Hospital Regional de Santa Maria já atende os primeiros pacientes em traumato-ortopedia

Arianne Lima

Hospital Regional de Santa Maria já atende os primeiros pacientes em traumato-ortopedia
Fotos: Eduardo Ramos (Diário)

Na manhã desta segunda-feira, o Hospital Regional de Santa Maria atendeu os primeiros pacientes de média complexidade nas especialidades de traumatologia e ortopedia. A técnica em enfermagem Selma Terezinha Fogaça Flores, 47 anos, chegou em Santa Maria às 5h30min para a consulta. Acompanhada pelo filho, Guilherme Fogaça, 28, ela viajou de São Martinho da Serra em busca de uma solução para problema que já completa um ano e três meses.

No ano passado, ao fazer força para movimentar uma paciente acamada no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), Selma sofreu uma lesão no ombro direito. No mesmo dia, ela foi encaminhada a um traumatologista, que, após um ultrassom, confirmou uma ruptura de manguito no ombro direito. A profissional ficou afastada por três meses do trabalho, devido à dor e às dificuldades, que vão desde levantar o braço a até realizar simples tarefas. Neste caminho, ela encontrou outro empecilho: o valor da operação, que na época era de R$ 12 mil na rede privada.

–Embora seja uma cirurgia simples, se podemos dizer assim, ela tem um custo bem elevado, e que eu não tinha como pagar. Por isso, aguardei todo esse período para tentar fazer via SUS. Agora, provavelmente, deve ter um valor mais alto (na rede privada). Em torno de R$ 14 ou 15 mil, porque tem o custo da internação, anestesista e o que é necessário para fazer a cirurgia. Então, eu não teria como arcar com esse valor – conta.

Na última sexta-feira, Selma recebeu uma ligação e confirmou a vinda para o Regional nesta segunda. Após o atendimento médico, a felicidade em saber que passará pelo procedimento na instituição foi concretizada com a assinatura de um termo cirúrgico, entregue pela enfermeira Daniela Buriol, responsável assistencial pelo ambulatório cirúrgico. Ao Diário, Selma descreve a sensação:

–É só felicidade e agradecimento a Deus por essa oportunidade de fazer (a cirurgia) em um hospital que irá trazer muitos benefícios e que já está promovendo melhoras para a saúde de toda a população de Santa Maria e região. São muitas pessoas que vêm de fora, consultar tanto no Husm, como aqui. Nessa primeira consulta, eu já soube que vai ser aqui e isso me deixou bem confiante, tranquila.

NOVA ESPERA

Durante o processo de atendimento dos pacientes, também houve aqueles que não estavam aptos para procedimentos cirúrgicos na complexidade ofertada pela instituição. Esse foi o caso do agricultor Adolfo Schopf, de 75 anos. Ele e a filha, Beatris Schopf, 51, saíram de Jaguari, às 5h, rumo a Santa Maria. O motivo? A possibilidade de garantir a cirurgia nos dois joelhos, que ele precisa há cinco anos.

– Eu fui em um médico em Santiago, que é especialista, e ele me disse que só podia ser com cirurgia. Ele me encaminhou para o posto e, depois, cheguei a ir algumas vezes para o Husm, mas o médico me dizia que tinha mais de mil na frente e que iria demorar muito. Cheguei a ir três ou quatro vezes e, então, eu parei de ir – relata Schopf.

Beatris, que acompanhou o pai em cada momento, descreve a situação como angustiante. Ela conta que Schopf tem dificuldades para andar, um dos motivos pelo qual ele não exerce mais a profissão. Após receber uma ligação na última quinta-feira sobre a consulta no Regional, a esperança retornou a vida dos dois.

– Foi uma surpresa, porque ninguém estava esperando. Mas, a gente espera que dê tudo certo – diz Beatris.

Com exames em mãos, pai e filha entraram no consultório do médico Francisco Harrisson. Durante o atendimento, Adolfo foi informado que o procedimento necessário é de alta complexidade, sendo necessário o referenciamento para outro hospital. A mesma situação foi enfrentada pela doméstica Eva Guiomar Soares dos Santos, de 59 anos. Ela, que sofre de artrose degenerativa, precisa de uma prótese no joelho há oito anos.

– Na sexta, chamaram-me para vir ao Regional e eu não conhecia esse hospital. Quando cheguei aqui, o médico me disse que eles não fazem (a cirurgia). Agora, vou ter que ir no posto da minha cidade e para que me encaminhem para o Husm de novo, porque eu tenho muita dor – afirma Eva, que também veio de Jaguari para o município nesta segunda.

ETAPAS

Ao todo, foram atendidas 17 pessoas neste primeiro dia. Além das segundas-feiras, o ambulatório funcionará nas quartas e sextas-feiras e contará com uma equipe guiada pelos médicos traumatologistas Francisco Harrisson e Ovidio Mayer. O diretor técnico do Hospital Regional de Santa Maria, Vinicius Menegola, explica que a instituição está trabalhando em etapas para atender o público dessas especialidades. Na primeira semana, a instituição realizou a capacitação dos profissionais para trabalhar no sistema, a abertura da agenda cirúrgica e a definição dos horários dos ambulatórios para receber a triagem de pacientes, encaminhada pela 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS).

– Essa semana iniciariam os atendimentos presenciais. Ou seja, aqui, os nossos profissionais vão avaliar a real necessidade de um procedimento cirúrgico e ver quais pacientes atendem aquilo que foi compactuado com o Estado de cirurgias de média complexidade de traumato-ortopedia. Os pacientes que forem agora triados e destinados a cirurgia aqui no Regional já irão fazer exames de imagem novos. Se for necessário, eles saem daqui para uma consulta pré-anestésica, que pode ocorrer nessa semana ou, no máximo, na semana que vem.

Conforme Menegola, a previsão é de que as cirurgias, que são de caráter eletivo, comecem no final do mês de maio.

CONTRATO

No dia 5 deste mês, a secretária estadual de Saúde (SES), Arita Bergmann participou de uma coletiva de imprensa em Santa Maria, para anunciar o inicio dos atendimentos nas áreas de traumatologia e ortopedia no Regional. O contrato, que prevê 40 cirurgias e 280 exames e consultas por mês, foi assinado por ela e o diretor presidente do Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia, Marne de Freitas Gomes, que gestiona a instituição.

Conforme a SES, no hospital, serão realizados todos os procedimentos da lista de média complexidade, incluindo, quando necessário, a utilização de órteses, próteses e materiais especiais. Os pacientes serão encaminhados para atendimento na instituição via Sistema Nacional de Regulação (SISReg) para consultas e exames e/ou pelo Sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares (Gerint), quando é necessário procedimento cirúrgico.

ATENDIMENTO DE TRAUMATO-ORTOPEDIA – HOSPITAL REGIONAL

Cirurgias – 40/mêsExames e consultas – 280/mêsProcedimentos – cirurgia do sistema osteomuscular, cintura escapular, membros superiores, coluna vertebral e caixa torácica, cintura pélvica, membros inferiores e gerais

Arianne Lima – [email protected]

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