Mais um passo foi dado no projeto de instalação de uma usina de etanol em Júlio de Castilhos. Na tarde desta quarta-feira (7), uma coletiva de imprensa foi realizada no Gabinete do Prefeito. Na ocasião, o engenheiro químico responsável pelo projeto, Adriano Soriano, falou sobre o empreendimento orçado em R$ 464 milhões:
– Estamos na fase de licenciamento ambiental e protocolo na Fepam. Temos uma previsão de 90 dias para essa parte, para depois dar os próximos passos.
Engenheiro químico responsável pelo projeto, Adriano Soriano. Foto: Nathália Schneider (Diário)
Soriano destaca que a usina é ecologicamente correta, auto sustentável e não deve gerar resíduos líquidos ou sólidos. O licenciamento ambiental é um dos pontos importantes do projeto da usina de etanol, que já tem uma local para instalação.
Recentemente, um terreno de 22 hectares foi cedido pela prefeitura na área industrial do município.
– É um investimento grande. No Rio Grande do Sul, será a maior. E justamente por ser um valor expressivo, buscamos parte deste valor com investidores de fora. Não do Brasil, mas do quadro societário. Essa é uma demanda que caminha junto com a licença. O dinheiro está na conta? Não. Estamos na busca por este dinheiro para, quando sair a licença, dar início no empreendimento.
A estimativa é de que a obra seja concluída entre final de 2024 e início de 2025.
Impacto em Júlio de Castilhos e região
Local onde deve ser construída a usina. Foto: Nathália Schneider (Diário)
De acordo com a secretária da Agricultura, Turismo, Desenvolvimento e Meio Ambiente, Ana Paula Alf Lima Ferreira, 2 mil pessoas devem ser contratadas para trabalhar na construção da usina. Após a instalação, que deve durar 18 meses, a previsão é de que sejam gerados 122 empregos diretos e 1,7 mil empregos indiretos.
– Será preciso uma maior produção em termos de milho, farelos de arroz e madeira. Então, a demanda que a usina vai gerar com certeza vai ultrapassar os limites de Júlio de Castilhos. Em um raio de 100 quilômetros, todo mundo vai poder somar e se beneficiar com a usina. Então, vamos ter muita mudança e crescimento. Será preciso que Júlio de Castilhos e as cidades da região se preparem em termos de qualificação, atendimento, logística, hotelaria e entretenimento para receber esse novo empreendimento – afirma.
Etanol à base de milho
Soriano afirma que a aposta no etanol à base de milho considera as mudanças recentes no cenário de combustíveis e os aspectos da região.
No projeto da usina de etanol de Júlio de Castilhos, a expectativa de produção estimada de etanol hidratado é de 420 mil litros por dia. No caso do etanol anidro, devem ser 400 mil litros/dia, fora os demais subprodutos que podem ser gerados a partir desta matéria-prima.
No Brasil, o etanol à base de milho corresponde a 13% do total produzido, sendo que, há dois anos, a porcentagem não passava de 6%. Até 2030, a previsão do setor é atingir os 20%, chegando a 10 bilhões de litros.