A tentativa de latrocínio que ocorreu no início da tarde de domingo, em uma sinaleira da região central de Santa Maria, levantou uma questão importante. O que levou o assaltante a atirar no motorista do carro? Ele demorou para abrir a porta e sair do veículo? Ele fez gestos bruscos de que iria reagir? Para esclarecer dúvidas, a reportagem ouviu especialistas na área da segurança pública para saber como o cidadão deve agir em caso de assalto a veículo. A primeira e mais importante regra é: “Nunca reagir”.
O assalto aconteceu por volta das 14h no cruzamento da Avenida Borges de Medeiros com a Rua Venâncio Aires, em frente ao quartel da 6ª Brigada de Infantaria Blindada. Um motorista, em um Peugeot modelo 2008, para na sinaleira da Borges. Em seguida, um Prisma branco para logo atrás e um homem armado desce e rende o condutor do Peugeot.
O criminoso manda o motorista sair do carro. Imagens gravadas pelas câmeras de segurança do município mostram o bandido atirando, e a vítima, ferida com um disparo no braço direito, saindo do veículo e indo em direção à calçada. O criminoso tenta dar a partida no carro, mas não consegue, desiste do roubo, entra de volta no Prisma branco do comparsa que ainda o aguardava e foge.
ORIENTAÇÕES
Três profissionais renomados, todos com mais de 20 anos de trabalho nas forças policiais, falaram à reportagem sobre o que se deve ou não fazer durante um assalto. Todas as autoridades destacaram a mesma primeira regra de não reagir. O tenente-coronel Cleberson Braida Bastianello, comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) Central, que tem 30 anos de Brigada Militar (BM), orienta que nunca se deve reagir à ação criminosa.
– Nós orientamos que a pessoa não reaja, uma vez que, normalmente, o criminoso utiliza o efeito surpresa. A pessoa que é vítima, que é assaltada, é tomada desprevenidamente. Tentar reagir é o pior resultado que se pode ter. Evitar movimentos bruscos, entregar o bem material, aquilo que o criminoso está querendo, e sair do local. Tentar se afastar do local para preservar o seu bem maior, que é a vida – orienta Bastianello.
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Para o tenente aposentado da Brigada Militar Sandro Nunes, que é instrutor de tiro e tem mais de 28 anos de carreira, não reagir a um assalto é praticamente uma regra. Superintendente do Centro Integrado de Operação de Segurança Pública (Ciosp) de Santa Maria, onde muitos flagrantes são feitos pelas câmeras de monitoramento, Nunes orienta a tentar manter o criminoso calmo.
– A primeira coisa é não reagir, procurar facilitar o máximo possível e até conversar com o indivíduo. Falar “Não vou reagir, pode levar tudo”, e mostrar as mãos. Essa é a primeira coisa porque é um indivíduo que está com uma arma na mão e, por mais que a pessoa esteja armada, é complicado até para reagir de qualquer forma. Eu não aconselharia qualquer tipo de reação. Ele está com uma arma na mão, o dedo no gatilho e a qualquer momento ele pode atirar – diz.
Confira as regras de segurança no quadro abaixo. Veja, também, dicas da Polícia Militar de São Paulo, maior cidade do país e onde assaltos a motoristas são comuns.
“ROUBO FOI CASO ISOLADO”, AFIRMA DELEGADO REGIONAL
O delegado regional da Polícia Civil, Sandro Meinerz, com 23 anos na instituição, também afirma que a reação não é recomendada pois um crime pode levar a outro, e a ação terminar em uma tragédia. Segundo ele, o assalto na sinaleira durante o dia, na Avenida Borges de Medeiros, foi um caso isolado e a polícia trabalha para identificar o outro suspeito envolvido.
– Quando as pessoas são alvo de um roubo, é muito importante manter a calma, não fazer movimentos bruscos. A polícia aconselha a não reagir, porque uma reação pode produzir a morte ou uma lesão grave, já que o criminoso está armado. Normalmente, apanha a vítima de surpresa e o fator surpresa é sempre um fator que prepondera nessa hora. Portanto, se a vítima reagir pode acabar perdendo sua vida – afirma.
Ainda no domingo, o motorista do Prisma foi preso pela Brigada Militar. Ele disse que teria sido obrigado e participar do assalto. O criminoso que atirou na vítima ainda não foi identificado e segue sendo procurado.
HOSPITAL
Já o motorista do Peugeot, cuja identidade não foi informada pela polícia, estava internado, até a noite desta segunda-feira, na CTI do Hospital de Caridade de Santa Maria, em situação estável. Ele teria sido atingido por um tiro no braço.
A reportagem tentou ouvir o motorista, mas não foi possível contato com ele nem com seus familiares, nesta segunda-feira.
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Como agir em assaltos
Se for abordado dentro do carro, a recomendação é nunca reagir ao assalto, até porque em geral você é tomado por surpresaProcure facilitar o máximo possível e até conversar com o criminoso para dizer que não irá reagirMostre as mãos vazias, para que o assaltante veja que está desarmado. Qualquer atitude pode levar o bandido a atirar
Nos cruzamentos
Nos semáforos, durante o dia, pare sempre com a primeira marcha engatada e fique alerta à aproximação de estranhos, mesmo que não lhe pareçam suspeitosEvite a primeira fila de veículos e as faixas das extremidades, especialmente da esquerda. Preferencialmente, pare nas faixas centraisSempre mantenha distância mínima do veículo da frente (suficiente para poder identificar o contato do pneu traseiro com o solo) para evitar acidente e possibilitar a Saída em casos de emergênciaProcure não deixar espaços para passagem ou circulação do lado esquerdo do seu veículoChegue ao cruzamento com atenção, identificando pessoas suspeitas e demonstrando estar atentoVerifique constantemente a presença de suspeitos ao redor de seu veículo, inclusive motociclistasEvite a distração com celulares, rádios etcCuidado com “vendedores” ou pedintes. Não compre ou doe nada em semáforosMantenha portas e vidros travadosEvite relógios, pulseiras, anéis que chamem muita atenção;Não deixe objetos (bolsa, valises) em locais visíveis do veículo, procure transportá-los na porta malasÀ noite, ajuste a velocidade de seu veículo nas áreas de cruzamentos, reduzindo a velocidade de forma que você não preciseparar no cruzamento e também não cometa uma infração de trânsito passando no verme
Fontes: Sandro Nunes (superintendente do Ciosp), Sandro Meinerz (delegado regional da Polícia Civil), tenente-coronel Cleberson Bastianelo (comandante do CRPO Central), e Manual de Autoproteção do Cidadão da Polícia Militar de São Paulo
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