Em 2024, a CMPC anunciou o Projeto Natureza, que prevê um investimento estimado em até R$ 27 bilhões na construção de uma nova planta de celulose em Barra do Ribeiro. O empreendimento segue o modelo BAT (Best Available Technology), que busca incorporar os melhores equipamentos e inovações existentes no mundo para a composição de uma linha produtiva altamente sustentável e eficiente. Trata-se do maior aporte privado da história do Rio Grande do Sul. Todavia, em maio deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública para suspender o licenciamento do projeto. O MPF exige a realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas potencialmente afetadas pelo empreendimento, com base na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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Histórico de perdas de investimentos
O estado do Rio Grande do Sul tem um histórico preocupante de perdas de grandes investimentos por questões ambientais e burocráticas, que muitas vezes fogem de análises puramente técnicas. É inevitável lembrar do projeto da Stora Enso, que previa um investimento bilionário em nosso estado e acabou sendo cancelado no passado. Aquele episódio atrasou o crescimento do setor florestal gaúcho por anos e resultou na perda de aproximadamente R$ 15 bilhões em aportes que foram direcionados a outras regiões. Esse é um cenário que não podemos repetir se quisermos garantir o desenvolvimento econômico e social do nosso Estado.
Posicionamento da CMPC
Na semana passada, o diretor da companhia no Brasil, Antonio Lacerda, relatou que a empresa não tem “plano B” caso a liberação não aconteça, negando os rumores recentes de que a fábrica pudesse ser construída no Paraguai. A posição da empresa foi clara: “Nossa primeira, segunda e terceira opção é fazer o projeto no Rio Grande do Sul”. Dessa maneira, a companhia demonstra estar disposta a cumprir todas as exigências legais e ambientais, mas alerta que precisa de uma solução rápida. A empresa entende que até agosto essa situação precisa estar resolvida, sob pena de perder a janela de oportunidade de negócio para a execução da obra, prevista para iniciar operações em 2029.
Importância para o Estado
Se o Rio Grande do Sul realmente tem a ambição de ser um estado forte, com uma economia pujante que gere recursos para os seus cidadãos e, principalmente, empregos de qualidade, as dificuldades para a implementação de projetos dessa magnitude precisam ser superadas o mais rápido possível. Afinal, não se pode nem cogitar a perda de um investimento de R$ 27 bilhões vindo de uma empresa que já está consolidada no nosso Estado e possui um histórico de cumprimento das normas ambientais. O Projeto Natureza prevê não apenas a fábrica, mas também investimentos significativos em infraestrutura viária e portuária que beneficiarão toda a região.
O futuro
É de extrema importância que o Rio Grande do Sul não fique conhecido nacional e internacionalmente por afastar grandes investimentos. A economia gaúcha, que já enfrenta desafios climáticos e estruturais severos, precisa ser fomentada e apoiada em todas as suas esferas. Um projeto de silvicultura e inovação industrial desse tamanho pode atuar como um catalisador para que novas empresas venham para o nosso Estado, permitindo que possamos avançar cada vez mais nos próximos anos. Fortalecer a segurança jurídica para quem quer investir e produzir significa fortalecer um dos pilares da economia gaúcha. Ficaremos na torcida para que o bom senso e o desenvolvimento sustentável prevaleçam.