Foto: Divulgação
Quem poderia imaginar que, em plena Bolívia, a 2.187 km aqui de Santa Maria, o tradicional xis santa-mariense também faz sucesso. Se você duvida, procure no Google por Santa María Fast Food e verá que a rede de lancherias tem que 15 filiais em Santa Cruz de la Sierra, cidade mais populosa da Bolívia, com 2 milhões de habitantes. Sim, é isso mesmo! O nome é em homenagem a Santa Maria da Boca do Monte, e a bandeira da nossa cidade foi cravada lá por um santa-mariense raiz. Hoje, são vendidos de 1 mil a 2 mil xis santa-marienses por dia em Santa Cruz de la Sierra.
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Omar Bordin Schirmer, hoje com 60 anos, saiu de Santa Maria aos 24 anos em 1989, após perder o emprego no Hotel São Luiz, para tentar a vida na Bolívia porque havia casado com a boliviana Blanca Klinsky, que veio fazer Odontologia aqui na UFSM. Foi a irmã dele, Elisabeth, que também casou com um boliviano e já tinha ido para Santa Cruz de la Sierra, quem deu a ideia: por que não vender na Bolívia o xis de Santa Maria? Ambos começaram do zero. Pegaram empréstimo e iniciaram com um pequeno quiosque de rua, que abriu 365 dias no ano. Além de levar um novo tipo de lanche à Bolívia, inovou também ao ficar aberto de madrugada, hábito que outras lanchonetes de lá não tinham até então. Até as 5h da madrugada, 365 dias por ano, era assim. Até que em 1993, conseguiu abrir a primeira lanchonete em um prédio.
– Lembro que eu comia o xis que tinha na frente do Corintians, o Lucão. E os bolivianos que foram estudar em Santa Maria gostavam muito do xis. Foi isso que fez a minha irmã ter a ideia de a gente vender xis de Santa Maria aqui (em Santa Cruz de la Sierra). Quando abrimos aqui na Bolívia, muitos que estudaram em Santa Maria e no Rio Grande do Sul descobriram que aqui tinha o xis de Santa Maria e viraram clientes – conta.

Originalmente, a empresa se chamava Xis Burguer Santa María. Depois da primeira lanchonete, o xis santa-mariense e gaúcho ganhou fama em Santa Cruz de la Sierra, com a abertura de novas filiais. Hoje, são 15 lanchonetes na cidade, com o nome Santa María Fast Food. Até porque, para não ficar atrás dos concorrentes, passaram a vender também outros tipos de comidas Hoje, a empresa é uma das lanchonetes com mais pedidos no app de delivery da cidade.
– Aqui na Bolívia, tinha o hambúrguer com pão grande e alto, com batatas, e outros lanches, mas nada parecido com o xis de Santa Maria. Pessoal não sabia o que é o xis na chapa e com carne picada e perguntava o que era – conta a filha Bruna.
– No começo, foi difícil conseguir que uma padaria fizesse um pão maior, de xis. Depois, conseguimos e ajudamos até a mudar a receita do pão. Hoje, chegamos a consumir até 2 mil pães de xis por dia, no final de semana. O sabor do xis em Santa Maria e o do nosso xis, aqui na Bolívia, é o mesmo, mas a principal diferença é o pão. Em Santa Maria, o pão é mais massudo, enquanto aqui temos um pão mais leve e mais fino – diz Omar.
– O sabor é tão diferente de todos os outros hambúrgueres daqui, que o pessoal fala: quero o hambúrguer de Santa Maria – completa Bruna.
Entre os sabores mais vendidos na Bolívia, estão filé, coração e o salada. As únicas adaptações são que muitos bolivianos gostam de incluir molho apimentado e comer o xis junto com porção de batata frita. Não há nenhum sabor específico e adaptação às tradições da Bolívia. O mais diferente é o xis vegetariano, que inclui até feijão.
Hoje, Omar administra as 15 filiais e a fábrica própria para dar conta do consumo de 100 a 150 quilos de bacon por dia junto do filho Rodrigo, 41 anos, nascido em Santa Maria, e da filha Bruna, 30 anos, boliviana. O rapaz cuida de compras e outras tarefas, enquanto ela, formada em marketing, faz vídeos e postagens nas redes sociais e cuida da administração da empresa, que tem 120 funcionários.
Qual o melhor: xis daqui ou da Bolívia?
Mas, afinal, qual xis é melhor: o de Santa Maria da Boca do Monte ou o da Santa María Fast Food, em Santa Cruz de la Sierra? Bruna responde:
– Os dois têm o meu coração, mas o xis do meu pai é o melhor. É que ele tem a inspiração de Santa Maria, mas também tem o toque e o charme dele.
– O xis de Santa Maria é único. Pelo Brasil, só achei algo parecido em Corumbá (MS) – diz Omar, que veio a Santa Maria em janeiro para visitar quatro irmãos que moram aqui.