Foto: Arthur Camponogara
Della Pasqua concedeu entrevista ao Papo D Esporte, da Rádio CDN

Após 14 anos longe da elite, o Inter-SM inicia a semana de estreia no Gauchão 2026 cercado de expectativa, ansiedade e mobilização. Em entrevista ao programa Papo D Esporte, da Rádio CDN, o presidente Pedro Della Pasqua detalhou os bastidores jurídicos, estruturais e esportivos que cercam o retorno do clube à primeira divisão, além de projetar o início da competição e o papel do torcedor neste momento.
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Efeito suspensivo
O primeiro tema abordado foi o efeito suspensivo que deve permitir ao Inter-SM mandar seus jogos no Estádio Presidente Vargas com presença de público. A punição aplicada após a final da Divisão de Acesso, motivada principalmente pelo arremesso de uma pedra no campo, segue em discussão jurídica. Para o presidente, o clube não pode ser responsabilizado por um episódio isolado.
– Foi um ato isolado, um ato criminoso. O Inter-SM fez tudo que estava ao nosso alcance naquele dia – afirmou Della Pasqua, ao relembrar o episódio.
O dirigente destacou que o clube mobilizou segurança privada, Brigada Militar e utilizou sistema de som para orientar os torcedores durante a partida decisiva, mas que não foi possível identificar o autor da infração em meio ao estádio lotado. Segundo ele, o processo ainda não transitou em julgado, o que garante ao Inter-SM o direito ao efeito suspensivo.
– Enquanto o processo não está concluído, o Internacional não está punido – disse, reforçando que o pedido já foi protocolado no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e que a liberação pode ocorrer “a qualquer momento”.
A expectativa da direção é de que o julgamento definitivo fique apenas para depois do Gauchão, permitindo que o clube atue normalmente diante do seu torcedor ao longo da competição.
Reformas na Baixada

Paralelamente à questão jurídica, o Inter-SM viveu cerca de 90 dias de obras intensas no Estádio Presidente Vargas. Della Pasqua classificou o período como um dos mais desafiadores da história recente do clube, diante das exigências atuais do futebol profissional.
– Foram 90 dias de muito trabalho. É a modernização da Baixada. Aconteça o que acontecer no campeonato, vamos entregar uma casa nova – garantiu o presidente.
Entre as principais intervenções estão a troca completa do gramado, a instalação de um sistema moderno de irrigação automatizada, a duplicação da iluminação, que passou de 32 para 64 refletores, além de melhorias em vestiários, cabines de imprensa, estrutura do VAR e adequações elétricas e hidráulicas. Apenas o investimento no novo gramado, segundo Della Pasqua, girou em torno de R$ 300 mil.
O dirigente ressaltou que parte dos refletores foi doada pelo Inter de Porto Alegre, que estavam no Estádio Beira-Rio:
– O Inter faz uma troca de refletores quando ele chega a mais ou menos 50 a 60% da sua vida útil. A gente sabe que o que é considerado inservível para um clube gigante, para nós serve muito. Essa que é a grande verdade. Então, os refletores são refletores de LED, nós teremos uma iluminação misturada com lâmpadas incandescentes – detalhou Della Pasqua.
Outras melhorias contaram com apoio de patrocinadores, recursos da CBF e verbas próprias do clube.
– É praticamente uma reconstrução do estádio. O Inter vai sair desse processo com um patrimônio muito mais moderno e preparado para receber jogos de primeira divisão e competições nacionais – afirmou.
Arquibancadas móveis
Outra mudança significativa para o Gauchão será a destinação das arquibancadas móveis atrás da goleira do cemitério, espaço que passará a ser destinado exclusivamente à torcida visitante. Com isso, o setor tradicionalmente ocupado por adversários será utilizado pela torcida alvirrubra.
– Alguns conflitos aconteciam muito pela proximidade das torcidas. Dessa forma a gente consegue isolar um pouco, facilita o trabalho da Brigada Militar e fica mais seguro também para quem vem de fora – explicou Della Pasqua.
A alteração faz parte de um plano de segurança mais amplo, pensado para evitar novos episódios que possam gerar punições ao clube ao longo da competição.
O elenco
No aspecto esportivo, o presidente destacou o equilíbrio entre experiência e juventude no elenco comandado por Bruno Coutinho. Para ele, a manutenção de boa parte do grupo que conquistou o acesso foi estratégica.
– Eu divido os atletas em três partes: os remanescentes, os que chegaram e os meninos – explicou.
Os jovens formados na base foram definidos como “joias” do clube e vistos como prontos para encarar a elite estadual, após campanhas vitoriosas nas categorias inferiores.
– Eles têm DNA alvirrubro. São meninos vitoriosos, acostumados a vencer – afirmou, citando Ruan e Inácio como atletas que devem ganhar minutagem ao longo do campeonato.
Della Pasqua também ressaltou o ambiente interno do grupo, que classificou como unido e comprometido com o projeto esportivo do clube.
A expectativa
Na projeção para o Gauchão, o presidente tratou as três primeiras rodadas como decisivas, comparando o início do campeonato a um “primeiro turno” dentro de uma competição curta. A estreia contra o São José, no domingo, às 19h, fora de casa, é vista como estratégica, antes de uma sequência de dois jogos na Baixada.
O objetivo inicial é claro: evitar o quadrangular do rebaixamento e garantir a permanência "sem drama". Mas o pensamento da direção vai além do curto prazo.
– Eu ficaria satisfeito em estabelecer um calendário inteiro para 2027, com uma vaga na Série D, para termos um trabalho mais perene – projetou.
Para Della Pasqua, a consolidação do Inter-SM na elite estadual passa não apenas por resultados imediatos, mas pela construção de um clube com calendário anual, maior capacidade de investimento e vínculo permanente com o torcedor, elemento que, após 14 anos, volta a ser peça central na vida alvirrubra.
Treinos no novo gramado

Desde o início da pré-temporada, o elenco alvirrubro treina em campos do município, como o da Vila Fighera.
Por isso, o presidente Pedro Della Pasqua confirmou que o clube trabalha para possibilitar treinos no novo gramado do Presidente Vargas ainda nesta semana. Segundo ele, a conclusão das obras permite que a comissão técnica comece a utilizar o estádio como parte da preparação para o Gauchão.
– O gramado fechou, tá fechado. Agora é só colocar as traves de novo e as demarcações – afirmou o presidente.
A expectativa é que a comissão técnica consiga ao menos dois trabalhos no estádio antes da estreia e mais alguns antes do primeiro jogo como mandante. A possibilidade é vista internamente como um ganho importante na preparação.
— É um problema uma comissão técnica não poder treinar no seu próprio estádio. O jogador não poder pegar a referência do estádio, da arquibancada, da placa, da posição dentro do campo. Isso faz com que ele realmente se sinta em casa — explicou o dirigente.
Enquanto isso, Bruno Coutinho segue ajustando a equipe nos campos alternativos da cidade, priorizando organização tática, ritmo de jogo e integração entre atletas experientes e jovens da base.
Confira a entrevista