Camobi é o maior gerador de lixo entre os bairros da coleta convencional

Eduarda Costa

Camobi é o maior gerador de lixo entre os bairros da coleta convencional
Durante o período de seis meses, entre o segundo semestre de 2021 e o primeiro semestre de 2022, a prefeitura de Santa Maria analisou produção de lixo recolhida em cada bairro da coleta convencional. Com o mapeamento completo por Bairro, foram concluídos que fatores como a capacidade econômica e a densidade habitacional, de comércios e de instituições de ensino influenciam na produção de lixo de cada local.

Elencando todos os 41 bairros por número de produção, Camobi fica em primeiro lugar como o que mais produz lixo. O bairro tem uma média semanal de 142,59 toneladas, sendo 6,53 kg por habitante, o que corresponde a 712,95 toneladas por mês. É possível que o Bairro Centro, o segundo bairro em número de população da cidade, e por conta da densidade de comércios, possa “competir” com Camobi na produção de lixo, porém, ele não entra no ranking por ser coletado no modelo de contêineres. Apenas no mês de junho, foram retiradas em torno de 1,8 mil toneladas da região central.

— Quando a gente analisa a produção por habitante, devemos levar em consideração vários aspectos. Por exemplo, quanto maior a renda, maior a produção de resíduo. A densidade de comércio e indústria também podem influenciar, como é o caso do Agroindustrial, que detém muitas indústrias e apenas 224 habitantes, então se fossemos dividir, teríamos cerca de 26 kg por habitante semanalmente, o que sabemos que não é gerado por eles — explica o engenheiro civil da Superintendência de Monitoramento e Fiscalização Saneamento do município, Ivan Nazaroff.

Foto: Nathalia Schneider (Especial)

Maiores produtores de lixo na coleta convencional por Bairro*

1º Bairro Camobi (21.822 hab.): 142,59 toneladas semanais – uma média de 6,53 kg por habitante2º Bairro Pinheiro Machado (10.943 hab.): 69,08 toneladas semanais – uma média de 6,31 kg por habitante3º Bairro Juscelino Kubitschek (13.730 hab.): 61,39 toneladas semanais – uma média de 4,47 kg por habitante4º Bairro Nova Santa Marta (12.722 hab.): 52,71 toneladas semanais – uma média de 4,14 kg por habitante5º Bairro Tancredo Neves (11.456 hab.): 52,06 toneladas semanais – uma média de 4,54 kg por habitante

* Dados avaliados no período entre o segundo semestre de 2021 e primeiro semestre de 2022 pela secretaria de Município de Infraestrutura e Serviços Públicos.

No caso dos menores produtores, os mesmos aspectos de habitantes, comércio e economia também interferem na quantidade de resíduo descartada. Os dois bairros que menos descartam na cidade, Renascença e São João, possuem uma diferença de apenas 85 habitantes (de acordo com o último censo do IBGE realizado em 2010). Nas características em comum, eles são quase totalmente formados por residências.

O Bairro Renascença, que menos produz na cidade, possui uma das menores rendas econômicas do município, o que interfere na média baixa de produção de lixo por habitante, de apenas 2,26 kg por habitante. No São João, a média é de 5,82 kg, totalizando 9,94 toneladas semanais.

Menores produtores de lixo na coleta convencional por Bairro*

Bairro Renascença (1.791 hab.): 4,06 toneladas semanais – uma média de 2,26 kg por habitanteBairro São João (1.706 hab.): 9,94 toneladas semanais – uma média de 5,82 kg por habitanteBairro Campestre (2.697 hab.): 10,18 toneladas semanais – uma média de 3,77 kg por habitanteBairro Uglione (1.808 hab.): 12,68 toneladas semanais – uma média de 6,22 kg por habitanteBairro Km 3 (2.504 hab.): 13,09 toneladas semanais – uma média de 5,22 kg por habitante

* Dados avaliados no período entre o segundo semestre de 2021 e primeiro semestre de 2022 pela secretaria de Município de Infraestrutura e Serviços Públicos.

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O estudo

O estudo será usado para basear o novo modelo de coleta da cidade, que deve sofrer modificação total, em edital que deve ser lançado até o dia 31 deste mês. No total, foram analisadas 3,1 mil viagens de todos os 10 caminhões utilizados para a realizar a coleta convencional. Eles tiveram seus pesos contabilizados durante cada chegada no aterro sanitário, para descarregar.

Assim, foi possível mensurar as toneladas recolhidas por bairro, o tempo e a distância percorrida para coleta. O software foi criado pelo engenheiro civil da Superintendência de Monitoramento e Fiscalização Saneamento do município, Ivan Nazaroff, que explica que deve continuar a ser usado:

— É a primeira vez que a prefeitura consegue ter uma análise mais detalhada do sistema de coleta, e isso permite, inclusive, que a gente use esse software futuramente para fiscalização do sistema novo que for criado.

Eduarda Costa, [email protected]

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