Foto: Bruna Santos (Arquivo Diário)
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) perdeu posições no ranking global divulgado pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR), que avalia as melhores universidades do mundo. O levantamento, divulgado na segunda-feira (1), mostrou que a queda atingiu a maior parte das instituições brasileiras e acendeu um alerta sobre os impactos do financiamento da pesquisa científica no país.
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A UFSM aparece na 1.071ª posição do ranking mundial, com nota 70,2. Na edição anterior, divulgada em 2025, a instituição ocupava o 1.031º lugar. Segundo os dados do CWUR, 87% das universidades brasileiras avaliadas perderam posições em relação ao ano passado. Apenas cinco instituições avançaram no ranking, enquanto a maioria registrou recuo, especialmente nos indicadores relacionados à pesquisa e à produção científica
"Pesquisa realmente influencia"
Em entrevista ao programa Bom Dia, Cidade!, da Rádio CDN (93.5 FM), a reitora da UFSM, Martha Adaime, avaliou que o resultado tem ligação direta com os baixos investimentos em pesquisa:
– A questão da pesquisa realmente influencia. Nós vimos, nos últimos anos, um período de poucos investimentos na área. Isso não é algo que aparece imediatamente nos indicadores, mas acaba refletindo nos resultados atuais. Além disso, as universidades chinesas estão crescendo muito e ocupando cada vez mais espaço nesses rankings.
De acordo com a reitora, o ranking do CWUR tem peso significativo para indicadores de pesquisa, considerando aspectos como publicações científicas, citações e influência acadêmica. Ela ressalta, porém, que o modelo de avaliação não contempla integralmente características que fazem parte da missão das universidades públicas brasileiras, como ações de inclusão, permanência estudantil e extensão universitária.
"Precisamos de segurança financeira"
A preocupação com o desempenho das instituições ocorre em meio a discussões sobre o orçamento das universidades federais. Segundo a reitora, a indefinição sobre a liberação de recursos para o segundo semestre gera apreensão na administração da instituição:
– Ficamos apreensivos, logicamente. Precisamos de segurança financeira para realizar nossas atividades, planejar o ano e garantir o funcionamento da universidade. Esperamos que, como ocorreu em outros anos, haja suplementação dos recursos, mas enquanto isso não acontece trabalhamos com muita cautela.
Caso haja confirmação de novos cortes orçamentários, os primeiros impactos podem ocorrer em contratos de serviços terceirizados. Para a reitoria, a prioridade da instituição é preservar ações diretamente ligadas aos estudantes, como assistência estudantil, moradia universitária, bolsas e funcionamento dos restaurantes universitários.
Apesar da queda no ranking, a reitora afirmou que o desempenho das universidades gaúchas segue relevante no cenário nacional e defende a ampliação dos investimentos em ciência e tecnologia como estratégia para recuperar competitividade internacional e fortalecer a produção científica brasileira.
Confira a posição das universidades gaúchas:
Instituição | Ranking Global 2026 | Ranking Global 2025 | Ranking nacional | Pontuação |
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) | 476 | 476 | 4 | 74.7 |
Universidade Federal de Pelotas (UFPel) | 1013 | 986 | 19 | 70.5 |
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) | 1071 | 1031 | 22 | 70.2 |
Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS) | 1539 | 1506 | 37 | 67.9 |
Universidade Federal do Rio Grande (FURG) | 1629 | 1644 | 40 | 67.6 |