“E o futuro?”: com investimento de R$ 100 milhões, Estado aposta na juventude para reconstrução pós-enchentes

“E o futuro?”: com investimento de R$ 100 milhões, Estado aposta na juventude para reconstrução pós-enchentes

Foto: Vitor Zuccolo

Pensar no futuro. Esse é o mantra de diversos adultos, principalmente depois das enchentes de 2024 que afetaram o Rio Grande do Sul. Dúvidas sobre como seguir a vida, como reconstruir tudo que foi perdido, surgem a todo instante. Todos foram afetados de alguma forma com a maior tragédia climática que atingiu o Estado.

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Para os jovens, “Pensar no futuro” se tornou um questionamento: e o futuro? Após os acontecimentos de 2024, muitas crianças e adolescentes tiveram que mudar suas rotinas.

Como forma de auxiliar essas pessoas que tentam retomar sua rotina, o governo do Estado lançou, nesta quinta-feira (19), a segunda edição do programa Partiu Futuro Reconstrução, em Santa Maria e com a participação de jovens de outras 16 cidades do Estado.

Ao todo, o programa oferece 2.785 vagas e tem o objetivo de ampliar oportunidades de qualificação e inserção produtiva para jovens em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa é realizada pela Secretaria de Desenvolvimento em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee-RS).

Esses jovens recebem a oportunidade da primeira carteira de trabalho assinada, mas também um acompanhamento completo, com formação e suporte em várias áreas - afirmou o secretário de Desenvolvimento Social, Beto Fantinel.

Secterário Beto Fantinel esteve presente na cerminônia

O investimento estadual gira em torno de R$ 100 milhões para contratação de milhares de jovens ao longo de 12 meses. Mas, para além do valor financeiro, o foco está no impacto social. Fantinel trouxe um dado que ajuda a dimensionar o desafio: jovens das camadas mais pobres podem levar até nove gerações para alcançar a renda média do país.

— Nós queremos mudar essa lógica. Queremos romper esse ciclo e o programa é um ponto de partida para que isso aconteça - pontuou Fantinel antes do início do evento.

No salão do Park Hotel Morotin, local da cerimônia, cada cadeira ocupada carregava mais do que um corpo presente. Carregava histórias interrompidas, recomeços silenciosos e a insistência de quem decidiu seguir, mesmo quando o mundo pareceu parar. No meio de tudo, jovens decididos a não ficar para trás.

A abertura do evento contou com uma peça teatral, retratando as dúvidas e dificuldades do jovem em se inserir no mercado de trabalho. O evento contou com a apresentação do Influenciador digital Alisson Espíndola, conhecido também como “cacetinho do RS”. 

Em meio às falas institucionais e apresentações culturais, o que mais se destacava era o encontro entre jovens. Olhares curiosos. Conversas que começavam tímidas e ganhavam força. Sorrisos que surgiam aos poucos.

Nesta edição, são cerca de 340 jovens contemplados, sendo 150 de Santa Maria. Os demais representam diversos municípios da Região Central. O programa oferece não apenas inserção no mercado de trabalho como jovem aprendiz, mas um acompanhamento completo, carteira assinada, formação continuada e apoio psicológico.

Juventude que aprende e recomeça
Entre os rostos atentos à programação, Vitória Rodrigues da Silva, 17 anos, representa a coragem de quem muda de rota para encontrar oportunidade.

Vitória Rodrigues da Silva, 17 anos, diz que o programa irá beneficia muito no seu dia a dia


Ela deixou Passo Fundo, ouviu o incentivo da família e decidiu recomeçar em Agudo, onde tem familiares. Hoje, vive uma rotina intensa: trabalha pela manhã na assistência social da cidade e estuda à tarde, na Escola Municipal Três de Maio.

Não basta ficar esperando, a pessoa tem que querer. Se tu quer, tu vai conseguir. Eu penso que o programa é muito bom para mim, eu vou ter o meu dinheiro, eu vou ter o meu serviço e eu vou poder estudar ao mesmo tempo - disse, com a naturalidade de quem já compreendeu o valor da disciplina.

Ao lado dela, histórias mais silenciosas também ganham forma. Como a de Ramone Beatriz Platti, 15 anos, estudante da Escola Estadual de Educação Básica Professor Willy, também de Agudo, que chegou até ali por meio de uma mensagem da tia.

Minha tia me mandou mensagem falando do programa, ai eu resolvi me inscrever. Vi que poucas pessoas próximas estavam se inscrevendo, então acabei conseguindo. É uma experiência nova. Eu estou bem contente com isso e com boas perspectivas para o futuro - contou.

A estudante Ramone Beatriz, 15 anos, disse que recebeu uma mensagem da tia falando da oportunidade

Se para alguns o programa representa estabilidade, para outros é impulso. É o caso de Camila Niemeyer, 18 anos, que já trabalha na prefeitura de sua cidade e enxerga no projeto um trampolim.

— Eu quero alcançar o mundo afora e acredito que o programa possa me ajudar com isso. Já tenho uma certa experiência, pois trabalho na prefeitura e também já tenho um técnico em administrativo. Foi tudo muito rápido. após a inscrição, alguns dias depois recebi a mensagem no meu WhatsApp falando que tinha conseguido a vaga - relembrou.

Camila Niemeyer, 18 anos, vê com bons olhos a participação no programa

Nos bastidores, o funcionamento do programa revela uma complexa rede de articulação. Segundo Dareny Ribeiro, gerente do Ciee de Santa Maria, a iniciativa envolve dezenas de municípios e exige uma construção coletiva. Somente em Santa Maria, são cerca de 150 jovens contemplados. Cada um com uma história distinta, mas com o mesmo ponto em comum: a busca por oportunidade.

— É um momento de celebração. Esses jovens conquistaram uma vaga em um programa extremamente importante para a reconstrução do nosso Estado. Nesta edição nós tivemos  uma ampliação das vagas e com realmente perspectivas futuras de que venham a ter outros momentos. É um programa onde o Estado está abrindo oportunidades para que esses jovens sejam aprendizes - destacou.

A seleção priorizou jovens inscritos no CadÚnico e, especialmente, aqueles atingidos pelas enchentes. Uma escolha que reforça o caráter social do programa, voltado a quem mais precisa.


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