Foto: Arthur Camponogara
Treinador santa-mariense concedeu entrevista ao Papo D Esporte, da Rádio CDN

De volta a Santa Maria para passar alguns dias com a família, o técnico Tiago Nunes falou pela primeira vez sobre o fim de sua passagem pela LDU, do Equador, e projetou os próximos passos da carreira.
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Em entrevista ao programa Papo D Esporte, da Rádio CDN 93.5 FM, nesta sexta-feira (31), o treinador santa-mariense afirmou que pretende aproveitar um período de descanso antes de assumir um novo desafio e revelou que, neste momento, prioriza projetos que também proporcionem qualidade de vida para a família.
Após deixar o clube equatoriano em julho, Tiago afirmou que já recebeu sondagens, mas prefere aguardar antes de voltar ao mercado.
— Graças a Deus, o telefone segue tocando. Já tocou de alguns lugares, mas agora é o momento de descansar, de fazer uma autocrítica a respeito dos meus últimos anos. Quero ter alguns meses para descansar, reavaliar tudo que venho fazendo e fortalecer o trabalho para um projeto futuro — disse.
Saída da LDU
Tiago classificou a passagem pela LDU como uma das experiências mais importantes da carreira. No comando da equipe, chegou à semifinal da Libertadores de 2025 e conduziu o clube à liderança de seu grupo na atual edição da competição continental.
Apesar disso, a oscilação de resultados no Campeonato Equatoriano levou a diretoria a interromper o trabalho no dia 16 de julho.
— Foi uma linda experiência. Tivemos resultados esportivos importantes, chegamos a uma semifinal de Libertadores e classificamos novamente a equipe em primeiro lugar no grupo da competição. Mas oscilamos no campeonato nacional e a direção achou por bem fazer uma troca. É parte do processo — afirmou.
Segundo o treinador, não houve desgaste com o clube.
— Só tenho a agradecer. Foi uma experiência maravilhosa, onde pude me desenvolver mais como treinador e fortalecer meu trabalho em outros mercados — completou.
Mercado internacional segue como prioridade
Embora não descarte um retorno ao futebol brasileiro, Tiago revelou que sua prioridade continua sendo o mercado internacional. Segundo ele, a experiência vivida nos últimos anos ampliou horizontes pessoais e profissionais.
— A minha ideia inicial é tentar me manter fora do Brasil, trabalhando em outros mercados. Tenho buscado outras oportunidades e hoje procuro projetos que, além da parte profissional, também agreguem para a minha família, que nos proporcionem uma experiência de vida interessante — explicou.
O treinador destacou que não estabelece preferência por clubes específicos, mas por projetos compatíveis com sua forma de trabalhar.
— Não é uma questão de tamanho de clube. É entender se existe um projeto que combine com o meu perfil e com a forma como acredito que o trabalho deve ser desenvolvido — afirmou.
Diferenças entre Brasil e exterior
Durante a entrevista, Tiago comparou o futebol brasileiro ao cenário encontrado no Peru, Chile e Equador. Segundo ele, a cobrança por resultados é semelhante, mas existe maior compreensão sobre o tempo necessário para consolidar um trabalho.
— A pressão é muito parecida. O que muda é que fora do Brasil existe um pouco mais de paciência em relação ao desenvolvimento do trabalho. Entendem um pouco mais o tempo necessário para construir um processo — avaliou.
Tiago também ressaltou, entretanto, que o futebol brasileiro vive uma realidade financeira diferente da maior parte do continente. Para ele, o maior poder de investimento faz com que os clubes brasileiros concentrem os principais jogadores da América do Sul e disputem competições internacionais em condições superiores às dos rivais.
— O Brasil hoje é o país que mais paga e que mais contrata jogadores. Tem um investimento altíssimo e, por isso, acaba competindo internacionalmente muito forte — afirmou.
Copa do Mundo?
Questionado sobre a possibilidade de comandar uma seleção nacional, Tiago confirmou que já recebeu consultas, mas afirmou que esse não é um objetivo imediato.
— Já tive algumas conversas com seleções da América do Sul e da Concacaf, mas não vejo isso como um projeto para este momento da minha vida — revelou.
Ainda assim, o treinador não escondeu que a ideia faz parte de seus objetivos futuros.
— Os clubes que passei me permitem sonhar com outros passos. Tenho objetivos para o futuro e esse da seleção pode ser algo importante pensando a longo prazo — concluiu.
Confira a entrevista completa