O que dizem as defesas, réu, MP e representante da AVTSM sobre a suspensão do novo júri do Caso Kiss

Autor: Letícia Almansa Klusener e Nathália Arantes

O que dizem as defesas, réu, MP e representante da AVTSM sobre a suspensão do novo júri do Caso Kiss

Foto: Nathália Schneider (Diário/Arquivo)

As defesas e um dos réus do caso kiss, além do Ministério Público e da Associação dos Familiares e Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), manifestaram-se após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que suspendeu o novo julgamento marcado para dia 26 de fevereiro. Parte das defesas dos réus pretende recorrer da suspensão do júri.  

A decisão do ministro Toffoli foi proferida na noite de sexta-feira e atendeu ao pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), motivado por manifestação da Associação dos Familiares e Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), pela suspensão do novo julgamento da boate Kiss que estava marcado para 26 de fevereiro. O júri fica suspenso até que o STF analise os recursos extraordinários do Ministério Público do Rio Grande do Sul e Ministério Público Federal.

Repercussão

Ainda na noite de sexta, o MPRS se manifestou por nota em que afirma que conforme o procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, a decisão do STF é um sinal concreto de que a tese acusatória sustentada pelo Ministério Público do Estado no júri está correta e que as decisões de anulação do julgamento merecem correção.

Conforme manifestação da promotora de Justiça que atuou no júri em 2021, Lúcia Helena Callegari, a justiça está sendo feita.

– Esta decisão que suspendeu o julgamento atendeu os anseios das famílias, das vítimas e dos sobreviventes. Eles não queriam se deparar com um novo julgamento sem que tivesse uma decisão do STF. A Constituição fala em soberania do Tribunal do Júri, garantia dos vereditos e essa garantia de soberania não estava sendo respeitada até este momento com a anulação do julgamento por questões que entendo inexistentes. Os quatro réus foram condenados e esta decisão que veio do povo tem de ser respeitada — disse.

Já o presidente da AVTSM, Gabriel Rovadoschi, afirmou que a decisão traz alívio para as vítimas e familiares, e que a expectativa agora é para que a decisão do julgamento do recurso no STF saia quanto antes:

— A nossa maior preocupação é a saúde de todos os familiares sobreviventes diretamente afetados pela tragédia. E quando a gente fez o pedido pela suspensão do júri, foi por reconhecer o quão danoso seria enfrentar um novo julgamento com toda a sua carga emocional e todas as exigências de outras ordens, como a questão de saúde física, logística e outras mais. A gente sabe que a história sempre esteve e sempre estará do nosso lado, mas o ato processual do júri não se resume a um simples ato, mas sim em submeter todas as partes a extremos níveis de estresse e risco.

O réu Luciano Bonilha Leão se manifestou por meio de suas redes sociais. Ele disse estar pronto para o júri:

— Eu estou pronto para fazer o júri e parece que não querem que ele saia. Parece que não querem aceitar que a sociedade brasileira me escutou e hoje pede pela minha absolvição. Estou indo a Porto Alegre e gastando porque meus advogados são de lá. Eu preciso resolver isso. Eu quero poder ter um norte na minha vida. Eu quero justiça nisso. Eu perdi um amigo lá dentro e essa justiça eu nunca vou conseguir.

Bruno Seligman de Menezes, advogado do réu Mauro Hoffmann, emitiu uma nota em suas redes sociais sobre o caso. Nela, diz receber com “desalento”, mas sem surpresas, a notícia. E acrescentou:

– Cumpre esclarecer que, no júri de 2021, Mauro Hoffmann tinha recurso em tramitação no STF e, à época, não se atribuiu efeito suspensivo àquele julgamento, evidenciando, uma vez mais, tratamento desigual a uma parte em detrimento a outra. Os réus, que sempre quiseram um julgamento apenas justo, aguardarão a manifestação final da Corte Suprema. É fundamental que a população dê os nomes corretos aos responsáveis pela morosidade e eventual impunidade pelos fatos trágicos decorrentes da boate Kiss.

Para a defesa de Elissandro Spohr, a tentativa, agora, é de reverter esta situação, apesar de não haver esperança de que isso ocorra.

— Eu fico com pouquíssima esperança de que o júri vá acontecer agora dia 26 de fevereiro. Eu lamento muito não fazer o júri agora. As defesas estão prontas. O que nos cabe agora é esperar e estudar o recurso adequado – afirmou o advogado Jader Marques em suas redes sociais.

A advogada Tatiana Borsa, que defende Marcelo de Jesus, disse que medidas serão tomadas para conseguir reverter a situação: 

— A defesa respeita a decisão exarada pelo ministro Toffoli que suspendeu a sessão plenária do Tribunal do Júri. Era de conhecimento que o MPRS estava em Brasília com o intuito de evitar a realização do júri. Nos causa espanto que o órgão ministerial esteja empenhando tanto esforço pela não realização da sessão plenária, causando ainda mais sofrimento a todos os envolvidos, familiares, réus e a sociedade de modo geral. Vamos nos reunir e tomar as medidas cabíveis para conseguirmos reverter essa decisão para que a sessão seja realizada no dia 26. A defesa estava preparada para comprovar a inocência de Marcelo, acreditando que nesse novo julgamento seria feita a tão almejada justiça e não vingança.

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