Foto: Tales Trindade (Diário)
Documento definirá prioridades, objetivos e metas da universidade entre 2028 e 2035; processo seguirá até 2027 e contará com consultas, audiências públicas e diferentes formas de escuta da sociedade.
Construir os próximos anos de uma universidade pública passa, necessariamente, por ouvir quem faz parte dela e quem é impactado por suas atividades. É com essa proposta que a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) iniciou a construção do novo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), documento que definirá os caminhos da instituição entre 2028 e 2035. O processo começa neste mês e seguirá ao longo de 2026 e 2027, com consultas à comunidade universitária e à sociedade, audiências públicas, participação em eventos e diferentes instrumentos de coleta de sugestões.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Mais do que organizar projetos e ações administrativas, o PDI funciona como o principal instrumento de planejamento estratégico da universidade. Nele estarão as prioridades, os objetivos, as metas e os indicadores que deverão orientar o desenvolvimento da UFSM durante o período. A proposta é que o documento represente não apenas as intenções de uma gestão, mas uma visão institucional construída coletivamente e aprovada pelo Conselho Universitário.
O lançamento oficial ocorrerá em 14 de agosto, às 14h, no Centro de Convenções da UFSM. A programação terá a participação da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia Antunes Rocha, que falará sobre o tema “Democracia, autonomia e participação: o futuro da universidade pública”. No mesmo dia, a universidade concederá à ministra o título de doutora honoris causa, o primeiro concedido pela atual gestão.
Um plano da universidade, não de uma gestão

A reitora da UFSM, Martha Bohrer Adaime, explica que o PDI deverá orientar os planos das gestões que estiverem à frente da universidade durante sua vigência. Isso significa que reitores e equipes administrativas poderão apresentar seus próprios programas, mas precisarão respeitar os objetivos institucionais definidos no documento.
A intenção é garantir continuidade às prioridades consideradas importantes para a universidade, sem deixar que elas dependam exclusivamente das decisões de quem ocupa temporariamente os cargos de gestão. Por isso, o PDI será submetido aos conselhos superiores depois de construído com a participação da comunidade.
— O PDI é um documento norteador da instituição, do crescimento da instituição e dos caminhos institucionais para onde ela deve ir. Ele é um plano da instituição, aprovado nos conselhos superiores, que, independentemente do reitor ou da reitora e do seu plano de gestão, precisa ser seguido. Por ser construído por uma comunidade, ele marca o caminho institucional — afirma Martha.
A participação é apontada pela reitora como um dos principais desafios do processo. Para que o documento represente de forma mais fiel o futuro desejado para a UFSM, a construção deverá reunir opiniões de estudantes, professores, técnicos administrativos, unidades de ensino, pró-reitorias, diretorias e diferentes setores da sociedade.
A comunidade externa também terá espaço. A universidade pretende ouvir egressos, Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), câmaras de vereadores dos municípios onde a UFSM possui campi, empresas e instituições que recebem estagiários, participantes de projetos de extensão, representantes do setor produtivo e a população em geral.
Diagnóstico vai considerar resultados do plano atual
A elaboração será dividida em etapas. Primeiro, a equipe responsável deverá construir um panorama da educação, do contexto da UFSM, das tendências mundiais e dos desafios externos que podem interferir no futuro da instituição.
Depois, será realizado um diagnóstico com base em dados, indicadores, avaliações e na análise do PDI vigente. Essa revisão permitirá identificar quais metas foram alcançadas, quais ações precisam continuar e quais prioridades devem ser alteradas diante das mudanças ocorridas nos últimos anos.
A coordenadora da Coordenadoria de Planejamento e Avaliação Institucional (Coplai), Silvane Brand Fabrizio, explica que o novo documento será construído a partir desse diagnóstico e das contribuições recebidas nas consultas.
— O plano define prioridades, objetivos, metas e formas de acompanhamento de todas as ações e projetos desenvolvidos. Ele será construído de forma participativa, com escuta à comunidade, e esse processo seguirá até 2027, quando o documento deverá ser apreciado pelo Conselho Universitário. Precisamos ouvir a comunidade interna e externa para definir prioridades e metas para o futuro — afirma Silvane.
Em uma segunda etapa de escuta, serão definidos os objetivos estratégicos, as metas e os indicadores que permitirão acompanhar os resultados. O planejamento também prevê monitoramento e revisão ao longo do período de vigência, para que o PDI possa se adaptar a mudanças no cenário da educação e da sociedade.
Questionários, encontros e audiências públicas

A participação não ficará restrita a um único formulário. A UFSM pretende utilizar questionários, enquetes, audiências públicas, espaços para depoimentos e um canal no site do PDI onde qualquer pessoa poderá enviar contribuições.
A preocupação, segundo a reitoria, é não limitar a participação às pessoas que possuem facilidade com ferramentas digitais. Usuários de projetos de extensão, moradores de comunidades periféricas e outros grupos deverão ser ouvidos por meio de instrumentos compatíveis com suas realidades.
As informações coletadas serão sistematizadas pela equipe responsável e incorporadas ao diagnóstico e à definição das estratégias institucionais.
Empresas que recebem estagiários também serão ouvidas
Entre as ações previstas está a criação de um instrumento específico para instituições e empresas que recebem estudantes da UFSM em estágios no Brasil e no Exterior. A proposta é identificar como esses locais avaliam a formação oferecida pela universidade e quais mudanças podem contribuir para aperfeiçoar os cursos.
Os resultados poderão servir de base para futuras revisões de projetos pedagógicos e currículos. A mesma lógica será aplicada às ações de extensão: os articuladores da área ajudarão a reunir avaliações das comunidades atendidas pelos projetos desenvolvidos pela universidade.
A UFSM também pretende promover escutas junto aos Coredes, às câmaras de vereadores, ao setor produtivo e a ambientes de inovação, como o Santa Summit e o Inova Centro. A expectativa é reunir percepções de diferentes segmentos sobre o papel atual da instituição e o que se espera dela nos próximos anos.
— Queremos ouvir todos os agentes que estão dentro da instituição, mas também quem está fora. A universidade é pública e seu plano precisa ser construído em diálogo com o público. Quanto mais representativa for essa participação, mais fiel o documento será às opiniões e às necessidades das pessoas — destaca Martha.
Cronograma segue até 2027
Depois do lançamento oficial, a programação terá outras atividades vinculadas à elaboração do PDI. Em 26 de agosto, será realizado o Seminário Institucional de Avaliação e Planejamento da Pós-Graduação, que contribuirá para o diagnóstico das ações desenvolvidas pela universidade.
No dia seguinte, 27 de agosto, está previsto um momento cultural na Polifeira, durante a tarde. Em 1º de setembro, Maria Beatriz Luce participará de atividades ao longo do dia, no campus da UFSM, em parceria com a Pró-Reitoria de Graduação.
A primeira consulta à comunidade deverá ocorrer entre setembro e novembro. Em 19 de outubro, o Fórum Regional Permanente de Extensão também terá espaço para escuta dos participantes. Uma segunda consulta está prevista entre março e maio de 2027.
Outras ações ainda terão datas e formatos definidos, entre elas encontros no Inova Centro e apresentações nas câmaras de vereadores e em entidades representativas dos municípios onde a universidade está presente. As informações e atualizações serão disponibilizadas no site criado para acompanhar a construção do plano.
