Depressão sazonal: como o frio e a falta de sol podem afetar o humor no inverno

Maria Eduarda Silva

Depressão sazonal: como o frio e a falta de sol podem afetar o humor no inverno

Foto: Ben Blennerhassett/unsplash

A sequência de dias frios e chuvosos em Santa Maria pode influenciar não apenas a rotina da população, mas também a saúde mental. Com menos exposição à luz solar e maior tendência ao isolamento, algumas pessoas podem apresentar sintomas associados ao padrão sazonal dos transtornos depressivos, condição mais comum durante o outono e o inverno.

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A cidade completa, neste domingo, uma semana de clima frio e chuvas recorrentes. Na última sexta-feira (26), as temperaturas mínimas chegaram a 3°C, uma das marcas mais baixas do período. A previsão de pouco sol nos próximos dias tende a manter o cenário e a vontade de permanecer em casa.

Embora esse comportamento seja comum nesta época do ano, ele merece atenção quando passa a interferir na rotina. Em entrevista ao programa Direto da Redação, da Rádio CDN e da TV Diário, a psicóloga Michele Bomicieli explica como o clima pode impactar o humor.

Como a falta de sol afeta o humor

— Nós temos os transtornos depressivos, a depressão maior, a distimia, e a gente chama de padrão sazonal esse especificador do transtorno depressivo, que é caracterizado pelo início nessas épocas do ano, outono e inverno, impactando no nosso humor — afirma a especialista.

O quadro é popularmente conhecido como "depressão sazonal", embora tecnicamente seja classificado como um padrão sazonal associado a transtornos depressivos, especialmente em períodos como outono e inverno.

Sobre o papel da luminosidade, Michele destaca que a luz solar é importante para a saúde mental e influencia diretamente o funcionamento do organismo.

— Naqueles dias de sol, seja primavera ou verão, a gente acorda mais disposto, porque o organismo entende que precisa estar em estado de alerta. Já no outono e inverno, sem essa luminosidade, a gente tem vontade de dormir mais, fica com aquela preguiça de acordar e acaba com mais vontade de ficar em casa descansando — explica a psicóloga.

O inverno teve início no último domingo (21) e a previsão de pouco sol nos próximos dias tende a manter o cenário e a vontade de permanecer em casaFoto: Vinicius Becker/Diário

Quando o desânimo deixa de ser passageiro

Segundo a psicóloga, pessoas que já apresentam esse padrão sazonal tendem a ser mais suscetíveis aos sintomas durante o outono e o inverno. Para diferenciar um desânimo passageiro de um quadro que exige atenção, ela orienta observar se existe um motivo específico para os sentimentos ou se eles persistem sem uma causa identificável.

É importante a gente dizer que aconteceu algo real na minha vida, algo específico que está me fazendo sentir aqueles sentimentos. Se não tem, e eu percebo que é algo recorrente, eu acabo perdendo a vontade de fazer as coisas, uma certa apatia, um desânimo que não passa; esse é o momento de procurar ajuda — ressalta Michele.

— No inverno, temos a tendência de não socializar tanto. "Ah, tá chovendo, então não vou sair, vou pra casa mais cedo." Como nós somos seres sociais, esse convívio e essa troca com as pessoas são importantes para a nossa própria saúde mental, e a prática de exercícios físicos também é essencial nesses momentos, impacta na questão do humor. A pessoa pode diminuir o ritmo, mas o ideal é não parar — complementa a psicóloga.

A importância de buscar ajuda nos primeiros sinais:

Entre as recomendações para enfrentar esse período, Michele cita a exposição à luz natural, o contato com a natureza e a manutenção das relações sociais.

— Não podemos lutar contra o que estamos sentindo; é importante buscar ajuda, mas coisas que ajudam: sair, pegar sol, entrar em contato com a natureza, manter as relações sociais, o convívio com os amigos e familiares. Isso é extremamente importante para a nossa saúde mental, emocional e até física — alerta a especialista.

Segundo ela, as mudanças de comportamento são perceptíveis na cidade conforme as condições do tempo variam.

— O que a gente percebe é uma alteração bem de humor mesmo. Aqueles dias mais cinzentos, chuvosos, a pessoa tem tendência a ficar mais em casa. Quando abre o sol, as pessoas têm tendência a sair para a rua. Todo mundo quer sair, pegar um solzinho, tomar um chimarrão, comer uma bergamota. Realmente impacta muito no humor — complementa a profissional.

O convívio social é extremamente importante, principalmente em períodos em que o clima não esteja favorável.Foto: Vinicius Becker/ Diário

Ao final, a psicóloga reforça a importância de observar os sinais e procurar ajuda antes que o sofrimento se intensifique.

— É importante nós percebermos se sentimos que algo não está indo bem, se estamos perdendo a vontade de fazer atividades, de nos encontrarmos com as pessoas, se algo que dava prazer já não está mais te causando aquela sensação prazerosa... Quando esse sentimento de tristeza se torna recorrente a ponto de impactar a nossa rotina, em diferentes áreas como no trabalho, na vida, nos relacionamentos, é importante ouvir os sinais do nosso corpo e mente e não procurar ajuda quando estamos no limite, mas sim nos primeiros sinais — finaliza a psicóloga.

Confira a entrevista completa:

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