O que você precisa saber sobre protesto contra o aumento da passagem nesta segunda em Santa Maria

O que você precisa saber sobre protesto contra o aumento da passagem nesta segunda em Santa Maria

Foto: Bruna Santos (Diário)

Passageiros que buscaram as linhas de ônibus em direção à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no início da manhã desta segunda-feira (9), enfrentaram dificuldades devido a uma manifestação organizada pelo Diretório Central das e dos Estudantes (DCE). O ato começou por volta das 6h e durou mais de três horas, interrompendo o corredor de coletivos e a Rua do Acampamento, nas proximidades da Rua Gaspar Martins, no Centro.

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​O grupo, formado por menos de 20 estudantes, utilizou uma faixa com os dizeres Não ao aumento, passe livre já e entoou gritos de ordem pedindo a gratuidade do transporte e protestando contra o reajuste da tarifa. Esse é o segundo aumento anunciado em um intervalo inferior a um ano. O valor da passagem em dinheiro subiu de R$ 6,50 para R$ 7,25, enquanto para usuários do cartão o preço passou de R$ 5,90 para R$ 6,65. As novas tarifas entraram em vigor à meia-noite desta segunda-feira. Estudantes pagam a meia-passagem de R$ 3,82.

De acordo com o prefeito Rodrigo Decimo (PSD), o reajuste foi adotado para evitar um colapso do transporte coletivo e assegurar a manutenção do serviço pelas empresas. O Executivo municipal argumenta que a tarifa cobrada dos usuários permanece abaixo da tarifa técnica do sistema, calculada atualmente em R$ 7,65.


Impactos no trânsito e no bolso

Foto: Rian Lacerda (Diário)

O bloqueio atingiu as linhas destinadas à UFSM, mas o fluxo intenso na Rua do Acampamento provocou lentidão geral. Ônibus de outros itinerários que ficaram retidos atrás dos veículos bloqueados precisaram manobrar para as pistas da esquerda, o que tornou o fluxo lento na região.

A interrupção do serviço gerou alta demanda em aplicativos de transporte, elevando os custos das corridas por meio de preços dinâmicos. Por volta das 7h40min, uma viagem de aplicativo para a UFSM chegou a custar R$ 64,90. Em outro momento da manhã, o valor saindo da parada da Rua Pinheiro Machado foi registrado em R$ 38,30.

Quem precisou trabalhar e não pôde aguardar a liberação das vias buscou alternativas. Angélica Fontoura Rodrigues, auxiliar de serviços gerais, relatou que precisou dividir o custo do aplicativo com colegas para chegar ao trabalho, mas manifestou apoio ao ato.

É um desaforo essa passagem. Vai chegar o tempo em que a gente vai trabalhar só para pagar a passagem. Eu também me somaria aos estudantes. Se pudesse, estaria ali – afirmou Angélica.

A professora aposentada Vera Lúcia também acompanhou a manifestação e criticou o reajuste tarifário diante da ausência de aumento salarial.

– É um absurdo esse aumento de passagem e não ter aumento de salário, a gente só tem perdas. Nos anos 1970, a gente ganhava ônibus de graça para a universidade. Era tudo melhor. Hoje, em vez de melhorar, só pioram as coisas – relatou Vera Lúcia.

A Acampamento foi liberada por volta das 9h, após 15 minutos de diálogo entre a Brigada Militar e representantes do diretório estudantil. Os bloqueios ocorreram em dois pontos do Centro. Além da Acampamento, estudantes bloquearam a passagem dos coletivos na Vale Machado, onde iniciam as linhas para a universidade.


Episódio ganhou repercussão 

Foto: Bruna Santos (Diário)

A mobilização gerou reações da prefeitura e da representação das empresas de transporte. Durante a manhã, os representantes foram ouvido ao vivo pelo programa Bom Dia, Cidade! da rádio CDN (93,5FM).

  • Associação dos Transportadores Urbanos (ATU): O presidente Luiz Fernando Maffini classificou o protesto como uma situação de viés político e afirmou que o perfil de usuário que protesta é o que possui maior benefício tarifário. Segundo ele, o reajuste é um reequilíbrio de valores necessário, já que a tarifa técnica aprovada anteriormente era de R$ 7,65 e novos cálculos poderiam elevar o valor para mais de R$ 8,40 devido à alta do diesel.
  • Prefeitura de Santa Maria: O procurador-geral do município, Guilherme Cortez, classificou o bloqueio das vias como lamentável, afirmando que a medida prejudicou o direito de ir e vir da população e dos trabalhadores. Cortez destacou que o valor da passagem está atrelado aos custos operacionais, como salários e combustível, e ressaltou que a licitação do transporte está em fase de revisão técnica, com previsão de retomada no primeiro semestre de 2026.
  • DCE: A presidência do diretório informou que não enviou pedido formal à prefeitura por considerar que a cobrança foi feita de forma pública e aberta. A entidade sustenta que o ato é uma resposta ao aumento acumulado de 45% na tarifa nos últimos meses.

Preços da passagem em Santa Maria (em vigor desde 09/03/2026)

  • Pagamento em dinheiro: R$ 7,25
  • Vale-transporte e Cartão Cidadão: R$ 6,65
  • Cartão Estudante: R$ 3,82
  • Cartão Estudante integrado: R$ 1,91
  • Cartão Cidadão integrado e vale-transporte integrado: R$ 5,00
  • Via aplicativo de bilhetagem eletrônica: R$ 6,65
  • Pagamento via cartões de banco: R$ 7,65


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