Missão de revalidação da Unesco começa com elogios à receptividade e ao patrimônio da Quarta Colônia

Missão de revalidação da Unesco começa com elogios à receptividade e ao patrimônio da Quarta Colônia

Fotos: Vinicius Becker (Diário)

Avaliadores da Unesco conhecem fósseis e pesquisas desenvolvidas no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica, em São João do Polêsine.

A receptividade da comunidade e a riqueza do patrimônio cultural e paleontológico da Quarta Colônia marcaram a primeira impressão da avaliadora portuguesa Daniela Rocha durante o início da missão de revalidação do Geoparque Quarta Colônia, nesta quinta-feira (16). Após visitar a Casa Museu João Luiz Pozzobon e o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa), em São João do Polêsine, ela destacou o acolhimento recebido e elogiou o trabalho desenvolvido no território.

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— Nossa, eu acho que o que mais agrada é mesmo a recetividade calorosa que todos estão a ter para conosco, toda a atenção que têm prestado e todo o valioso patrimônio que estão nos permitindo conhecer, desde o patrimônio cultural quanto o patrimônio paleontológico, que é absolutamente incrível. Portanto, parabéns pelo trabalho.

Avaliadora portuguesa Daniela RochaFoto: Vinicius Becker (Diário)

No Cappa, os avaliadores conheceram parte das pesquisas desenvolvidas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na área da paleontologia e o trabalho científico que contribuiu para consolidar a identidade do Geoparque. Para o diretor do centro, Flávio Pretto, receber novamente avaliadores da Unesco representa uma oportunidade de apresentar os resultados produzidos pela ciência na região.

— A gente sempre fica muito feliz de mostrar o nosso trabalho, de mostrar os resultados que o trabalho da ciência tem trazido para a região. E nos orgulha muito que o Geoparque carregue, na sua imagem, o nosso próprio trabalho científico. Nesse sentido, estamos bem alegres e confiantes no resultado.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Segundo Pretto, a impressão deixada pela visita foi positiva. Para ele, o momento também representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela equipe do Cappa ao longo dos últimos anos.

— Eu acho que causamos uma boa impressão. Foi o que deu para perceber, e isso nos deixa muito felizes.

No Cappa, o diretor Flávio Pretto apresentou aos avaliadores o trabalho científico desenvolvido pela UFSM na área da paleontologia.Foto: Vinicius Becker (Diário)

O vice-reitor da UFSM, Tiago Bandeira Marchesan, também acompanhou a visita e destacou a aproximação entre a universidade e o território como um dos principais resultados proporcionados pelo Geoparque. Conforme ele, a atuação da instituição vai além da produção científica e está diretamente ligada ao desenvolvimento regional.

— Aqui, a gente vê a universidade conectada ao território onde ela se desenvolve. O Cappa é uma forma de a paleontologia se desenvolver aqui no território. A gente tá muito confiante na obtenção desse novo selo Geoparque Quarta Colônia, assim como estamos muito confiantes no Geoparque Caçapava do Sul também, porque sabemos que o selo Geoparque desenvolve cada vez mais essa região.

Marchesan também ressaltou que a presença da universidade na missão reflete o papel da instituição pública junto às comunidades.

— O papel da universidade é desenvolver os territórios. Então, onde houver desenvolvimento regional, a universidade vai estar presente. É um momento onde nós estamos presentes junto com a comunidade, que é o grande papel da universidade pública.

O vice-reitor da UFSM, Tiago Marchesan, acompanhou a visita dos avaliadores ao CappaFoto: Vinicius Becker (Diário)

Depois da visita ao Cappa, a comitiva seguiu para a Cachaçaria Gentil, em Vale Vêneto, onde conheceu o trabalho desenvolvido com os chamados geoprodutos — produtos que valorizam a identidade e as características do território reconhecido pela Unesco.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Proprietário da cachaçaria, Zeca Tronco afirmou que a conquista do selo trouxe reflexos diretos para o turismo e para o movimento no empreendimento.

— Aumentou muito o turismo. Eu digo para as pessoas que aumentou uns 1.000% em relação do que tínhamos antes.

Zeca Tronco mostrou aos avaliadores o processo de produção das cachaças reconhecidas como geoprodutos do Geoparque Quarta Colônia.Foto: Vinicius Becker (Diário)

O empresário também destacou que, além da valorização das belezas naturais e do patrimônio arqueológico da Quarta Colônia, a região passou a receber visitantes interessados no turismo religioso.

