A hoje respeitada fábrica de máquinas Agrimec já precisou enfrentar crises e apelar para a criatividade para não ser subjugada pelas adversidades, que foram várias desde a fundação, em 1974. Mas tudo foi vencido com persistência, e a hora de colher os frutos chegou. Nos últimos sete anos, o faturamento da empresa cresceu 318%, e a previsão para 2014 é elevar as vendas em 20%. Nem dá para acreditar que a primeira boa ideia do empresário Odilo Pedro Marion deu errado.
A primeira invenção, uma revolucionária capinadeira foi vencida nas lavouras de soja pelos herbicidas, mas Marion não desistiu e seguiu identificando soluções inteligentes para os problemas do campo. Depois de três décadas de invenções para lavouras de arroz e cana-de-açúcar, a capinadeira finalmente sairá da fábrica, agora destinada ao cultivo de alimentos orgânicos.
Estou tirando do armário peças com 37 anos para colocar na lavoura. Eu nunca desisti dessa máquina orgulha-se o empresário.
A Agrimec foi fundada em 1974, na Avenida Medianeira. Quando deixou o campo, Marion tinha sido mecânico no quartel, e das duas experiências veio a ideia de fabricar implementos agrícolas. Se fosse criada hoje, a capinadeira rotativa qualificaria a empresa como uma legítima startup. Em 1977, a Agrimec se instalou no Distrito Industrial de Santa Maria, até então desocupado e sem nenhuma infraestrutura. E lá sobreviveu a diferentes crises do agronegócio, aproveitando os momentos de recessão para inovar.
Hoje somos considerados os maiores especialistas no cultivo de arroz. Para ter esse conhecimento, comecei a plantar conta.
Depois dos agrotóxicos, a Agrimec passou pela superinflação e pelos planos econômicos. Também resistiu à queda no preço das commodities, entre 2005 e 2006. Todos os obstáculos viraram inspiração para Marion:
A crise obriga a inovar.
Cada vez que a economia dava uma guinada, a Agrimec crescia. Na última crise, a empresa chegou a fabricar peças de vagões para uma montadora. Tudo para não precisar reduzir a equipe. E neste ano as contratações já passam de 60.
É marcante a atitude inovadora da empresa, ao antecipar demandas do mercado e criar produtos inovadores, que revolucionaram o mercado. É visível a capacidade criativa, tanto por necessidade quanto por oportunidade diz o técnico do Sebrae, Márcio José Rebelatto.
Ir aonde está o mercado
Desde o início do negócio, ao precisar desviar o foco da soja para o arroz, Odilo Marion estabeleceu metas de diversificação na empresa que dirige junto com os filhos. Ele passou a ser agricultor para ampliar o conhecimento do mercado. Quando precisou de uma bomba para a própria lavoura de arroz, Marion fabricou uma, mais funcional que as existentes. O sucesso foi enorme. Depois, vieram outros implementos práticos e inovadores. Foi assim que chegou à cana-de-açúcar, cultivada no Sudeste.
Eu comecei a projetar os implementos para cana sem conhecer. Já tinha visto canaviais pequenos. Visitando São Paulo é que vi realmente como era conta.
Quando os produtores não puderam mais queimar a cana para colher os talos, veio a demanda por máquinas. Marion criou e patenteou cultivadores inéditos, como um equipamento para aplicar herbicida e adubo embaixo da camada de palha que resta depois da colheita. Com isso, a Agrimec tem planos de montar um escritório no interior de São Paulo. O técnico do Sebrae Márcio José Rebelatto defende essa prática:
Os movimentos do setor agrícola interferem tanto positiva quando negativamente no ramo de implementos, e a empresa tem de estar preparada e com capacidade de resposta para eventos indesejados.
GRUPO AGRIMEC
- O que faz Fabrica implementos agrícolas, e o grupo já inclui outras empresas, como fábrica de peças e de aquecimento com energia solar
- Em que inova Vários implementos da Agrimec são pioneiros, como a capinadeira rotativa para