
As mídias retiram de nós até alguns pudores... São mudanças, e nos acostumamos com elas. Por isso, hoje resolvi escrever na primeira pessoa.
Quando fiquei só, imaginei: - Vou vender o que restou e alugar um quarto/e sala para viver e me instalar de vez nesta Santa Maria que amo tanto. E tenho gente amiga por perto - item essencial. Claro que os filhos já haviam batido as asas e feito mudanças para seus ninhos. Naqueles dias, num lugar triste, uma capela funerária (que já mudou também), encontrei uma amiga daquelas que, mesmo não a vendo seguidamente, se gosta, e se mudou alguma, coisa foi pra melhor!
Ela acocorou-se ao meu lado e perguntou:
- O que tu vai fazer agora?
Contei-lhe que pretendia alugar um quarto e sala, ou uma quitinete, depois que eu fizesse a partilha.
-No nosso prédio tem um apartamento vago! - falou. Eu ri:
- O que devo ter não deve dar nem pra entrada!..
Continuamos conversando. Mas vida à seu tempo, foi ajeitando as coisas, e a amiga virou vizinha! Como sou ruim de fazer contas, Deus que sempre me ajuda nessas horas, deu uma mão! Fez pra mim o que nem eu imaginara...
A importância maior foi para os filhos e o resto fui gerenciando conforme consegui.
Hoje, limpando (mais ou menos) as janelas do ap, que a amiga me indicou, fiz mentalmente a metragem entre a cozinha e área de serviço me dei conta:
- Neste espaço eu poderia morar...
E correram os anos, mais de dez... Até que se instalou o ano que revirou tudo com a tal Covid à tiracolo...
Há pouco, veio de mudança o 2021 de "mala e cuia" e esperança! Mas a Covid ainda se arrasta para tentar protagonismo, sorrateiramente, neste ano novinho. E continua a fazer estragos... Mas como nada é sem razão na vida, foi deixando rastros de ensino:
- Mudanças! Mudanças! Mudanças!
E estamos todos de mudança! Mudamos "a maneira de viver no mundo, tiramos as "cracas" que carregamos, arejamos as idéias, revisitamos "a(s) História(s)", repensamos atitudes, manias, comportamentos, iluminamos leis, teremos que refazer outras... Redesenhamos espaços, reajustamos outros, para dar vez às novas idéias, tecnologias, mesmo que às vezes torçamos o nariz...
Emerge um novo ser humano, ainda tentando assimilar as novas idéias que surgem, apostando que, pelo menos, os já batidos, vilipendiados "acertos antigos", e modos de viver, podem sobreviver "melhorados", respeitando as diferenças, acertando nossos inúmeros erros, suprimindo ou reescrevendo leis verdadeiramente justas, ou modos de educar e justiçar os que erram, até aprender, que almas não tem cor, nem raça, e que infinita deve ser...
E que ao fim e ao cabo, "somos pó, e ao pó voltaremos, ou enterrados "a sete palmos no chão" ou os novos costumes. Aqui faço uma ressalva. Para meu gosto, quem sabe façam uma mudança no futuro, renovar os cemitérios, tornar um imenso jardim florido onde seremos enterrados e tapados com mudas de plantinhas prediletas. Colorida mudança e nada tétrica!