Entre 10 e 14h, na área central de São Gabriel, mantinha um típico movimento de sábado. O fluxo de pessoas e veículos era tranquilo e menos intenso do que é, geralmente, entre segunda e sexta-feira. Carros da Brigada Militar, que segundo a população costumam trafegar regularmente pelas ruas, eram quase imperceptíveis. A exceção ficava na rua onde está a sede da BM, na Avenida Francisco Chagas, em que viaturas saíam e entravam no pátio, além de outra que estava isolada. Essa, era a que levou Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, até a localidade de Lava Pés.
Nelson Rodrigues, 54 anos, é taxista e tem ponto na praça central da cidade. Segundo ele, assunto do desaparecimento de Gabriel foi o principal comentário ao longo da semana, mas a revolta aumentou depois que o corpo do jovem foi encontrado.
_ Era só o que falava e se lamentava. Mas, depois que encontraram o corpo, piorou. O pessoal se revoltou com a atitude da Brigada (Militar). Que tipo de ação é essa? Será que já faziam abordagens como essa antes? _questionou Rodrigues.
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Revolta e protesto
Ao mesmo tempo em que se iniciava o velório de Gabriel, em outro ponto da cidade, um grupo de moradores iniciou um protesto, utilizando cartazes e balões pedindo por justiça. Em certo momento, as mais de 100 pessoas que estavam reunidas fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Gabriel.
Família de policial
Pouco antes do meio-dia, a reportagem foi até a casa de um dos três policiais suspeitos de matarem Gabriel. Pelo interfone, uma mulher atendeu e disse que, no momento, não queria falar. Em seguida, uma senhora que informou ser tia do policial chegou em frente à residência. Ela relatou que estava indo até o local para dar apoio à família. Ela foi recebida por uma mulher e por um homem que abriu o portão e conduziu até o interior da casa. Em uma tentativa de contato, o homem limitou-se a dizer que era colega do policial e que não iria conversar sobre ocaso. Todos entraram e não quiseram falar sobre os últimos fatos.
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