Finda um ano desafiador, que começou com uma das piores estiagens dos últimos 100 anos e levou 31% da produção gaúcha. Somente na cultura da soja, o impacto foi de 54%. Por outro lado, colhemos a maior safra de trigo da história do Rio Grande, quase 5 milhões de toneladas do grão, o que para muitos produtores significou equilíbrio nas contas. Será o trigo a “nova soja” para os gaúchos?
E a Pecuária no RS?
Os números de 2022 fugiram ao comportamento histórico padrão dos últimos anos no mercado da carne bovina. Preços em baixa quando eram para estar em alta e vice-versa. Muitos fatores podem explicar o fato: a drástica estiagem que assolou o Estado, preço da reposição, aumento no abate de fêmeas e a queda no preço do terneiro.
Dificuldades e Oportunidades
Crises sempre trazem oportunidades. Mas, enquanto o custo de produção no RS estiver alto, dificilmente produtores e indústrias terão rentabilidade. Na pecuária carniceira, parte do mercado gaúcho está sendo abastecido pelo centro-oeste e norte do país. Isso indica a necessidade de melhorar nossa competitividade. Como? Aumentando produtividade e reduzindo custos a partir de estratégias de manejo e uso de tecnologias. Assim poderemos concorrer com a carne que está vindo “de fora”.
Perspectivas
Se as condições climáticas não atrapalharem, o aumento de 4,5% em área cultivada (verão e inverno) será seguido de grande aumento na produção em relação a 2022, estimado em 58%. Projeções do relatório da Farsul apontam que o Estado poderá colher, pela primeira vez, mais de 40 milhões de toneladas de grãos na próxima temporada. E, segundo a Conab, no Brasil a expectativa é passar de 300 milhões de toneladas. Vamos torcer para que o clima meteorológico e político contribuam para que possamos colher o bom desempenho do agro em 2023.
Cenário Político Econômico
Incertezas no panorama político-econômico já afetam a confiança e mudam perspectivas do agronegócio para 2023. O cenário de curto prazo sugere fazer contas, analisar riscos e, se possível, aguardar os desdobramentos futuros. A confiança é combustível da economia e pelo que se observa, no agro, ela já demonstra perder fôlego.
Insegurança Jurídica no campoPreocupações com pautas ainda obscuras do próximo Governo Federal, especialmente em relação à garantia ao direto à propriedade tem tirado o sono dos produtores rurais. É fato que, quando o direito à propriedade é relativizado, os investimentos retrocedem e criam prejuízos econômicos ao país. Esperamos que questões ideológicas não atrapalhem o desenvolvimento do setor, que hoje responde por mais de 25% do PIB nacional.
Cenário Internacional
Sem dúvida o Brasil é e continuará sendo um player fundamental na tarefa de alimentar o mundo, produzindo hoje para mais de 1,5 bilhões de pessoas. Porém restrições ambientais duvidosas, alta inflacionária e a guerra no Leste Europeu preocupam em relação ao cenário internacional, principalmente em países que são importantes parceiros comerciais. Por outro lado, a expectativa do fim da política de COVID ZERO na China e especulações da ocorrência de tratativas para o fim da guerra, ainda que em médio prazo, animam o mercado e geram especulações de aumento de exportações.
Cautela e Análise no Novo Ano…
Muitos serão os desafios em 2023, tanto no ambiente interno quanto no cenário externo. Previsões apontam margens de lucro menores devido aos altos custos de produção que ocorrerão. Sem falar em uma iminente estiagem que poderá comprometer novamente a safra de verão no RS.
Para a pecuária gaúcha, o panorama que se desenha até o momento não é promissor. Nossa carne briga por preço num momento em que o custo para alimentar os rebanhos é alto e o consumidor busca preço acessível. Por outro lado, preocupa a tendência de queda no preço do boi para esse começo de ano, devido à consolidação no aumento da oferta de animais (iniciado já em 2022) e uma queda na demanda doméstica, dada a perspectiva de lento crescimento econômico do país.
Que estejamos preparados para muitas pelejas em 2023!
Por Daniele Araldi