25 de dezembro

Como 4 famílias celebraram a tarde de Natal em Santa Maria

Pâmela Rubin Matge

Foto: Gabriel Haesbaert (Diário) / Famílias celebram a tarde de Natal

Comer, rezar e amar seriam uma feliz coincidência com best-seller homônimo da romancista americana Elizabeth Gilbert. Mas, a noite Natal do catador de materiais recicláveis Anselmo de Freitas da Rosa, 29 anos, chegou acompanhado por outro verbo: chorar. Junto da companheira Andriele Vicente, 26 anos, e das quatro filhas: Kauanne, 10; Dieniffer, 7; Kamile, 4 e Hemily, 3 anos, Anselmo chorou de tristeza e saudade. Só não chorou de fome porque uma senhora deu carne à família e a cartinha de Natal, que Andriele escreveu foi apadrinhada e garantiu um botijão de gás. Na tarde seguinte, Anselmo chorou de gratidão. E, em frente a bíblia aberta em cima de uma caixa de papelão, rezou antes de comer junto de quem mais ama em um casebre de madeira de um só cômodo, no Núcleo Central, no Bairro Nova Santa Marta. 

- Ontem (domingo) eu chorei porque ninguém apareceu aqui. Só meu pai veio me dar um abraço. A minha família é assim... mas, pelo menos passei com minhas filhas que são tudo o que tenho de melhor. Era para ser um dia igual aos outros, mas hoje, fizemos uma carninha no fogo e agora estamos vendo um filme. Rezei para agradecer a comida e a saúde deste Natal - resumiu o catador.

Histórias de natal reveladas por 7 guirlandas

Anselmo ainda espera por uma indenização depois de uma acidente que sofreu ao cortar a ponta dos dedos de uma mão quando trabalhava como serviços gerais, mas a empresa que o empregava ainda não o pagou. A família sobrevive com R$ 156 do Bolsa-Família, programa do governo federal, e do que ele recolhe pela rua. No sábado que antecedeu o Natal, a chuva levou parte do teto de madeira e lona que cobria a casa.  

Na tarde desta segunda-feira, a solidariedade de desconhecidos e a resistência da família Rosa, sobrepunham-se à mazela humana: a família "celebrava o Natal" recém-alimentada e assistindo à televisão.

Veja como outras famílias de Santa Maria celebraram a tarde 25 de dezembro 

Há 21 anos, o melhor encontro está a 170 km

Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)Famílias celebram a tarde de Natal

Não tem o que convença a comerciária Dinara Feliciani Andrade, 49 anos, passar o Natal longe dos pais e irmãos. Ela, que já passou quase a metade da vida vivendo em São Gabriel, é em Santa Maria, cidade onde nasceu, que sente acolhida.

Há 21 anos, os cerca de 170 km percorridos sob sol ou chuva sempre justificam o melhor dos encontros que se dá no Bairro Perpétuo Socorro. O dia 25 é aproveitado ao máximo, seja na divisão do mate, na troca dos presentes e até mesmo em um cochilo, depois do almoço.

Escultura achada em Santa Maria volta para igreja nas Missões após 56 anos

A tarde do Natal dos Feliciani deste ano, foi reservada a uma roda de longas conversas embalada por um radinho a pilha:

 _ Tem quem coma, quem durma, quem não faça nada. Mas Natal é isso aqui: todos em família. Eles são a base de tudo, o nosso alicerce. É aqui que nos abraçamos, conversamos e trocamos confidências - contou Dinara.

Comemorar pela saúde

Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)/Famílias celebram a tarde de Natal

Não há crise econômica ou instabilidade política que preocupe a dona de casa Maria Martins da Silva, 74 anos, que qualquer risco à saúde de seus entes. Apesar de ela ter feito por uma cirurgia no pulmão, que exigiu cuidados, não há do reclamar. O ano de 2017 foi generoso com toda família. Na véspera do dia 25, não teve ceia, mas já passava das 15h dedta segunda-feira quando dona Maria, acompanhada dos filhos, netos e nora, ainda beliscavam o churrasco feito especialmente para aproveitar o dia de Natal. Há anos a família mora no Bairro João Goulart.

- Está todo mundo saudável, todo mundo bem. O importante é a nossa saúde, isso é o que mais vale na vida - salientou a dona de casa.

Dia de compartilhar, inclusive, o presente

Foto: (Gabriel Haesbaert/ Diário) /Famílias celebram a tarde de Natal

- Está aí o porquê resolvi comprar essa piscina. Era para fazer a alegria das crianças, mas, acabou sendo para todo mundo. Uns aproveitam dentro e outros na volta_ comemora a dona de casa Marli Soares de Souza, 57 anos.

Na casa da família Souza, no Bairro Carolina, é assim: só é Natal se tudo puder ser compartilhado: da cervejinha depois do almoço à piscina, um presente da avó para as netos.

A data é comemorada todos os anos, geralmente, no Coração do Rio Grande onde vivem os parentes e a maioria dos amigos.


Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Arquivo Central da prefeitura de Santa Maria acumula documentos Anterior

Arquivo Central da prefeitura de Santa Maria acumula documentos

Museu de Arte de Santa Maria planeja diversas atividades para 2018 Próximo

Museu de Arte de Santa Maria planeja diversas atividades para 2018

Diário de Santa Maria