Quais as estratégias adotadas em Santa Maria para evitar desastres naturais

Caroline Souza e Luís Gustavo Santos

Quais as estratégias adotadas em Santa Maria para evitar desastres naturais

Foto: Nathália Schneider

Uma semana após uma das maiores tragédias já registradas no Rio Grande do Sul e que provocou a morte de 47 pessoas e deixou outras 20.517 desalojadas, o cenário é de reconstrução no Vale do Taquari. Já em Santa Maria, o alto volume de chuva preocupa os moradores dos 115 pontos da cidade que estão sujeitos a alagamento, inundação e deslizamento de terra. São cerca de 4 mil pessoas residindo nestes locais. A equipe da Defesa Civil monitora as áreas de altos riscos, ontem pelo menos 20 famílias tiveram que sair de casa no Passo do Verde por conta do nível do Rio Vacacaí.

O cenário evidencia a necessidade do debate sobre mudanças climáticas e o papel que gestores públicos e a sociedade devem assumir para minimizar os impactos de fenômenos que têm se tornado cada vez mais frequentes por conta das mudanças climáticas.

Cenário exige planejamento

A Diretora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Regina Alvalá, explica que o aumento da temperatura dos oceanos e da atmosfera tende a agravar os períodos de seca, bem como os eventos de chuva excessiva como os vivenciados recentemente. Neste contexto, mesmo municípios que não têm histórico de enchentes e outros fenômenos, podem ser impactados. Para conter os impactos, é necessário que as cidades se adaptem e tenham planejamentos voltados à contenção de riscos.

– Percebemos que no Brasil os esforços e os investimentos têm sido priorizados para ações de respostas, ou seja, depois que os desastres já aconteceram. É preciso que os municípios e estados estabeleçam programas de prevenção. Há um conjunto de preparação que ainda não faz parte dos esforços de todas as cidades – avalia Alvalá.

Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações do Cemaden, afirma que é essencial que os planos de prevenção sejam personalizados de modo que considerem as características de cada município. 

– Eles definem o que se deve fazer em situações de emergência como essa. Não é um plano que você escreve no dia da chuva, é preciso elaborar com antecedência, leva um certo tempo. As pessoas precisam saber o que fazer nesses momentos. Esse é o grande ponto – explica Seluchi.

Entre as ações recomendadas para integrar o planejamento estão a criação de rotas de fuga em situações de risco, previamente pensadas e comunicadas à população. Além de outras medidas de prevenção, como o desenvolvimento de sistemas de alerta como sirenes ou recebimento de avisos via SMS ou WhatsApp.

Foto: Nathália Schneider

Plano de Contingência 

A prefeitura de Santa Maria trabalha na atualização do Plano Municipal de Contingência de Proteção da Defesa Civil, documento que estabelece respostas funcionais para os problemas decorrentes das áreas de risco. Além do Executivo Municipal, fazem parte da elaboração do plano, instituições como o Corpo de Bombeiros, a Brigada Militar, a Polícia Federal, órgãos de saúde nacional e estadual, entre outros. 

De acordo com o chefe de gabinete do prefeito, Alexandre Lima, a atualização do Plano de Contingência não está finalizada mas, segundo ele, houveram evoluções importantes nas estratégias de atenuação dos possíveis efeitos causados pelo El Niño – fenômeno natural responsável pelas chuvas excessivas no Sul do país neste ano.

– Santa Maria vem desde abril tratando sobre isso, independente da atualização do Plano de Contingência, estamos preparados porque cada instituição sabe da responsabilidade e pode implementar ações – afirma.

Em junho deste ano, a prefeitura sinalizou uma série de medidas preventivas para amenizar os impactos das chuvas, previstas por meteorologistas para o segundo semestre do ano, especialmente em setembro. O prazo definido para cumprimento das metas foi de 60 dias, ou seja, a última semana de agosto. Das cinco ações necessárias, duas já foram cumpridas e as outras três estão em processo de implementação.

Reforço da infraestrutura

O executivo afirmou que iria realizar a revisão da infraestrutura da Defesa Civil no que se refere a materiais necessários em momentos de chuvas severas. Lima afirma que a prefeitura repôs o estoque com telhas, lonas e outros itens. Segundo ele, também estão sendo adquiridos kits de ajuda humanitária, como colchões, toalhas e travesseiros que devem chegar em até 30 dias.  A prefeitura informou também que adquiriu uma van para ser utilizada como Defesa Civil Itinerante. O veículo já está em operação. Além disso, está disponível um caminhão para transporte de materiais. 

Monitoramento de áreas de risco

A contratação de um grupo especializado no monitoramento das áreas de risco em encostas de morros também estava entre os compromissos. Segundo Lima, a prefeitura de Santa Maria está em diálogo com deputados e senadores gaúchos para que sejam destinadas emendas parlamentares para o município contratar um estudo aprofundado junto ao Serviços de Geologia do Brasil (CPRM). O projeto já foi apresentado e teria o valor de R$ 400 mil. A equipe de trabalho seria composta por geólogos, geofísicos, geógrafos e técnicos em geociência. Alexandre Lima ressalta que se não for possível a aquisição com verbas parlamentares, o Município utilizará recursos próprios. 

Foto: Nathália Schneider

Monitoramento de barragens

Diante do alto volume de chuva dos últimos dias, a Defesa Civil e Corsan garantem que monitoram com atenção as duas barragens que abastecem Santa Maria – DNOs e Rodolfo Costa e Silva. Conforme o superintendente regional da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), José Epstein, as barragens encontram-se em nível máximo –  DNOS com 12 metros e a Rodolfo 28,2 metros, mas seguem operando normalmente, com vazão do excesso de água para o rio.

Foto: Nathália Schneider

Tecnologia para alertas

Para o segundo semestre do ano, o município previa a contratação de um software para monitoramento climático dos bairros de Santa Maria, priorizando aqueles que têm áreas de risco. No dia 5 de setembro, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) aprovou o pregão eletrônico para a contratação de uma empresa especializada para monitoramento e alerta meteorológico na cidade. De acordo com Lima, serão instalados quatro pontos de observação meteorológica que trarão maior precisão para a Defesa Civil. A abertura do edital n° 121/2023 ocorrerá no dia 26 de setembro. 

Educação comunitária 

Quanto ao objetivo de promover ações de educação junto à comunidade, a prefeitura anunciou a contratação da Escola Hopeful de Educação em Desastres que vai promover trabalhos com moradores das regiões de risco e exercícios de simulação em campo. Além disso, também vai atuar na qualificação  da equipe da Defesa Civil Municipal. 

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