— Nós temos essa natureza exuberante, nossa região, nosso sítio arqueológico, trazendo cada vez mais pessoas. E, agora, também entrando o turismo religioso, com João Luiz Pozzobon e demais.

Ao final da visita, Tronco contou que os avaliadores também conheceram a produção local. Segundo ele, a recepção foi positiva, especialmente por parte do representante francês.

— Principalmente, o avaliador francês adorou. Estava me agradecendo muito. E a portuguesa também gostou muito.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

"Nosso coração está tranquilo", afirma diretora executiva do Geoparque

Na Casa-Museu João Luiz Pozzobon, os avaliadores da Unesco seguraram a imagem da Mãe Peregrina levada pelo diácono durante décadas em sua missão de evangelização.Foto: Vinicius Becker (Diário)

A diretora executiva do Geoparque Quarta Colônia, Eduarda Brum, afirmou que as primeiras horas da missão reforçaram a confiança da equipe no processo de revalidação. Segundo ela, a avaliação inicial é positiva e o acolhimento da comunidade tem chamado a atenção dos visitantes.

— As primeiras impressões são ótimas. Nosso coração está tranquilo, pois os avaliadores estão se mostrando muito empolgados com esse momento. Na outra entrevista que deram, falaram que sentiram-se muito bem acolhidos. As paisagens são exuberantes. Então, nós acreditamos que a nossa missão está sendo feita com êxito, pois foi preparada com muito carinho.

A ida até a Cachaçaria Gentil, em Vale Vêneto, segundo Eduarda, representa um dos exemplos da integração entre o Geoparque e a comunidade local, já que o empreendimento é parceiro do projeto e produz geoprodutos.

— Um importante ponto, principalmente pelo proprietário ser nosso parceiro do Geoparque há muito tempo, as cachaças dele serem geoprodutos. Os avaliadores puderam ver e sentir o momento, nesse momento aqui, o Geoparque Quarta Colônia e o envolvimento da comunidade.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Na sequência da programação, os avaliadores seguiram para o almoço no Restaurante da Romilda e, à tarde, visitaram a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, novo geossítio implantado após as enchentes, antes de continuar o roteiro em Ivorá, com passagens pelo Monte Grappa, pela Cascata Cara de Índio e jantar no Restaurante I Fratelli Moro.

Avaliador francês destaca envolvimento da comunidade com o patrimônio geológico
O avaliador francês Jean-Luc Desbois, que acompanha Daniela na missão, afirmou que ainda é cedo para fazer uma avaliação sobre o território, já que a programação teve início nesta quinta. Mesmo assim, disse que uma das primeiras impressões foi o envolvimento da comunidade com o patrimônio geológico da Quarta Colônia, especialmente com os fósseis.

— Ainda é um pouco cedo para falar sobre a região, porque estamos apenas começando a missão hoje. Mas sinto que as pessoas daqui estão muito envolvidas com o patrimônio geológico, especialmente com os fósseis. E elas procuram conectar esse patrimônio geológico com a comunidade local. Foi essa a impressão que tive nesta manhã, e esse é um bom caminho para os geoparques.

Missão segue nesta sexta com visitas a quatro municípios da Quarta Colônia

A programação da missão de revalidação continua nesta sexta-feira (17), com visitas aos municípios de Restinga Sêca, Agudo, São João do Polêsine e Dona Francisca. O roteiro começa pela manhã na Estação Ferroviária de Restinga Sêca e segue para a Casa de Cultura Iberê Camargo, no antigo prédio Dr. Miguel de Patta. Em Agudo, os avaliadores conhecerão o Instituto Cultural Brasileiro-Alemão (ICBAA) e a Praça dos Dinossauros.

À tarde, a comitiva visitará o Geossítio Cerro da Figueira e participará de atividades no Ginásio de São João do Polêsine. O dia será encerrado em Dona Francisca, com visita ao Museu Arqueológico da Quarta Colônia e participação na abertura da Semana do Município, seguida de um jantar com a comunidade antes do retorno ao Hotel Recanto.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Próximas etapas da missão

A missão de revalidação segue na Quarta Colônia até domingo (19), com visitas programadas a diferentes geossítios, espaços culturais, empreendimentos e comunidades dos nove municípios que integram o Geoparque. 

Após a conclusão da agenda na Quarta Colônia, os avaliadores Daniela Rocha e Jean-Luc Desbois seguem para Caçapava do Sul, que também conquistou o título de Geoparque Mundial da Unesco em 2023. No município, eles darão continuidade à missão de revalidação, verificando os avanços alcançados desde a certificação e o cumprimento dos critérios necessários para a manutenção do reconhecimento internacional.


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