Marina Chiapinotto (arquivo, Diário, 2006)
A quinta-feira (21) silenciou uma parte fundamental da memória afetiva de Santa Maria. Aos 86 anos, morreu Osmar Woltmann, o homem de espírito empreendedor e perfeccionista que colocou sabor na rotina de milhares de moradores do Coração do Rio Grande. Fundador da icônica Sorveteria Woltmann, ele não apenas construiu um negócio de sucesso, mas ergueu um verdadeiro patrimônio cultural e gastronômico que, por mais de quatro décadas, foi o ponto de encontro oficial das famílias no Calçadão Salvador Isaia.
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Filho de imigrantes alemães, seu Osmar trouxe a inspiração inicial do Paraná e desenvolveu receitas próprias que se tornaram marcas registradas do município. Embora o tradicional ponto do Calçadão tenha fechado as portas em março de 2022 — em decorrência dos impactos econômicos e do longo período de restrições da pandemia —, o legado de dedicação e o inconfundível paladar de seus produtos continuam vivos. Hoje, o estabelecimento segue funcionando sob o comando de outros familiares na Rua do Acampamento, onde o público ainda pode saborear o famoso churros feito na hora com a receita original e reviver as doces lembranças que cruzaram épocas.
A notícia do falecimento do pioneiro gerou uma forte onda de comoção nas redes sociais do Diário, motivando dezenas de depoimentos de antigos clientes que transformaram o momento em agradecimento pelas vivências compartilhadas ao redor do balcão da sorveteria.
O leitor @rafa.levi.dermatovet fez questão de recordar a sua combinação favorita, que atravessou os verões santa-marienses: "Flocos com blue ice, melhor sorvete de Santa Maria, além do melhor churros! Que descanse em paz!", comentou no Instagram do @diariosm.
Para muitos, atravessar o Calçadão e fazer uma parada na Woltmann era um ritual sagrado e afetivo de conexão familiar. Os sabores vibrantes iam muito além do gelado: representavam o desfecho de um passeio de sábado, o acalento após um dia de compras ou o clássico momento de cumplicidade entre pais e filhos.
Já @rieder.nathalia expressou esse sentimento ao resgatar o valor das pequenas tradições do cotidiano local: "Uma rica lembrança de acompanhar a mãe no centro e finalizar a tarde comendo um churros ou um sorvete. Memórias que não têm preço. Obrigada seu Wolttmann! Senti o gostinho daqui relembrando!".
As cerimônias de despedida da Osmar Woltmann ocorreram nesta quinta e sexta em Santa Maria.