Ainovação não acontece no vácuo. Para que uma descoberta de laboratório se transforme em um produto na prateleira ou em uma solução para a saúde pública, existe um caminho complexo que une criatividade, proteção jurídica e visão de mercado. É este percurso que a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) celebra e debate entre os dias 27 e 30 de abril, na Semana da Propriedade Intelectual.
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Organizado pela Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (Proinova), o evento percorre os campi de Santa Maria, Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Cachoeira do Sul sob o tema “Da ideia ao impacto”. A programação, que inclui palestras de especialistas como Henry Suzuki e oficinas sobre prospecção tecnológica e inteligência artificial, levanta uma questão fundamental para o desenvolvimento do Brasil: por que a Propriedade Intelectual (PI) e a Transferência de Tecnologia (TT) são vitais para a sociedade?
O valor social da proteção
Muitas vezes, a Propriedade Intelectual é vista apenas como uma barreira burocrática ou comercial. Na realidade, ela é o que garante que o conhecimento gerado dentro das universidades retorne à sociedade de forma segura e eficiente. Quando a UFSM protege uma patente, ela não está “trancando” o saber, mas criando um ativo que atrai investimentos. Empresas dificilmente investirão milhões para escalar uma tecnologia se não houver segurança jurídica de que aquele esforço será protegido contra cópias desleais.
Transferência de tecnologia: a ponte necessária
A Transferência de Tecnologia é o mecanismo que permite que o “DNA” da inovação saia da academia e ganhe vida no setor produtivo. Sem ela, grandes descobertas correm o risco de se tornarem apenas artigos científicos em prateleiras virtuais. Através de instrumentos jurídicos e parcerias público-privadas, a universidade viabiliza que a ciência brasileira resolva problemas reais — seja aumentando a produtividade no campo, criando softwares mais eficientes ou desenvolvendo novos tratamentos médicos.
Destaques da programação
A Semana da PI reflete essa conexão. No dia 27, em Santa Maria, a abertura foca na construção de patentes na era da IA e no fluxo institucional de proteção. Nos dias seguintes, os campi fora de sede também recebem o “Desafio de Propriedade Intelectual”, uma dinâmica que estimula o espírito empreendedor nos estudantes, que propõem modelo de negócio para tecnologias protegidas da UFSM.
A programação em Santa Maria contará com palestras sobre prospecção e valoração tecnológica, conectando a pesquisa ao mercado, e sobre os instrumentos jurídicos e a formalização de parcerias.
Além disso, a Mostra de Tecnologias Protegidas (de 27 a 29 de abril, em Santa Maria) funcionará como uma vitrine de tecnologias para o mercado, aproximando pesquisadores de possíveis parceiros comerciais. Eventos como o “Finep pelo Brasil” também integram a agenda, trazendo oportunidades de financiamento para quem quer inovar. O evento é gratuito e voltado para empresas, pesquisadores e comunidade em geral.