Para realizar um crime nessa magnitude, os ladrões precisam de muita coragem e planejamento para que a operação seja executada com sucesso. No Brasil, alguns assaltos entraram para a história, dignos de produções cinematográficas (alguns viraram filme, inclusive). Confira abaixo a lista que o Diário separou com os cinco maiores roubos a bancos e instituições financeiras do país:
1º lugar: Banco Itaú na Avenida Paulista — prejuízo de R$ 500 milhões
Itens roubados dos cofres durante assalto. Imagens: Divulgação
No dia 28 de agosto de 2011, 12 criminosos disfarçados de funcionários invadiram a agência do Banco Itaú, localizada na Avenida Paulista, em São Paulo, e levaram consigo cerca de R$ 500 milhões em joias e dinheiro de cerca de 170 cofres particulares. O roubo durou cerca de 10 horas e foi considerado o maior assalto a banco da história do país.
Segundo investigações da Polícia Civil, com a ajuda de um vigilante e um funcionário responsáveis pelo monitoramento da agência, os ladrões conseguiram desligar as câmeras de segurança e alarmes do local. Isso fez com que a instituição bancária descobrisse o crime oito dias depois.
O Poder Judiciário classificou o roubo como o “mais ousado assalto a banco da história do Brasil.” Cinco integrantes do grupo foram condenados, entre eles João Paulo dos Santos, líder da ação.
Dica de filme:
Inspirado no caso, o filme ‘Assalto na Paulista’ acompanha todos os detalhes envolvendo o planejamento, articulação e fuga dos bandidos. Dirigido por Flavio Frederico e roteirizado por Mariana Pamplona, o filme estreou no dia 25 de agosto e está disponível no GloboPlay. Veja o trailer.
2º lugar: Banco Central em Fortaleza — prejuízo de R$ 164,7 milhões
A escavação tem cerca de 500 metros de extensão e liga o quarto da casa à entrada do cofre. Foto: divulgação
Apesar de não apresentar o maior valor da lista, o assalto ao Banco Central, em Fortaleza, no dia 6 de agosto de 2005, ficou conhecido por todo o país. Sem efetuar um único tiro e disparar o alarme, os criminosos invadiram o caixa-forte da agência e levaram mais de R$ 160 milhões em notas, totalizando cerca de 3,5 toneladas de papel. Isso significa que cada um dos 34 participantes do assalto deixou a cena do crime com cerca de 100 quilos de dinheiro em espécie.
Para realizar o crime e transportar as cédulas, o grupo levou cerca de três meses para construir um túnel de quase 80 metros entre uma casa usada como sede — onde funcionava uma empresa de fachada de grama sintética — e a agência bancária. Toda a quantia foi levada em cédulas de R$ 50, transportadas ao longo da passagem subterrânea.
O crime só foi descoberto dois dias depois, no início do expediente da segunda-feira do dia 8 de agosto, e ao menos 100 pessoas foram denunciadas por participação direta ou indireta na ação. Antônio Jussivan Alves dos Santos, conhecido também como ‘Alemão’, foi o mandante e responsável por recrutar criminosos para participar do assalto. Ele foi preso em 2008 em Brasília, e quase uma década depois, em 2017, tentou fugir de um presídio cearense, mas acabou sendo baleado. Ele foi capturado e transferido para um presídio federal.
Dos 164,7 milhões, somente R$ 60 milhões do valor total foram recuperados. Até 2020, a Justiça Federal do Ceará havia condenado 119 réus. O túnel foi construído por baixo de uma das mais movimentadas vias do centro de Fortaleza, a Avenida Dom Manuel, era revestido por tábuas, sacos de areia, além de iluminação e refrigeração. A operação, muito bem organizada, virou material para filmes e séries documentais.
Dica de filme:
Com direção de Marcos Paulo e roteiro construído por Rene Belmonte, o filme ‘Assalto ao Banco Central’ foi lançado em 2011. O filme é uma adaptação livre inspirada no caso, sem relação fática com as circunstâncias e personagens envolvidos com o crime verdadeiro e está disponível na GloboPlay, veja o trailer.
Dica de série:
Já no formato documental, a série ‘3 Tonelada$: Assalto ao Banco Central’, tem direção e roteiro de Daniel Billio e direção-geral de Rodrigo Astiz, foi lançada em março ano, na Netflix. Dividida em três episódios de 50 minutos cada, a obra mostra os momentos-chave do roubo e conta com depoimentos de ambos os lados: policiais e ladrões. Veja o trailer.
