Em consulta aos preços dos combustíveis, na segunda-feira (18), a reportagem do Diário encontrou o litro de gasolina mais barato em Santa Maria sendo vendido a R$ 5,64. O valor é R$ 1,12 menor que em 20 de junho, quando o preço era R$ 6,76 no local mais em conta. No total, entre os menores preços, a queda é de praticamente 17%.
A recente queda no combustível surpreende alguns motoristas que evitavam utilizar o carro, justamente para evitar os altos custos da gasolina.
– Eu não sabia que tinha baixado o preço. Geralmente faço tudo a pé, não costumo usar o carro, justamente por causa do preço da gasolina. Só em situações extremas. Então nem acabo notando essa diferença – confessa Milena Anchietta, 30 anos, que atua como tosadora de animais domésticos.
Milena Anchietta se surpreendeu com a queda nos preços do combustível, por evitar utilizar o carro devido o alto custo da gasolina
É possível encontrar números ainda mais em conta em Santa Maria, se pesquisados no aplicativo Menor Preço, da Nota Fiscal Gaúcha. No entanto, esses preços são exclusivos para motoristas de táxi, aplicativo e mototáxi.
Alguns gerentes de postos afirmam que em alguns locais, a cada 10 abastecimentos, oito são da categoria que dependem da gasolina para o trabalho diário. Por isso, antes de se deslocar para abastecer, é preciso conferir se o preço que aparece no aplicativo que compara os valores, não é oferecido para uma categoria de forma exclusiva.
– Temos um preço diferenciado por causa do gasto. Como o pessoal roda mais diariamente, a gente tem uma diferença de preço. Acaba sendo bom para os dois lados. Pelo giro do combustível – descreve Joan Valter Glória, funcionário de posto de combustível. No estabelecimento, nesta segunda, a gasolina comum era vendida para a R$ 5,55 para profissionais do setor de transporte, enquanto para o consumidor comum, estava a R$ 5,72.
Alguns postos fazem descontos especiais para taxistas, motoristas de aplicativo e mototaxistas
Conforme o motorista de aplicativo Joceli Scremin, 41 anos, a diferença de preço ajuda, mas ainda está longe de a categoria recuperar os prejuízos alcançados com a elevação da gasolina nos últimos anos.
– Hoje em dia tem que fazer 40 corridas, antigamente se fazia 20, para ganhar a mesma coisa, ou seja, hoje em dia se trabalha o dobro pra ganhar a mesma coisa que ganhava um tempo atrás. Isso tudo por causa do preço da gasolina, que subiu muito. Para nós é horrível. A gente depende da gasolina. Se não trabalhar 12 horas por dia, de segunda a segunda, não resolve. Ainda bem que tem esse desconto, isso ajuda de alguma forma – diz Scremin.
A queda nos preços é devido à redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis para, no máximo, 17%. No Rio Grande do Sul era cobrado 25% até a lei federal, sancionada no início de julho, que limita a alíquota do imposto sobre produtos e serviços considerados essenciais em todos os Estados.
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Comparação
O que chama atenção de quem costuma viajar, é que tradicionalmente os preços na região central do Estado são mais elevados que na capital gaúcha. No entanto, neste momento, o menor preço encontrado em Santa Maria é exatamente o mesmo de Porto Alegre. Mas a variação de preço é menor na Região Metropolitana. Enquanto aqui os preços giram entre R$ 5,64 e R$ 6,49, dependendo da forma de pagamento, na Grande Porto Alegre os valores oscilam entre R$ 5,64 e R$ 5,96.
– Está melhorando, eu diria. Eu uso para viajar. Baixou um pouco, mas poderia estar mais baixo. Em outros Estados é mais em conta. Mas comparado com o que estava antes, está melhorando – afirma o assessor de investimentos Martin Vargas, 25 anos.
Enquanto aqui os preços giram entre R$ 5,64 e R$ 6,49, na Grande Porto Alegre os valores oscilam entre R$ 5,64 e R$ 5,96.
O diesel não acompanhou a redução da gasolina
O diesel até sofreu redução de preço nos primeiros dias, porém de apenas 4% no mesmo período. De R$ 7,30 para R$ 6,99. Segundo o economista Alexandre Reis, o motivo de o produto estar praticamente estagnado ainda é resultado dos efeitos da pandemia:
– O fator principal ainda é a pandemia. Teremos uma oscilação ainda no segundo semestre. Os preços devem acomodar só no primeiro semestre de 2023. Temos vários fatores que afetam diretamente ou indiretamente. As linhas de produção do petróleo e nas refinarias, na pandemia, sofreram muito desgaste no aumento de custo. Seja pelas interrupções, como medidas de saúde. Seja pelas alterações dos preços e aditivos que estão inseridos.
.O Diesel até sofreu redução de preço, porém de apenas 4%. De R$ 7,30 para R$ 6,99.
Em junho, a Petrobras indicou que o preço do diesel continuará a subir, dois dias após o pacote do governo de redução do ICMS. O atual cenário mundial é de escassez e, como o Brasil é deficitário em produção de óleo diesel, o resultado será impacto nos preços e no suprimento.