Eletroconvulsoterapia: novas evidências

Mauricio Scopel Hoffmann

A eletroconvulsoterapia, conhecida popularmente como “eletrochoque”, ainda carrega estigma e imagens antigas que pouco refletem a prática atual. Já há muito tempo, o procedimento é feito com anestesia, relaxante muscular e monitorização médica, sendo usado sobretudo em casos graves de depressão, catatonia e risco elevado de suicídio. Uma grande revisão publicada por Jenna Traynor em 2026 comparou diferentes técnicas de estimulação cerebral para reduzir ideação suicida. O resultado mais robusto favoreceu justamente a eletroconvulsoterapia bilateral, e mostrou melhora rápida do dos pacientes. Em alguns estudos, a redução importante dos pensamentos suicidas apareceu após quatro a seis sessões. Em medicina, poucas intervenções têm efeito tão rápido em quadros graves. Isso ajuda a explicar por que a eletroconvulsoterapia continua indicada em situações de urgência psiquiátrica, quando esperar semanas por resposta pode custar caro.

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Outras estimulações cerebrais: o que parece promissor?

Nos últimos anos surgiram várias técnicas para tratar sintomas psiquiátricos, como estimulação magnética transcraniana e correntes elétricas leves aplicadas no couro cabeludo. Elas despertam interesse por serem mais simples (não precisam de anestesia, por exemplo) e geralmente melhor toleradas. No estudo de Traynor, a maioria dessas técnicas isoladas não mostrou superioridade clara sobre placebo para reduzir ideação suicida. Porém, um resultado chamou atenção: a combinação de estimulação magnética transcraniana repetitiva no lado esquerdo do cérebro com escitalopram, um antidepressivo comum, reduziu pensamentos suicidas de forma significativa em comparação ao tratamento placebo. Isso sugere que algumas técnicas podem funcionar melhor como complemento do tratamento tradicional, e não necessariamente sozinhas. A mensagem prática é que a neuromodulação segue promissora, mas ainda precisa de estudos maiores para definir onde realmente agrega valor.

Diagnóstico tardio de TDAH cobra preço na escola 

Muitas pessoas só descobrem que têm transtorno de déficit de atenção e hiperatividade na adolescência, quando as exigências escolares aumentam. Um estudo nacional da Finlândia, liderado por Lotta Volotinen em 2026, acompanhou mais de 580 mil jovens para entender se a idade do diagnóstico influencia resultados educacionais. A resposta foi que quanto mais cedo vinha o diagnóstico, melhores eram as notas, maior a chance de seguir trajetória acadêmica e menor o risco de evasão escolar, dado que o tratamento é implementado mais cedo. Já diagnósticos próximos dos 16 anos, ou seja, tardios, se associaram a pior desempenho e maior abandono escolar. Isso não significa que o provável benefício está em reconhecer o problema antes, adaptar a escola, orientar a família e iniciar tratamento. Em muitos casos, o atraso no diagnóstico pode custar anos de sofrimento evitável e oportunidades perdidas. 

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