Foto: Arquivo pessoal
A campanha prevê a presença de alunos e professores no Lar das Vovozinhas, com atividades de extensão diretamente com as idosas.
Dois anos após as chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul, a Universidade Luterana Brasileira (Ulbra) inicia o Maio Solidário: uma campanha nacional que convida alunos, professores e a comunidade a transformar a memória do trauma em gesto concreto de ajuda. Em Santa Maria, o projeto abraçou o Lar das Vovozinhas, considerado um dos maiores asilos do Brasil. A Instituição é referência no amparo assistencial a idosas de Santa Maria e região.
A campanha foi lançada oficialmente no dia 7 de maio, na sede da Ulbra Santa Maria, na rua Duque de Caxias, com a presença de representantes da universidade e da diretoria do Lar. O momento serviu para que estudantes e professores conhecessem de perto a realidade da instituição, desde as necessidades das idosas acamadas até a possibilidade de destinar parte do imposto de renda ao lar.
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O símbolo que ficou
A origem do Maio Solidário remete ao campus da Ulbra em Canoas, uma das principais regiões do estado atingidas pelas enchentes de 2024. Na época, o campus serviu de abrigo para centenas de desabrigados, e foi na cidade que surgiu um dos maiores símbolos da tragédia: o Cavalo Caramelo, resgatado de um telhado de uma casa inundada. Hoje, o animal vive nas dependências da Ulbra Canoas e tem perfil oficial no Instagram, com milhares de seguidores.
Em Santa Maria, a escolha do Lar das Vovozinhas não foi por acaso. A ideia da campanha tem como lema: “Educar para servir. Servir para transformar". Segundo a coordenadora do curso de Fisioterapia da Ulbra, Janice Soares, a iniciativa busca conscientizar sobre ações de solidariedade em desastres climáticos.
– Não diria que estamos comemorando os dois anos das enchentes, porque não se comemora uma tragédia. Estamos fazendo uma lembrança, e que essa lembrança seja agora algo positivo de solidariedade – conta.
As atividades no Lar
Os cursos de Fisioterapia e Psicologia realizam atividades de extensão diretamente com as idosas do Lar das Vovozinhas, com sessões de movimento, dança, lazer e acolhimento. São esses momentos que a coordenadora do curso descreve como fundamentais tanto para as residentes quanto para a formação dos estudantes.
– Vamos lá com os alunos como atividade de extensão para proporcionarmos atividades para tornar a vida delas mais doce como elas são. É tão bonito fazer atividades lá, elas ficam muito felizes – relata Janice.
A professora também destaca que o contato com idosos faz parte da grade do curso. Os alunos aprendem desde cedo a respeitar as particularidades do corpo envelhecido, como o toque, o afeto, a escuta, e levam esse olhar para as visitas ao lar.
– Nós já atendemos um senhor de 90 anos, e eu disse: minhas alunas vão aprender muito mais com o senhor do que o senhor com os exercícios. Isso é importante, elas vão ter um aprendizado de afeto, de vida muito maior – menciona.
Para a aluna de fisioterapia, Emily Santos, que já participou de visitas anteriores ao lar, a experiência vai além da prática clínica.
– A gente consegue não só trazer essa parte mais da empatia, do acolhimento, criar vínculos, mas também profissionalmente é muito gratificante ver elas felizes. Comecei com uma paixão e agora já é um amor incondicional – desabafa.
Além das mais de 120 residentes, o lar mantém idosas acamadas em enfermaria, o que exige materiais específicos, cuidado especializado e uma demanda contínua de suprimentos. Entre as necessidades destacadas estão fraldas, leite zero lactose (item mais caro e muito demandado) e roupas de inverno. A comunicação da ULBRA também lembra que é possível destinar parte do imposto de renda diretamente ao lar, de forma legal e simplificada.
O que doar:
- Alimentos não perecíveis
- Leite zero lactose
- Roupas femininas de inverno
- Bonecas e brinquedos
- Maquiagens e acessórios
- Doações em dinheiro ou destinação de impostos
O ponto de doação é na sede da Ulbra Santa Maria, no Espaço Alexandre Cortez, Rua Duque de Caxias, 2.319.