Pedro Lecueder AguirreProfessor
Nos artigos anteriores, elaborei análises e interpretações sobre o perigo do consumo recreativo digital que se manifesta no uso dos smartphones, tablets, videogames e televisão, quando não usados com moderação e prudência são prejudiciais para a saúde mental de nossas crianças. Demonstrei que Inglaterra, Taiwan, China e EUA para enfrentar a dependência das telas digitais a grande estratégia foi a prudência. As ferramentas e os arsenais digitais quando não usados com prudência, moderação e racionalidade afetam os quatro pilares constitutivos da identidade de nossas crianças e adolescentes.
Os quatro pilares são o cognitivo, o emocional, o social e o sanitário, que de forma direta ou indiretamente afetam o bom desempenho escolar de nossos alunos. Após estas breves colocações, vou focar e trabalhar com as experiências brasileiras das secretarias estaduais de São Paulo e Pernambuco. A matéria foi publicada no jornal Estado de São Paulo, edição de 2 de maio de 2022, páginas A22/23, de autoria do jornalista Gonçalo Junior, que com muita precisão nos leva à reflexão e, segundo meu pensamento, o assunto pode ser igual, mas o problema é diferente. Pesquisa na rede estadual de educação de São Paulo detectou ansiedade e depressão nos estudantes, sendo: 69% relataram sintomas de depressão e ansiedade; 33% apresentaram dificuldades de concentração; 18,8% se sentem esgotados; e 18,1% perdem o sono por conta de preocupações. No que se refere às competências mais afetadas, o estudo da SEE/SP em conjunto com o Instituto Airton Senna pesquisaram estudantes do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental II e da 3ª série do Ensino Médio.
No 5º ano, as competências mais afetadas foram: foco 48,7%; curiosidade 45,3%; determinação 36,3%; e persistência 35,4%. No 9º ano, a pesquisa apresentou diferenças que assim podem ser apresentadas: foco 64%; persistência 51,9%; determinação 50,6%; e curiosidade 49,5%. Como sentimos, a competência foco, tanto no 5º como no 9º ano, foi a mais vulnerável e as demais apresentaram situações bem diferentes. O universo pesquisado de 642 mil alunos do 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio que participaram do estudo, mais de 440 mil relataram problemas de saúde mental.
Em Pernambuco, a angústia virou um drama coletivo no início de abril, até com a chamada do Samu. A estratégia encontrada pela SEE/PE foi promover encontros regulares dos alunos e seus familiares com psicólogos. No que se refere ao Ensino Médio, está em estudo a possibilidade de incorporar a disciplina de educação socioemocional no currículo, com o objetivo de trabalhar as habilidades socioemocionais dos alunos. Concluindo, é importante salientar que as nossas crianças e os nossos alunos são o mais expressivo patrimônio do Brasil, e as gerações dos nativos digitais e as vítimas do isolamento social e cultural do Covid-19 também são responsáveis pela qualidade de sua saúde mental. O psiquiatra ucraniano Wilhelm Reich em determinado momento assim se expressou: “Cada um de nossos passos hoje é a nossa vida amanhã,” pensamento que muito valorizo e com facilidade se ajusta ao presente estudo.
Leia o texto de Valdo Barcelos