‘Ninguém pode trabalhar’, diz comerciante sobre prédio interditado por queda de marquise

Arianne Lima

‘Ninguém pode trabalhar’, diz comerciante sobre prédio interditado por queda de marquise
Foto: Eduardo Ramos (Diário)

Desde a queda de uma das marquises do Edifício Ouro Preto no início de janeiro, o prédio localizado na Rua Alberto Pasqualini permanece interditado. Com o processo, que pode completar um mês na próxima terça-feira (14), lojistas e comerciantes seguem com as atividades suspensas no local.

Relatos

Dois dias antes da interdição do edifício em janeiro, o proprietário do Espaço Pé Calçados, Joel Francesquett, 54 anos, montava a loja que alugou no térreo e se preparava para a abertura. Em entrevista ao Diário, ele falou sobre a atual situação:

– Está tudo parado. Ninguém pode trabalhar nem seguir com as lojas. Tem consultórios e salas lá em cima. Está todo mundo sem poder trabalhar.

Três semanas depois, o comerciante ainda aguarda pelo desfecho do caso.

– As 40 salas comerciais estão fechadas. As lojas também estão fechadas. A princípio, no final de semana passado, estava tudo autorizado para tirar as marquises e a prefeitura não autorizou de novo. Acredito que estamos indo para uma segunda etapa, a partir dessa semana, na torcida que dê tudo certo para tirar as marquises neste final de semana, porque o trabalho só pode ser feito no final de semana – comenta.

No térreo do Edifício Ouro Preto, também está localizado o espaço católico Divino Amor. De acordo com a comerciante Giovana Baldissera, 49 anos, a loja havia completado dois meses de funcionamento na época da interdição.

– Agora, fecharia três meses, mas acabou sendo interditada. Tinha acabado de fazer dois meses que eu tinha colocado a loja ali no prédio. É bem complicado em todos os sentidos, porque, para começo de história, somos uma loja nova. Eu estava fazendo o nome dela – relata.

Giovana relata sobre os prejuízos financeiros e de imagem do estabelecimento, que mantinha uma boa clientela. Segundo ela, uma das possibilidades trabalhadas entre o responsável pelo edifício e a prefeitura seria a retiradas das marquises restantes:

– Todos os documentos foram entregues. E cada vez que era entregue, solicitavam um novo documento. Nunca era suficiente. A partir disso, entendeu-se que retirando as demais marquises que o prédio tem acabaria com este problema e poderíamos retornar. Foi isso que a prefeitura nos deu a entender. Então, fomos atrás de uma empresa que exerce essa atividade a mais tempo em Santa Maria, fizemos o projeto da retirada da marquise e foi entregue na prefeitura para que isso fosse feito no final de semana passado. Tudo que foi solicitado, foi entregue. Chegando lá, a prefeitura solicitou mais documentos. Essa semana estamos readequando este projeto com esses documentos e temos a esperança de que, para esse final de semana, a prefeitura aceite e sejam retiradas as demais marquises. Esperamos que, com isso, consigamos retornar.

Enquanto locatária, Giovana defende também o posicionamento de que o prédio não oferece risco à comunidade, descrevendo a queda da marquise como uma situação “provocada”.

– Essa obra não oferece risco nenhum ao prédio e as demais marquises não oferecem risco de queda. Estão tirando para evitar que as pessoas fiquem com receio de chegar ali no local. Então, para evitar qualquer outro problema, tirarão todas as marquises. Queremos deixar claro isso, porque ouvimos e vimos notícias sobre isso.

O Diário entrou em contato também com o síndico do Edifício Ouro Preto, José Godoy, que não quis se manifestar sobre o assunto.

O que diz a prefeitura?

Para a liberação de uso do imóvel, é necessário que o condomínio preencha e se adeque aos pré-requisitos de engenharia estrutural e de segurança do trabalho definidos em notificação. Atualmente, o prédio encontra-se em interdição, sendo necessário dois pontos, conforme o Executivo:

Atender às notificações da prefeitura quanto a segurança para realizar os serviços de demolição de marquise

Encaminhar os laudos conclusivos de estabilidade estrutural de modo que não pairem dúvidas quanto a estabilidade estrutural da marquise inferior que sofreu impacto, da laje superior que possui sobrecarga devido às paredes construídas e telhados com calhas clandestinamente, impermeabilizações das esquadrias e fachadas

A lista de documentos solicitados pode ser encontrada aqui, junto com o status atual de cada solicitação. Em nota emitida na tarde desta quarta-feira (8), a prefeitura pontuou sobre a colocação de vigas de sustentação na marquise térrea do prédio. A ação ocorreu na manhã de terça-feira (7): “Dentro da sequência executiva com plano de ocupação do Edifício Ouro Preto, existe o Plano de Ação em que a atividade está prevista para acesso temporário. Esta atividade está sendo acompanhada por profissionais técnicos de engenharia de segurança do trabalho e estrutural”.

Atualmente, a situação do Edifício Ouro Preto é monitorada pela Secretaria de Município de Elaboração de Projetos e Captação de Recursos (Secap), Secretaria de Licenciamento e Desburocratização (Seld), Casa Civil, Gabinete do Prefeito, Procuradoria Jurídica e Defesa Civil.

A possibilidade de que o processo seja encerrado ainda no mês de fevereiro também foi questionada ao Executivo, que afirmou que a “pergunta tem que ser feita ao condomínio e não ao município, que responde todas as demandas em menos de 24 horas, regime de plantão permanente desde que o fato ocorreu, tendo em vista a necessidade e segurança das pessoas, depende única e exclusivamente do condomínio de contratar empresas que tenham as condições de atendimento à legislação vigente para trabalhos em altura”.

Foto: Eduardo Ramos (arquivo/Diário)

Entenda o caso

No dia 14 de janeiro, a prefeitura bloqueou o trânsito na Rua Alberto Pasqualini, entre a Rua Floriano Peixoto e o Largo da Rua 24h, no Bairro Centro. O motivo era a possibilidade de queda de uma das marquises do Edifício Ouro Preto. O local estava interditado desde o período da tarde. Por volta das 20h35min, a estrutura desabou. Contudo, como o local estava bloqueado, ninguém se feriu.

Na época, o Executivo Municipal trabalhava com a hipótese de que uma obra irregular teria provocado a queda da marquise. Dois dias depois do ocorrido, foi entregue um parecer técnico sobre a situação do prédio para o responsável pelo condomínio, elencando os reparos necessários para a liberação do prédio e retorno das atividades no local.

Leia todas as notícias

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Quem são os 12 bolsonaristas de Santa Maria presos pelos atos golpistas e mais 5 notícias para você ficar sabendo Anterior

Quem são os 12 bolsonaristas de Santa Maria presos pelos atos golpistas e mais 5 notícias para você ficar sabendo

Instagram cai e zera alcance de publicações nesta quarta-feira Próximo

Instagram cai e zera alcance de publicações nesta quarta-feira

Geral