Tabagismo no idoso

Jose Carlos Campos Velho

“Ah, já que fumou a vida inteira, agora não adianta mais parar. É melhor fumar à vontade, até morrer.” Errado. Devemos dirigir nossos esforços para que, mesmo pessoas já bastante idosas, que continuam a fumar, abandonem o hábito. O cigarro é o maior fator de risco evitável para uma série de doenças – e este fato já não é novidade para ninguém. Qual a razão pela qual as pessoas continuam fumando?

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O tabagismo deve ser visto como uma doença, representada pela dependência à nicotina, que torna o hábito de fumar não uma decisão da pessoa ou uma falta de vontade de se modificar, mas o mecanismo de uma doença caracterizada pela dependência a uma substância, que interfere na capacidade da pessoa tomar a decisão mais saudável e acertada para ela. Por isso é tão difícil parar de fumar. Não podemos fazer comparações entre dependências, porque cada pessoa que é vítima de uma dependência, enfrenta suas dificuldades, mas sabe-se que o tabagismo está entre os hábitos mais difíceis de serem enfrentados.

Quando falamos de pessoas idosas, seu abandono de se torna exponencialmente mais difícil, pois quanto maior o tempo de dependência, mais difícil se torna a parada do hábito de fumar. O tempo de dependência e a carga tabágica (a quantidade de cigarros que a pessoa fuma por dia ao longo do tempo) são fatores complicadores para a cessação do tabagismo. Quanto mais tempo, mais difícil se torna parar de fumar.

Aumento dos riscos

O cigarro aumenta o risco de doenças cardiovasculares e respiratórias, estando relacionado à gênese de vários tipos de cânceres, como de pulmão, bexiga, mama e esôfago. Portanto, a cessação do tabagismo reduz a incidência de várias doenças, que estão entre as principais causas de morbimortalidade na sociedade contemporânea e todos os esforços devem ser feitos para auxiliar a pessoa que opta por parar de fumar. A cessação do tabagismo é um esforço multimodal. Implica em legislações restritivas, que já vem sido tomadas na sociedade brasileira, com êxito, há várias décadas. A restrição de locais onde é permitido fumar, as imagens aversivas expostas nos maços de cigarro, todas são atitudes importantes para contribuir com uma imagem negativa do tabaco.

O médico pode ajudar seu paciente a parar de fumar. Uma das primeiras coisas é questionar sobre o hábito de fumar em todos os encontros clínicos, e, uma vez se constatando sua persistência, sempre aconselhar o indivíduo sobre os malefícios do cigarro e, por outro lado, os benefícios que poderia obter se parasse de fumar. Em situações em que a pessoa já é portadora de problemas que são agravados pelo cigarro, como problemas coronários, eventos isquêmicos cardíacos ou neurológicos prévios, bronquite crônica ou enfisema, é ainda mais importante uma atitude assertiva, pois a cessação do tabagismo terá implicação direta na evolução destas doenças.

Existem medicamentos que podem auxiliar na parada do tabagismo. Terapêuticas de substituição como a nicotina transdérmica ou a goma de mascar podem reduzir a fissura ou manifestações de abstinência à nicotina. A Bupropiona é um antidepressivo que tem um efeito peculiar em fumantes, pois diminui a vontade de fumar. Estratégias como abordagens em grupos terapêuticos, associação à tomada de outros hábitos saudáveis, como mudança de hábitos alimentares e o início de uma atividade física regular, podem contribuir para o sucesso na cessação do tabagismo.

Lembrar que alguns gatilhos, como o café ou o consumo de bebidas alcóolicas, podem desencadear a vontade de fumar e talvez seja melhor evitá-los, pelo menos nos primeiros tempos de abstinência do cigarro.

Data marcada

Parece que, se você marcar uma data para parar de fumar e seguir um planejamento, também é uma estratégia que pode contribuir para o sucesso no seu plano de parar de fumar. Quem sabe este texto pode desencadear uma primeira ação neste plano, que pode fazer uma grande diferença na sua vida – desde as primeiras horas após a parada no cigarro – e você marca uma data para parar de fumar? O aniversário de nossa cidade é dia 17 de maio, não seria um momento oportuno? Boa sorte.

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