Anestesista é preso por estuprar mulheres sedadas em cirurgias no RJ; os abusos foram filmados pelo próprio médico

Vitória Parise

Anestesista é preso por estuprar mulheres sedadas em cirurgias no RJ; os abusos foram filmados pelo próprio médico
Foto: Reprodução/TV Globo

A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) prendeu, nesta segunda-feira (16), o anestesista colombiano Andres Eduardo Oñate Carrillo, 32 anos, suspeito de estuprar pelo menos duas pacientes sedadas durante cirurgias no Rio de Janeiro. Conforme divulgado pelo G1, o médico tinha o hábito de filmar o crime e colecionar as imagens. As investigações começaram em dezembro de 2022, quando a Polícia Civil recebeu informações sobre a existência de um acervo de 20 mil arquivos de pornografia infantil nos computadores do médico, que atuava tanto em hospitais públicos quanto particulares. Andres vive legalmente há seis anos no Brasil e foi preso em casa, na Barra da Tijuca.

Como tudo foi descoberto

As investigações da DCAV, com apoio da inteligência da Polícia Civil, iniciaram em dezembro, a partir do compartilhamento de informações do Serviço de Repressão a Crimes de Ódio e Pornografia Infantil da Polícia Federal (PF). A PF identificou a possibilidade da existência de arquivos pornográficos em posse de Andres e encaminhou o caso à Polícia Civil. A partir disso, foi autorizada a quebra de dados do celular do suspeito, onde foram encontrados mais de 20 mil mídias de abusos infantis. De todo esse material, três vídeos feitos pelo próprio médico chamaram a atenção dos investigadores.

— Quando vimos, logo de início, tratamos como casos de estupro, partindo do princípio de que ele mesmo teria produzido. Mas precisávamos avançar na identificação das vítimas e materializar os crimes. Pelos metadados dos vídeos, certificamos a localização do suspeito no ato da gravação, identificando os hospitais e descobrindo os dias. Aí partimos para a tentativa de descobrir as mulheres ali sedadas. Com as listas de pacientes operados nos dias, fomos buscando características físicas e eliminado possibilidades até chegar às pacientes — explicou o delegado titular da Dcav, Luiz Henrique Marques.

Os vídeos foram mostrados às vítimas, que se reconheceram, mas não imaginavam que haviam sido estupradas. O primeiro crime aconteceu no dia 15 de dezembro de 2020 no Hospital Estadual dos Lagos Nossa Senhora de Nazareth, em Saquarema, durante a realização de uma cirurgia de laqueadura. Já o segundo foi no dia 5 de fevereiro de 2021, em uma das salas de cirurgia do Complexo Hospitalar Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante um procedimento para retirada de útero.

Uma das vítimas contou que a sedação foi tão intensa que era semelhante à de um parto de cesárea, o que fez com que ela ficasse totalmente desacordada por mais de duas horas.

Além dos estupros, o suspeito praticou os crimes previstos nos artigos 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (aquisição/posse/armazenamento de pornografia infantojuvenil) e 240 (produção de pornografia infantojuvenil). A partir disso, a DCAV instaurou outro inquérito remetido para a Vara Especializada em Crimes contra Criança e Adolescentes.

O que dizem as autoridades

A Polícia Civil trabalha para avançar nas investigações, estudando as unidades nas quais o médico trabalhava para encontrar novas possíveis vítimas.

A direção do Hospital Estadual dos Lagos Nossa Senhora de Nazareth disse que colaborou na investigação que levou à prisão do médico e que não trabalha na unidade desde setembro de 2021. Já o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho afirmou que o médico não atua mais na unidade desde fevereiro de 2021.

*com informações do G1

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