3º lugar: roubo de ouro no Aeroporto de Guarulhos — prejuízo de R$ 110 milhões
A ação dos criminosos no circuito interno do terminal de cargas durou dois minutos e meio. Foto: reprodução
No dia 25 de setembro de 2019, oito criminosos invadiram o terminal de carga do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em veículos clonados com identificação da Polícia Federal. O grupo levou 718,9 kg de ouro que estavam em um carro-forte no local, avaliados em US$ 29,2 milhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 110 milhões.
Além disso, os ladrões roubaram 15 kg de esmeraldas, relógios e correntes da marca Louis Vitton e outros 51 kg de ouro de outra transportadora. Os criminosos, vestidos de policiais federais, estavam munidos de fuzis, carabinas, pistolas, coletes à prova de balas e balaclavas. Dois funcionários foram feitos reféns, porém, foram liberados no fim do crime.
O assalto pouco mais de dois minutos, não houve troca de tiros e ninguém ficou ferido. Em 2021, a Justiça de São Paulo condenou seis pessoas acusadas de participação, entre eles está o mentor do roubo, Francisco Teotônio da Silva Pasqualini, que durante as investigações chegou a ser chamado pelos policiais de “Professor”, apelido faz alusão ao personagem que lidera o crime na série “Casa de Papel”, da Netflix. As penas de cada um variam entre 24 e 43 anos de reclusão, e quando somadas, superam 221 anos de sentença.
4º lugar: assalto a Prosegur em Ribeirão Preto — prejuízo de R$ 50 milhões
Prédio da Prosegur e imóvel vizinho ficaram destruídos. Fotos: reprodução/EPTV
Em julho de 2016, cerca de 20 homens realizaram um ataque contra a empresa de transporte de valores Prosegur, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A quadrilha, armada com pistolas, fuzis 556 e 762, metralhadoras ponto 50, além de fuzis AK-47, levou cerca de R$ 51 milhões da empresa de transporte de valores.
Para acessar o cofre, o grupo explodiu o prédio com dinamite. Durante a fuga, houve uma intensa troca de tiros e terminou com a morte de um policial rodoviário. A Polícia Civil recuperou R$ 200 mil do valor total roubado.
Em dezembro de 2018, a Justiça de Ribeirão Preto condenou quatro homens à prisão, com penas que somam 481 anos. Os homens considerados líderes da quadrilha, Ângelo Domingues dos Santos e Juliano Moisés Israel Lopes, foram presos dez dias após o assalto em um hotel em Caldas Novas, Goiás. Cada um foi condenado a 121 anos de prisão. O acusado de transportar o dinheiro e os demais envolvidos durante a fuga, Diego de Moura Capistrano, foi condenado a 123 anos de prisão. Um ex-funcionário da Prosegur, acusado de passar informações aos assaltantes, recebeu pena de 116 anos de prisão. O nome dele não foi divulgado.
5º lugar: Banco do Brasil em Botucatu — prejuízo R$ 2 milhões
A movimentação dos policiais militares durante a ação foi registrada por câmeras de monitoramento. Foto: reprodução
Entre a noite do último dia 29 e madrugada do dia 30 de julho de 2020, um grupo de assaltantes fortemente armados com fuzis e metralhadoras invadiu uma agência bancária do Banco do Brasil, em Botucatu, no interior de São Paulo.
O grupo, que tinha de 20 a 30 integrantes, conseguiram fugir com R$ 2 milhões. De acordo com a Polícia Civil, o valor total do roubo era de R$ 3,6 milhões, porém, a polícia conseguiu recuperar R$ 1,6 milhão, abandonados pelos criminosos na fuga, junto com as armas utilizadas pelos assaltantes. A ação terminou com um membro da quadrilha morto e dois policiais militares feridos.
Em audiência realizada no fórum de Botucatu em novembro do ano passado, foram 24 pessoas, entre réus, testemunhas e vítimas da ação. Segundo o Ministério Público, quatro réus foram denunciados por 11 crimes. Em abril deste ano, cinco pessoas já foram julgadas e condenadas por ajudarem na fuga dos criminosos.
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