Fotos: governo do Estado (Divulgação)
Diante da possibilidade de um novo episódio de El Niño, o governo do Rio Grande do Sul decidiu antecipar ações de monitoramento e articulação com municípios considerados mais vulneráveis a eventos climáticos extremos. O tema foi discutido em reunião realizada na quarta-feira (20) entre o governador Eduardo Leite (PSD) e integrantes da Defesa Civil Estadual.
Segundo o governo, os modelos meteorológicos mais recentes apontam um aquecimento acelerado das águas do Oceano Pacífico, elevando para 83% a probabilidade de formação de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses. Caso se confirme, o fenômeno pode atingir temperaturas entre 1,5°C e 2°C acima da média no Pacífico.
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Durante a reunião, Leite afirmou que o Estado já trabalha com a expectativa de um período de maior instabilidade climática, embora ressalte que ainda não seja possível prever a dimensão dos impactos.
– Não há dúvida de que enfrentaremos um período de maior instabilidade climática. Mas também não há dúvida de que o Estado está mais preparado do que esteve no passado – declarou o governador.
Os dados apresentados pela meteorologista da Defesa Civil, Cátia Valente, mostram que a temperatura do Pacífico passou de -0,4°C no fim de 2025 para 0,5°C em maio deste ano, índice que já indica o início da formação do El Niño. Além do Pacífico, o aquecimento acima da média do Oceano Atlântico também preocupa os especialistas. Conforme a Defesa Civil, essa condição favorece a formação de frentes frias e ciclones extratropicais, fenômenos que podem intensificar os impactos climáticos no Rio Grande do Sul a partir do segundo semestre.
Apesar do cenário de alerta, a meteorologista ponderou que a ocorrência de um El Niño, isoladamente, não significa necessariamente a repetição de eventos extremos como os registrados nos últimos anos. Segundo ela, os impactos dependem da combinação com outros fatores atmosféricos, como bloqueios e frentes estacionárias, que ainda não podem ser previstos com grande antecedência.

Reuniões com prefeitos
Diante do prognóstico, o governador determinou à Defesa Civil o início, nas próximas semanas, de um fluxo que chamou de Governança Integrada de Proteção. A medida vai intensificar o diálogo com os municípios que, com base em histórico de eventos extremos e em análises técnicas de meteorologia, hidrologia e geologia, apresentam maior risco e vulnerabilidade – um conjunto de cerca de 60 cidades.
O marco inicial será uma reunião com os prefeitos nas próximas semanas, para compartilhar atualizações e diagnósticos personalizados sobre as áreas de maior risco em cada município. O objetivo é que os gestores, após o encontro, alinhem protocolos de preparação e acionem planos de contingência. O passo deverá ser a realização de seminários regionais, com participação do governador em cada um deles.
– Vamos manter toda a rede mobilizada para um monitoramento cada vez mais intenso da evolução das condições climáticas, buscando garantir que todas as medidas de precaução sejam adotadas. O compromisso do Estado é permanecer atento, vigilante e preparado para proteger os gaúchos – acrescentou o governador.
Preparação do Estado
O governo afirma ter ampliado a estrutura de prevenção e resposta a desastres climáticos diante da possibilidade de um novo episódio de El Niño nos próximos meses. Entre as medidas anunciadas estão a expansão do efetivo técnico da Defesa Civil, a instalação de novos radares meteorológicos e investimentos em equipamentos para as forças de segurança.
Segundo o Estado, o número de técnicos da Defesa Civil foi multiplicado por quatro desde as enchentes que atingiram o território gaúcho em 2024. Um radar meteorológico já está em operação em Porto Alegre, enquanto outros três equipamentos foram contratados e devem começar a funcionar nos próximos meses.
O governo estadual também destacou a elaboração de planos de contingência em todos os municípios gaúchos. De acordo com o Executivo, as cidades agora contam com protocolos de atuação e orientações à população para situações de risco climático.
Ao comentar o cenário climático, o governador Eduardo Leite afirmou que, apesar de ainda não ser possível prever os impactos de um eventual El Niño, o Estado manterá o monitoramento contínuo:
– Todas as ações serão adotadas, mesmo que eventos extremos não se confirmem.
*Com informações do governo do Estado
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