Chuva pode superar 150 mm em pontos do RS, e meteorologista alerta para período prolongado de instabilidade

Chuva pode superar 150 mm em pontos do RS, e meteorologista alerta para período prolongado de instabilidade

Foto: Vinicius Becker (Diário)

O Rio Grande do Sul deve enfrentar, entre esta quinta-feira (16) e pelo menos segunda-feira (20), um período prolongado de instabilidade, com risco de chuva volumosa, temporais e vendavais. A previsão indica acumulados acima de 150 milímetros em uma parte significativa do Estado, enquanto, pontualmente, os volumes podem superar 200 milímetros. Apesar disso, o cenário atual é diferente daquele que antecedeu as enchentes de 2024.

+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp

A avaliação é do meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Murilo Lopes. Segundo ele, a instabilidade será provocada pela atuação de um sistema chamado de frente estacionária que, diferentemente de uma frente fria que avança pelo território, tende a permanecer sobre uma mesma região por vários dias.  Somada à entrada de umidade vinda da região amazônica, a condição favorece chuvas persistentes e, em alguns momentos, de forte intensidade.

— Nós vamos ter uma condição de tempo bastante instável persistente e de uma chuva que vai ficar vários dias sobre a mesma região, inclusive por vários momentos com forte intensidade. Tanto que existe essa condição para temporais, para vendavais. E esse cenário, ele é de bastante risco porque quando essa chuva acontece por vários dias numa mesma região, a gente tem geralmente acumulados bastante elevados e essa tendência que nós estamos esperando.

Conforme o meteorologista, a permanência da instabilidade sobre o Rio Grande do Sul está relacionada a uma configuração atmosférica que dificulta o avanço do sistema para outras regiões do país. Segundo ele, a condição já apresenta uma resposta do fenômeno El Niño, além da formação de um bloqueio atmosférico mais ao centro do Brasil.

Com a chuva concentrada durante vários dias sobre o Estado, aumenta a preocupação principalmente em áreas próximas a rios, córregos e arroios. Murilo ressalta, no entanto, que a previsão não deve ser tratada de forma alarmista.

— Esse cenário realmente exige atenção. Não é um cenário, digamos, apocalíptico, mas merece a devida atenção porque é um cenário de alto risco, sem dúvida.

Ainda segundo Murilo, uma parte significativa do Rio Grande do Sul pode registrar mais de 150 milímetros no período. Em alguns pontos, a precipitação pode superar 200 milímetros e, pontualmente, alcançar volumes ainda maiores.

A Região Central, por exemplo, está dentro da área de atenção.

— Certamente nós vamos ter acumulados nesse período aqui que vai desde quinta até segunda-feira acima de 150 milímetros em uma parte significativa do estado. E pontualmente essa chuva ela vai ser mais volumosa, inclusive superando talvez a marca dos 200 milímetros em algumas regiões, e pontualmente até mais, inclusive.

Cenário é diferente do registrado antes das enchentes de 2024

Murilo Lopes, meteorologista da UFSM, alerta para um período prolongado de instabilidade no Rio Grande do Sul nos próximos dias. Foto: Vinicius Becker (Diário)

Apesar de algumas características da configuração atmosférica serem semelhantes às observadas durante as enchentes de 2024, Murilo destaca uma diferença importante: as condições dos rios e do solo antes da chegada da chuva.

Em 2024, o Estado já vinha de um período de precipitações volumosas desde a primavera de 2023. Com isso, as bacias hidrográficas estavam mais cheias e o solo, encharcado. Agora, segundo o meteorologista, grande parte dos rios está em níveis mais baixos e o Estado vem de um período mais seco, com exceção da situação recente do Rio Uruguai.

— A grande diferença, sem dúvida, mora nessa questão exatamente de nós termos agora rios já mais dentro da normalidade. Claro, com exceção do Rio Uruguai, que teve enchente nas últimas semanas. Mas nas demais bacias hidrográficas, especialmente aqui no centro do Rio Grande do Sul, a gente tem uma condição de rios mais baixos.

Por outro lado, Murilo explica que os sistemas meteorológicos previstos apresentam semelhanças com aqueles que atuaram em 2024: uma frente fria permanecendo durante vários dias sobre o Estado e recebendo grande quantidade de umidade da região amazônica.

Por isso, apesar das condições iniciais diferentes, a previsão ainda exige atenção diante dos elevados volumes de chuva esperados.

— Por mais que a gente tenha uma certa diferença do que aconteceu em 2024, em função muito de nós virmos agora de um período mais seco, no entanto é um cenário que merece atenção porque esses acumulados vão ser capazes de tirar os rios do vale, sem dúvida.
Santa Maria pode ter rajadas acima de 80 km/h

Além da chuva, Santa Maria e a Região Central devem ficar atentas à atuação do vento norte. Conforme Murilo, a circulação de umidade deve contribuir para a elevação das temperaturas nos próximos dias e também pode provocar rajadas intensas.

Na sexta-feira (17), os ventos podem superar os 80 km/h na região.

— Aqui em Santa Maria nós temos uma condição com esse forte vento de norte que vai trazer essa umidade. A gente vai ter um cenário também de vento norte nos próximos dias que vai fazer essa temperatura subir bastante, inclusive trazendo rajadas que podem superar os 80 km/h na sexta-feira. Então é um cenário também que merece atenção, especialmente aqui para a região de Santa Maria, que tem esse vento norte muitas vezes causando transtorno também.

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Chuva pode superar 150 mm em pontos do RS, e meteorologista alerta para período prolongado de instabilidade Anterior

Chuva pode superar 150 mm em pontos do RS, e meteorologista alerta para período prolongado de instabilidade

Meteoro do tipo Próximo

Meteoro do tipo "bola de fogo" ilumina o céu de Santa Maria durante a madrugada

Geral