Foto: Rian Lacerda (Diário)
Regina Tchelly, chef de cozinha e fundadora do projeto Favela Orgânica, ministrou a capacitação ensinando técnicas de reaproveitamento de cascas, talos e sementes para reduzir desperdícios e ampliar o valor nutricional das receitas.
Com o objetivo de promover o empreendedorismo solidário, o Bairro Diácono João Luiz Pozzobon sediou um curso de culinária com foco no aproveitamento integral de alimentos. O evento marcou a abertura do projeto "Promover", coordenado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) por meio da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec), com recursos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD) do governo federal.
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As atividades ocorreram ao longo de três dias, a partir de domingo (24), e ofereceram 30 vagas destinadas exclusivamente a mulheres de diversas comunidades e cozinhas solidárias da cidade, incluindo representantes das áreas indígena e quilombola. Além da gratuidade, as participantes recebem uma bolsa-formação de R$ 500 para compensar os dias em que não puderam trabalhar.
De acordo com o coordenador do projeto, o empresário Homero Antunes Boucinha, 61 anos, a iniciativa nasceu a partir das experiências locais de economia solidária e foi viabilizada após aprovação em Brasília (DF). A meta é criar grupos de empreendedores.
– Um dos problemas que a gente vê na maioria dos cursos de capacitação é que o pessoal tem a formação, mas depois não tem onde trabalhar, não tem equipamento ou insumo. Nesse projeto, nós conseguimos tudo isso. Queremos fazer o sistema completo: o pessoal produz, embala e comercializa através de feiras – explicou Boucinha, acrescentando que o projeto inclui futuros cursos gratuitos nas áreas de construção civil, compostagem, educação socioambiental e produção agroecológica.
Sem desperdício
A capacitação foi ministrada pela chef Regina Tchelly, fundadora do projeto Favela Orgânica, iniciativa criada em 2011 no Rio de Janeiro que atua no combate ao desperdício e alerta para a crise climática. As participantes aprenderam a utilizar cascas, talos e sementes em receitas que transformam o que seria lixo em alimento.
– As mulheres estão abrindo a cabeça, porque aproveitar cascas e sementes é coisa de gente inteligente. Elas estão aprendendo que uma casca de melancia rende uma cocada maravilhosa com ora-pro-nóbis e que maracujá dá para fazer um chantilly. É sensacional estar com a cultura do aproveitamento integral.
O cardápio desenvolvido incluiu desde pães com casca de batata e mandioca até feijoada com insumos da horta comunitária e chips de banana.
Impacto na renda
Para a pequena empresária Zuleika Flores da Silva, 39 anos, o curso representou uma oportunidade imediata de ampliar os negócios. Mãe solo e moradora do loteamento Dom Ivo, ela produz bolos e salgados e já começou a aplicar as técnicas aprendidas.
– Ontem eu aprendi um chantilly (sem lactose) e consegui colocar no bolo que eu trouxe hoje. Para mim, que sou de baixa renda, isso é uma economia muito grande e ajuda no meu empreendimento na comunidade. Consegui aumentar meus pratos e a minha renda familiar. Vou levar para a vida e até fazer chips de banana para vender.