulnerabilidade social de 6 a 12 anos de idade. Os óculos são doados pela loja.

Um grande passo que está perto de completar um século de sucesso

Rafael Isaia é filho de Salvador Isaia. Atualmente a Eny possui sete lojas e 120 funcionários.

A primeira loja Eny foi criada em 1924 pelo português Luis Andrade. Desde a fundação, o futuro proprietário, Salvador Isaia, na época com 15 anos, começou a trabalhar na empresa que ainda não tinha nome. Era chamada apenas Calçados. Em 1927, o português resolveu colocar o nome de Eny, que era uma marca revendida pela empresa. Em 1940, Salvador passou a ser o proprietário.

Até hoje a empresa é administrada pela família. Atualmente, é dirigida pelo filho de Salvador, Rafael Isaia, 72 anos, que se orgulha do legado deixado pelo pai.

– Uma retidão em todas as áreas. Trabalhar sério, com afinco, muita ética, prestar um bom serviço. A gente nasceu numa família sempre ligada ao comércio. A gente faz aquilo que gosta. Nós somos muito bairristas, querem muito ajudar no desenvolvimento da cidade – narra Rafael Isaia.

A empresa, que chegou a ter unidades na Capital e Região Metropolitana, atualmente conta com sete unidades em Santa Maria e 120 funcionários. O momento mais complicado para a empresa, segundo o diretor, foi durante a pandemia, que afetou a economia como um todo. No entanto, Rafael acredita que o maior desafio está atrelado à concorrência virtual, que possibilita empresas que não possuem gastos com unidades físicas, empregados e alta tributação, ter algum tipo de vantagem com preços mais baixos.

Rafael mostra a primeira sede da Eny, em 1924, quando a loja ainda não possuía nome e era administrada pelo português Luis Andrade.

– Hoje os desafios são mais complexos e difíceis. De imediato você sente os reflexos de qualquer situação. As pessoas são mais complexas. O maior desafio são as vendas pela internet. A gente procura dar um ótimo serviço para os nossos clientes. A única maneira é a qualidade. A empresa tem que perpetuar. Tem uma questão social muito importante. Geração de empregos, impostos para a sociedade. Estamos há dois anos do nosso centenário, estamos nos preparando para atender cada vez melhor nossos clientes – afirma.  

Além das tradicionais lojas na cidade, a família também é conhecida pela Fundação Eny, criada em 1994, que atende vários sociais, culturais e intelectuais em Santa Maria e região.

Uma loja que está na memória dos santa-marienses há 66 anos

Maria Elizabeth Carletto Flores administra a Sibrama desde 2010

Quem passa pela Rua do Acampamento, esquina com a Tuiuti, no centro de Santa Maria, já deve ter conhecido a loja de confecções masculina e feminina Sibrama. Há 66 anos no município, está na segunda geração da família.

A loja iniciou seus trabalhos com o nome Casa Nylon, em 1956. Foi fundada pelos irmãos Roman e Elizena Carletto. Pouco tempo depois, eles abriram uma segunda unidade no Calçadão, com o nome Sociedade Importadora de Máquinas. Desde então, se tornou Sibrama.  

Desde 2010, é administrada por Maria Elizabeth Carletto Flores, 71 anos, filha de Elizena, que se orgulha da história da família comerciante.

– Sou apaixonada pelo comércio. Ser comerciante. Nós somos os empreendedores que geramos riqueza para o Estado, por meio dos impostos, geramos empregos. A maioria é de microempresários ou pequenos empresários e com muita dificuldade de crescer sempre. Temos um excesso de burocracia. Nascer grande, ninguém nasce. Precisamos do apoio do legislativo para ter mais liberdade – afirma Maria Elizabeth.

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Maria Elizabeth mostra com orgulho a época da inauguração da loja, há 66 anos

A Sibrama chegou a ter 13 lojas espalhadas em outros Estados, todas administradas pela família. Atualmente, conta com duas unidades em Santa Maria e 15 funcionários. Para a gerente, Maria Elizabeth, apesar dos desafios com a tecnologia, concorrência com a internet, a pandemia, em que a loja esteve fechada por mais de 100 dias, os maiores problemas enfrentados pelos comerciantes são o excesso de burocracia e as constantes falhas de estrutura nas estradas que dão acesso ao município:

– Há muito tempo Santa Maria era referência do comércio. Vinham pessoas da Argentina, do Uruguai, fazer compras em Santa Maria com excursões. A gente perdeu um pouco isso pela precariedade de estradas, ou épocas da economia. Esperamos inclusive que, com a duplicação da RSC-287,  voltemos a ter o público de fora.

Empresa de fechaduras deixou sua marca registrada no início da UFSM

Eduardo Brenner Diaz é filho de Raul Diaz, fundados da Diaz fechaduras

A Diaz Fechaduras, que se localiza desde os anos 1970 na Avenida Nossa Senhora Medianeira, começou seus trabalhos em 1968, na Rua Doutor Bozano. O empresário Raul Londero Diaz tinha uma serralheria e se associou a um construtor para atender demandas locais que emergiram na época. Segundo os atuais administradores, algumas das primeiras aberturas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foram produzidas pela família, que hoje já tem dois sócios da segunda geração, filhos do criador da empresa, e um administrador da terceira geração, neto de Raul.  

– Uma empresa familiar, hoje em dia se manter, não é fácil. Um trabalho árduo, enfrentar todas as mudanças econômicas, tantos desafios, representa muito estar na terceira geração, há mais de 50 anos de atuação – celebra Eduardo Brenner Diaz, 60 anos, sócio da loja e filho de Raul.

A loja, que já teve uma filial, atualmente possui quatro funcionários, e mais os três administradores da família Diaz. Conforme o relato dos empresários, o motivo para eles conseguirem driblar os obstáculos da pandemia foi trabalhar com uma reserva de estoque de segurança, que evitou transtornos com a falta de material.

Atualmente a empresa é administrada é administrada pelos irmãos, Ricardo, à esquerda, e Eduardo, à direita, e pelo filho de Ricardo, Rafael, ao centro

O grande desafio neste começo da década de 2020, segundo Eduardo, é se adaptar às novas exigências do mercado e estar em constante atualização.

– As principais mudanças que a gente percebe para cá é a parte tecnológica e as adaptações que a gente tem que ter. Hoje o mercado é global, você pode ter a empresa aqui em Santa Maria e vender para o mundo inteiro. Por outro lado, a concorrência é muito maior, torna muito mais difícil – descreve Eduardo.

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