O rufar dos tambores

O mundo nos puxa cada vez mais para uma vida apressada, agitada, barulhenta. O tempo parece não ser mais o mesmo. O dia parece não ter mais 24h, o sábado passado parece que foi ontem. Na verdade, o tempo é o mesmo, nós é que vamos perdendo a percepção das coisas, nossa mente está cheia de notificações, cobranças e expectativas externas. Nossa agenda mental está lotada, não damos conta de tudo e não nos damos conta da vida que vai passando a galope, deixando poeira e caminhos para trás e apagando marcas da nossa própria história. Nossa memória as vezes é surpreendida por alguma lembrança teimosa, que insiste em dizer que existe uma forma melhor de viver.

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Assim como uma semente floresce no escuro e no silêncio da terra, sem fazer nenhum barulho, a nossa mente também precisa de momentos silenciosos para se refazer e florescer no jardim da criação das ideias, dos ideais e dos sonhos. É na harmonia, na calmaria, na paz interior, que vamos reprogramar nosso computador mental e nos reconectar com nossa própria essência. A vida nem sempre será um lago de águas mansas, muitas vezes é rio caudaloso, perigoso, é correnteza que nos arrasta para cachoeiras revoltas e traiçoeiras.

Para resistir aos vendavais da vida é preciso ter raízes profundas, que vem das profundezas das nossas convicções e da nossa força interior. As flores mais bonitas sobrevivem a temporais resistindo silenciosamente antes de mostrarem suas cores e seus verdadeiros valores. “De colores são todas as flores, são os passarinhos...”

Que o mundo siga fazendo barulho, mas que dentro de nós a força continue florescendo em silêncio. É no espaço vazio que conseguimos escutar a nossa própria intuição e escolher o melhor caminho. Que rufem os tambores, anunciando a orquestra de múltiplos instrumentos que existe dentro de nós, e que na harmonia dos sons e do que somos, nos ensinará a reger a grande sinfonia da vida. Agora e depois!!!

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Vicente Paulo Bisogno

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