Conforme a delegada, as investigações começaram a cerca de sete meses por meio de um requerimento do Ministério Público, após um apenado relatar o esquema de entrega de celulares para detentos.
– A partir disso, então, o promotor teve conhecimento e comunicou a polícia e nós começamos a investigação e se constatou realmente. No decorrer do inquérito nós também acabamos descobrindo, através da produção de prova, que havia, além da corrupção ativa e da associação criminosa, a exploração de prestígio e prevaricação. Então, esse inquérito ele versa sobre todos esses crimes – relatou a delegada.
A policial ainda explicou que o agente penal que foi preso preventivamente fazia parte do esquema de ingresso de celulares, chips e outros objetos proibidos no presídio através de vantagem pecuniária. Ele permitia a entrada dos aparelhos por meio de familiares, sem fazer a revista.
– O outro agente que foi preso preventivamente, a investigação não era sobre isso. Era sobre o fato dele se utilizar, se valer da condição de agente penitenciário para tentar benesses e para tentar privilegiar alguns presos em detrimento a outros, isso é crime. Ele pessoalizou a possibilidade de um preso conseguir tornozeleira eletrônica. Isso é exploração de prestígio, [crime] que está previsto no código penal. Ou seja, ele [o preso] não teria direito a tornozeleira ou estaria numa fila e acabou tendo alguma vantagem para poder sair do presídio e ficar com a tornozeleira – explica
Ainda conforme explicou Carla Dolores, os agentes estavam demonstrando enriquecimento acima do salário, devido aos pagamentos feitos em troca dos benefícios dados aos apenados.
– Tinha uma casa muito acima do padrão, carros. Eles conseguiam disfarçar isso, mas olha, esse agente que foi preso preventivamente por fazer a parte do esquema, ostentava em redes sociais viagens para Europa – completou a delegada.
O caso
Operação Judas foi realizada pela Polícia Civil na namhã desta quinta-feira (19) em São Sepé. Fotos: Polícia Civil (Divulgação)
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos presos faziam parte de uma organização criminosa que realizava a entrada de aparelhos celular na casa prisional com auxílio dos agentes detidos. Além da facilitação da entrada dos telefones e acessórios, os agentes envolvidos no esquema se utilizavam da função pública para oportunizar regalias e tratamento diferenciado ao apenado, enquanto este encontrava-se detido, além de fornecer informações sobre ações de segurança e procedimentos sigilosos no presídio. A primeira fase da operação foi deflagrada no setembro de 2022, onde na época foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas celas da galeria onde o apenado envolvido no esquema era o chefe. Na ocasião cinco aparelhos celulares, 10 porções de drogas, além de objetos perfurantes artesanais foram encontrados.
Nove pessoas que teriam ligação com a organização criminosa já foram identificadas e indiciadas até o momento da operação que foi coordenada pela delegada Carla Dolores Castro de Almeida, titular da DP de São Sepé e contou com apoio das delegacias DPICOI, DPCA, DPHPP, 1ª DP e SIPAC da cidade de Santa Maria, além da Delegacia de Formigueiro e agentes da Corregedoria da Susepe.
Agentes penitenciários são presos por suspeita de facilitarem a entrega de celulares para detentos em potes de doce de figo e abóbora em São Sepé