Equipe com estudantes da UFSM conquista o primeiro lugar em campeonato nacional de robótica

Rebeca Kroll

Equipe com estudantes da UFSM conquista o primeiro lugar em campeonato nacional de robótica
Fotos: Christi Amorim/ Divulgação

O projeto Brazilian United Team for Intelligent Automation (Butia Bots) saiu vitorioso da 20° edição da Competição Brasileira de Robótica (CBR), realizada em São Bernardo do Campo (SP), entre os dias 17 e 22 de outubro. A equipe, composta por acadêmicos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), conquistou o primeiro lugar na categoria @home de robótica doméstica.

A CBR é a maior competição universitária de robótica do Brasil e é composta por 16 categorias, nas quais robôs autônomos devem desempenhar tarefas cotidianas corretamente, sem que haja intervenção humana. Na categoria disputada pelo Butia Bots, os robôs precisam ter inteligência de serviço, para realizarem ações dentro de uma casa simulada, com o intuito de estimular o desenvolvimento de tecnologias domésticas pessoais para o futuro.

A equipe gaúcha é formada por 15 alunos da FURG e quatro da UFSM que auxiliaram remotamente durante a competição. Para o estudante de Engenharia de Controle e Automação da UFSM, Alisson Henrique Kolling, 25 anos, a vitória foi uma conquista importante, pois eles conseguiram vencer da Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros (FEI), que competia “em casa” e é a atual campeã mundial.

– O resultado foi muito bom, foi muito importante conseguir ganhar da FEI ainda mais com uma margem de pontos bastante grande, foram 1300 pontos na frente deles. A gente já vinha tentando há vários anos alcançar eles e acabava ficando pra trás por pouco. Foram vários terceiros e segundos lugares, mas dessa vez foi o conseguimos o primeiro – celebra Alisson.

Robô Doris

O robô Dóris leva o lixo para colocar na lixeira

Para o campeonato os estudantes levaram a Doris, um robô que possui “rosto” com sensores e motores capaz de produzir expressões faciais. Ela também tem câmeras, rodas para locomoção, torso e braços, sistema de navegação e computadores responsáveis pelo processamento de dados.

– O nosso forte na Doris é o seu braço. Ele é todo modelado, articulado e consegue pegar coisas e aguentar mais de 500 gramas. Ele é uma grande vantagem, pois a maioria das equipes que possuem robôs com braços só aguentam até 100 gramas –explica o professor Rodrigo Guerra, docente do Centro de Ciências da Computação da Furg e um dos coordenadores do projeto.

Além disso a Doris não tem uma voz padrão, a voz dela foi curada para combinar com a sua personalidade. Portanto o robô possui uma voz única e personalizada. Ela também é capaz de reconhecer comandos de voz, enxergar em 3D e reconhecer objetos.

Na prova final a Doris teve o desafio de auxiliar em casos de acidentes doméstico. No cenário um estudante estava doente com dor de barriga e acionou o robô em busca de ajuda. A Doris se deslocou até o indivíduo, entendeu o problema, contatou um médico e buscou medicamentos na porta da casa. O vídeo da final pode ser conferido no Youtube.

Uma história de sucesso

Em 2018, Rodrigo em conjunto com outros professores realizou a primeira Semana da Robótica com o intuito de promover o conhecimento e montar uma equipe de robótica do Rio Grande do Sul. Desse modo surgiu a Butia Bots que uniu as tecnologias da Furg e da UFSM para criar a Doris.

Durante a pandemia a robótica migrou para o mundo das simulações e foi isso que alavancou a equipe. Muitas equipes tradicionais estavam acostumadas a trabalhar com um robô real, mas a equipe gaúcha possuía apenas um robô recém montado e por isso conseguiu se adaptar bem à simulação.

– Em 2021 nós conseguimos o segundo lugar no campeonato brasileiro de robótica na categoria de simulação, ficando somente atrás da USP. Agora em 2022, os alunos trabalharam muito para voltar ao laboratório e para nossa surpresa, todos os conhecimentos que adquirimos e usamos na simulação conseguimos aplicar no robô real. Dessa forma, os alunos conseguiram se classificar para o campeonato mundial na Tailândia – destaca o coordenador.

Em julho deste ano, a Butia Bots participou da RoboCup, torneio mundial de robótica, na qual o terceiro lugar foi conquistado, também na categoria @home. Para Rodrigo isso prova que no Brasil é feito tecnologia de alta qualidade e que os estudantes do país tem muito potencial.

– O que falta são políticas públicas, investimento e oportunidade porque nós já temos o talento. Por exemplo, no mundial nós ganhamos do time do Japão, um país que é referência em tecnologia e é muito significativo isso. A robótica é uma forma da gente tentar construir um futuro diferente pro nosso país e buscar um Brasil onde o jovem possa criar e usar a criatividade dele – afirma o professor.

O coordenador conta ainda que o projeto já começou a se preparar para a RoboCup de 2023, que vai acontecer na França. Dessa vez, o preparo precisará ser intenso, porque os oponentes estarão mais fortes, diferentemente da edição de 2022, em que muitas equipes estavam desfalcadas por causa da pandemia de Covid-19. Nesse sentido, a ideia é construir um segundo robô para a competição e levar ao menos oito membros da Butia Bots para a Europa. 

– A competição de robôs é um tipo de esporte que não é valorizado no Brasil. A robótica tem uma competição incrível, as pessoas vibram e torcem pelos robôs e é importante a sociedade ampliar a sua percepção para essas novas modalidades e buscarem conhecer mais sobre isso. É muito interessante explorar esse mundo que é muito rico – relata Rodrigo.   

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