Maio de 2026 é considerado um dos mais frios da última década em Santa Maria

Isadora Bortolotto

Maio de 2026 é considerado um dos mais frios da última década em Santa Maria

Foto: Vinicius Becker

Antes mesmo da chegada oficial do inverno, os moradores de Santa Maria já precisaram tirar casacos, cobertores e aquecedores do armário. As manhãs geladas, temperaturas baixas durante todo o dia e a ausência dos tradicionais períodos de calor em maio fizeram muita gente sentir que 2026 está diferente. E a sensação da população é confirmada pelos dados meteorológicos.

Segundo o meteorologista Daniel Caetano, este já é um dos meses de maio mais frios registrados nos últimos 10 anos na região.

– Esse mês de maio está sendo bastante frio em relação à climatologia dos últimos cinco a 10 anos. Pelo que observamos, ele está no “top 3” mês de maio mais frios da última década, tanto pelas temperaturas mínimas quanto pelas máximas abaixo da média – explica.

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Segundo Caetano, os anos que mais se aproximam do frio registrado até o último dia 24 desde ano foram 2016 e 2022. Em 2016, as temperaturas ficaram entre 3 e 4 graus abaixo da média histórica para maio. Já em 2022, os registros variaram entre 1 e 2 graus abaixo da média. Neste ano, maio deve terminar com temperaturas entre 1 e 3 graus abaixo do esperado para o período.

De acordo com o especialista, o frio intenso é consequência principalmente da atuação de duas massas de ar frio e seco que avançaram sobre o Rio Grande do Sul a partir do dia 8 de maio.

– Tivemos duas entradas de massa de ar frio que derrubaram bastante as temperaturas e fizeram com que a média do mês ficasse entre 2 e 3 graus abaixo do esperado para maio– afirma.

Segundo Daniel, o frio foi sentido de maneira geral em todo o Estado, mas costuma ocorrer com mais intensidade nas regiões centro-oeste, noroeste, fronteira com o Uruguai e sul do Rio Grande do Sul.

Foto: Rian Lacerda

Frio constante chamou atenção da população

Nas ruas de Santa Maria, o frio virou assunto entre moradores que relatam sensação de inverno antecipado. A equipe do Diário conversou com a cuidadora de idosos, Eva de Souza, 74 anos, que percebe os dias frios mas consecutivos neste ano.

– Percebi um pouquinho mais, mas eu adoro o friozinho. É melhor que esse “calorão” horrível. A gente já sai de casa cansado com calor – comenta.

O mecânico aposentado Vilmar Oliveira, 77 anos, também acredita que 2026 começou mais gelado do que o normal.

– Está bem mais frio esse ano. E cada vez vai ficar pior. Melhorar não melhora nunca! O frio chegou bem antes do inverno. Se agora já está frio, no inverno vai ser o dobro. Mas eu gosto do inverno. A gente dorme melhor e se alimenta melhor– comenta.

Ausência do “veranico de maio” reforçou sensação de frio

Outro fator que contribuiu para a percepção de um mês mais gelado foi a ausência do chamado “veranico de maio” – período conhecido por alguns dias de temperaturas mais elevadas durante o outono.

– Neste ano nós não tivemos ocorrência de veranico de maio. Desde o dia 8 tivemos uma queda bem acentuada das temperaturas e elas permaneceram continuamente baixas – explica Daniel Caetano.

Além disso, maio já tinha previsão de chuvas abaixo da média, o que favorece noites mais secas e madrugadas mais frias.

– Quando temos menos chuva, o tempo fica mais seco. E noites secas fazem a temperatura cair ainda mais durante o amanhecer – destaca o meteorologista.

Para os próximos meses, a previsão é de continuidade do tempo mais seco no Rio Grande do Sul. Segundo Daniel Caetano, junho e julho devem seguir com chuvas abaixo da média, favorecendo temperaturas mais baixas.

Até o momento, não há previsão de eventos extremos como neve ou geadas severas nos próximos dias, embora o frio continue presente. O meteorologista explica ainda que o fenômeno El Niño deve começar a influenciar o clima gaúcho apenas no segundo semestre, especialmente durante a primavera.

Com o frio e a umidade presentes nas madrugadas, ainda existe possibilidade de formação de cerração em algumas regiões.

— Enquanto houver umidade na atmosfera, ainda pode ocorrer alguma cerração nas próximas manhãs, embora a possibilidade seja baixa – conclui Daniel.

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