Foto Vinicius Becker
Desde a assinatura do acordo entre EUA e Irã, em 14 de junho, o barril do petróleo acentuou a queda de preços, o que ajudou na redução dos valores dos combustíveis no Brasil, inclusive em Santa Maria. Em comparação com o fim de maio, o litro do diesel teve uma redução de R$ 0,35 na cidade, mas os preços ainda seguem R$ 0,38 acima da média do início de março, no início da guerra. Já a gasolina recuou R$ 0,11 nos últimos 40 dias e está com média R$ 0,03 abaixo da cobrada em Santa Maria em março, segundo pesquisas feitas pelo Diário em cerca de 40 postos, por meio do aplicativo Menor Preço, do governo do Estado.

O problema é que, desde a última terça-feira (7), com a retomada dos ataques entre Irã e Estados Unidos, o governo iraniano atacou três embarcações comerciais, dificultando novamente a passagem pelo Estreito de Ormuz. Esse cenário de temor de um bloqueio total do canal por onde passa 25% do petróleo do mundo fez com que o barril do petróleo brent voltasse a disparar. Estava em 72 dólares na segunda (exatamente o mesmo preço cobrado em 28 de fevereiro, quando a guerra iniciou), mas subiu nesta quarta à tardinha para 79 dólares.
Ainda está longe dos 110 dólares em que a cotação se manteve por semanas ao longo de março, abril e maio, forçando a alta dos preços do diesel no Brasil, mas gera preocupação.
Especialistas em conflitos acreditam que, dessa vez, a guerra não vai durar muito tempo, o que seria um bom sinal de que o petróleo não irá subir tanto. Porém, tratando-se de EUA e Irã, que têm grande dificuldade de diálogo e governantes com nervos à flor da pele e instáveis, é difícil ter certeza. Na terça, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia dito que não havia mais chance de diálogo com o Irã e que o acordo acabou. Nesta quarta (8), afirmou: “Vamos atacar com força esta noite (de quarta). Vou atacar, mas não quero. E se atacar, não irá durar muito tempo.”
A coluna conversou com duas fontes do setor de distribuição e postos de Santa Maria nesta quarta, e ambas não acreditam em alta imediata dos preços.
– Acredito que não vá impactar em um cenário de curto prazo, pois tem muita oferta por parte da Petrobras. Acho muito difícil subir neste momento – disse um empresário do setor, que preferiu para não ser identificado.
A gangorra dos preços
Segundo as pesquisas feitas pelo Diário com base no aplicativo Menor Preço, o diesel custava em média R$ 6,37 em 5 de março e subiu para R$ 7,28 em 22 de abril (R$ 0,91 ou 14%). Porém, houve postos que chegaram a subir até R$ 1,70 o litro, devido à escassez de produto. Depois, os preços começaram a baixar, caindo para R$ 7,10 em 27 de março e para R$ 6,75 agora – muitos postos baixaram R$ 0,50 nas últimas semanas. Ainda assim, são R$ 0,38 acima dos preços médios de 5 de março.
Nesta quarta (8), apesar de os preços mínimos e máximos estarem entre R$ 5,79 e R$ 7,69 na cidade, na maioria dos postos, o diesel estava na faixa de R$ 6,29 a R$ 6,99.
Já a gasolina tinha média de preços de R$ 6,27 em Santa Maria na metade de março, chegando a subir para R$ 6,43 em 22 de abril (R$ 0,16 ou 2,5%) por conta da alta do frete e escassez pontual do produto em alguns postos. Depois, caiu para R$ 6,35 no fim de maio e para R$ 6,24 agora de média. Ou seja, está R$ 0,03 mais barata do que a média de 15 de março, quando a guerra estava no início.
Na gasolina, nesta quarta os preços mínimo e máximo variavam de R$ 5,79 a R$ 6,89 em Santa Maria, mas na maioria das revendas da cidade, os valores cobrados estavam na faixa de R$ 5,99 até R$ 6,69.