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Ivan Henrique Vey, 56 anos, nasceu em São Pedro do Sul. Ele é filho de Henrique Adolfo Vey, agricultor e pedreiro, e Cilita Junges Vey, já falecidos. Do relacionamento com a esposa Luciana Weissheimer Vey, 51 anos, teve um casal de filhos, Flávia, 26, e Arthur, 12. Aos dois anos, seus pais se mudaram para Santa Maria devido ao êxodo rural e em busca de melhores condições de vida. Na Cidade Universitária, começou a trabalhar ainda na adolescência em um escritório. Depois, foi aluno do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), no Regimento Mallet, o que fez dele tenente temporário. Neste período, se formou em Ciências Contábeis pela UFSM. Possui mestrado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorado em Engenharia de Produção pela mesma instituição. Está há 26 anos na UFSM, desde a aprovação como professor substituto. Atualmente é o auditor-chefe da instituição.
Diário - Como foi sua infância e adolescência ?
Ivan Henrique Vey- Venho de família humilde. Chegamos em Santa Maria quando eu ainda era criança. Meu pai era pedreiro e minha mãe cuidava da casa. Éramos quatro irmãos. Aprendi com meu pai a importância da honestidade e do trabalho. Na adolescência, trabalhava em um escritório de dia e, à noite, estudava. Só a educação poderia transformar minha vida e eu não poderia desperdiçá-la. Então, me interessei pela contabilidade.
Diário - O senhor teve uma passagem pelo Exército?
Vey - Ingressei como aluno do NPOR no Regimento Mallet em 1983. Consegui ser aprovado e convocado para servir como oficial temporário. Inicialmente, fui servir no 27º G.A.C. em Ijuí, depois, fui transferido para o Regimento Mallet, onde encerrei meu ciclo. Minha arma era Artilharia. As operações exigiam muitos cálculos topográficos devido à necessidade de precisão nos tiros. Sou muito grato ao Exército pela oportunidade de servir como oficial. Fiz muitos amigos, reforcei valores como respeito, hierarquia, disciplina, comprometimento e ética. Por não ser militar de carreira, fiz um projeto pessoal. Sabia que precisava me preparar para o futuro, que aquilo era temporário.
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Diário - E na UFSM?
Vey - Em 1995, abriu seleção para professor substituto em que tive a felicidade de ser aprovado. No ano seguinte, tornei-me professor efetivo. Lecionei nos cursos de Ciências Contábeis, Administração, Economia e no extinto Cooperativismo. Dei aulas no Programa de Pós-Graduação em Gestão de Organizações Públicas e no curso de especialização em Controladoria. Tive experiências como chefe do Departamento de Ciências Contábeis, membro de conselhos, comissões. Coordenei projetos e orientei alunos na graduação na pós-graduação. Em 2018, fui indicado para ser o auditor-chefe da UFSM e, pela natureza do cargo, estou afastado das salas de aula.
Diário - Qual o seu trabalho na auditoria?
Vey - A Auditoria Interna da UFSM (Audin) é um órgão de controle interno vinculado ao Conselho Universitário. Trata-se de uma atividade independente e objetiva de avaliação e consultoria, desenhada para melhorar as operações. Tenho focado meu trabalho na prevenção aos riscos, por meio de palestras, cursos e reuniões com os gestores e comunidade acadêmica. Procuramos difundir os conceitos de governança, gestão de riscos e controles. Trabalhamos para avaliar e aprimorar os controles internos da organização. Todo o nosso trabalho é norteado pelo Plano Anual de Auditoria Interna (Paint), o qual passa pela aprovação da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Conselho Universitário. Atualmente conto com cinco auditores, os quais estão em constante atualização e que me dão suporte.
Diário - O que faz nas horas livres?
Vey - Gosto muito de pescar com meu filho. Pratico corrida e jogo no futebol. Sou atleta do Montese E. C., com o qual fui campeão da cidade em mais de uma ocasião, e estadual na categoria 50 anos, em torneio promovido pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF).
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Diário - Qual momento da academia é inesquecível?
Vey - Um deles foi em 2011, ano que defendi minha tese de doutorado na área de logística, utilizando a Teoria de Resposta ao Item (TRI) como ferramenta de medição de desempenho, a mesma técnica estatística usada na correção das provas do Enem. Fui escolhido Pesquisador em Logística naquele ano.
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Diário - Como avalia a pesquisa atualmente?
Vey- Vivemos uma situação de obscurantismo e negacionismo em relação à ciência e à pesquisa. A redução de recursos para ensino, pesquisa e extensão me preocupa. A pandemia da Covid-19 mostra a importância das instituições públicas. Educação, ciência e pesquisa não são gastos. Isso é investimento.
Diário - O senhor fez parte da pesquisa realizada pelo Husm e a Oxford.
Vey - Fiz questão de ser voluntário. Como pesquisador, acredito na ciência e na pesquisa. Já recebi o resultado do descegamento do estudo, fiz parte do grupo de controle e fui vacinado. Em março, receberei a segunda dose e serei acompanhado por um ano.
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Diário - E quanto ao desenvolvimento da cidade?
Vey - Santa Maria gera conhecimento e forma talentos, mas é preciso reter tudo isso. A UFSM tem contribuído através da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia (Agittec), da Incubadora Tecnológica (ITSM) e com diversos projetos de pesquisa. É necessário avançar, unir prefeitura, entidades de classes, empresas e universidades em um grande projeto de desenvolvimento. Santa Maria tem plenas condições de ser um parque tecnológico, referência para todo o Brasil.
*Colaborou Gabriel Marques