“Enquanto existir matemática, precisamos acreditar”: Chiquinho prega confiança para evitar rebaixamento do Inter-SM

“Enquanto existir matemática, precisamos acreditar”: Chiquinho prega confiança para evitar rebaixamento do Inter-SM

Foto: Vinicius Becker

Ídolo do clube assume função para últimos jogos do Gauchão

Lanterna do quadrangular do rebaixamento no Gauchão 2026, com dois pontos, o Inter-SM terá mudança no comando técnico nas duas últimas rodadas. Após a saída de Wiliam Campos, anunciada na terça-feira (24), o gerente de futebol Chiquinho Resende assume interinamente a equipe


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A estreia no comando será no sábado (28), às 16h, diante do Monsoon, no Estádio Presidente Vargas. Esta será a última partida do clube em Santa Maria nesta edição do Gauchão. A rodada final será no sábado seguinte, 7 de março, contra o Avenida, em Santa Cruz do Sul.

Em entrevista ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, nesta quarta-feira (25), Chiquinho detalhou como recebeu o convite do presidente Pedro Della Pasqua e afirmou que só aceitou a missão por acreditar na permanência.

— Primeiramente, é agradecer o presidente Pedro Della Pasqua pela confiança. Eu tenho certeza que essa confiança não se dá nesse momento imediato, mas é uma construção ao longo dos anos, daquilo que eu representei para o clube e ainda represento, pela postura e comportamento diários. E saber que, na verdade, eu não sou um treinador, que fique bem claro para todos — afirmou.

O dirigente lembrou que já havia recusado assumir interinamente após a saída de Bruno Coutinho. Na ocasião, participou diretamente da contratação de Wiliam Campos, com quem trabalhou ao longo da carreira.

— Quando teve a saída do Coutinho, o presidente tinha me feito esse convite para assumir interinamente, eu disse que não, que não sou treinador. Ele entendeu naquele momento. Eu fui responsável pela vinda do William, por conhecer o seu trabalho, por ter um vínculo de muitos anos com ele, joguei com ele, fui treinado por ele, então sei da sua capacidade. Então, essa tomada de decisão foi um impacto muito grande — relatou.

Campos permaneceu 13 dias no cargo e acumulou duas derrotas em dois jogos, ambos contra o Guarany de Bagé. O desligamento foi anunciado como acordo entre as partes.


Um dos responsáveis pela vinda de Wiliam Campos (dir.), Chiquinho (esq.) assume a equipe após saída do treinadorFoto: Vinicius Becker


“Se eu não acreditasse, não colocaria o meu rosto”

Com mais de 120 jogos como atleta do clube e aposentado desde 2023, Chiquinho passou a integrar a gestão em 2024. Agora, assume o comando técnico a 11 dias do fim da competição.

— Se eu não acreditasse, com certeza não colocaria o meu rosto, não estaria me expondo diretamente no comando técnico, mas acredito inteiramente de coração que existe essa possibilidade. O último resultado, principalmente entre Avenida e Monsoon, gerou novamente uma esperança. Nós, profissionais do futebol, já vivemos experiências de reviravoltas que muitas vezes ninguém entende — disse.

Para ele, o trabalho a partir de agora passa por ações práticas no curto prazo:

— O processo é muito simples, ele é muito natural, depende das nossas ações, tanto da gestão como da comissão técnica e principalmente dos jogadores. Eles são os protagonistas que vão entrar dentro do campo para executar as ações necessárias, para que a gente possa vencer a primeira partida no quadrangular.


Diagnóstico: pressão e perda de resultados

O Inter-SM tem repetido um roteiro nas últimas rodadas: sai na frente, mas cede o empate ou a virada. Questionado sobre possíveis problemas internos, Chiquinho negou falta de comprometimento.

— O teu trabalho é colocado em cheque quando tu não alcanças os resultados que são traçados pela diretoria e pela comissão técnica. Isso faz parte do futebol. As pessoas tentam levantar situações, pontuar algumas coisas que acham que estão acontecendo, e a verdade é que os resultados não estão vindo. Se tu parar para analisar jogo a jogo, na maioria deles nós cedemos o resultado para os adversários. Não vejo falta de comprometimento dos atletas, muito pelo contrário, eles estão muito comprometidos com a causa — afirmou.

Segundo ele, a pressão tem influenciado o desempenho.

— À medida que o tempo vai passando, a pressão muitas vezes sucumbe as ações dos atletas. Esse é o momento de passar confiança, tentar extrair o máximo de confiança possível, porque eles já fizeram isso em outras agremiações e no próprio Internacional de Santa Maria. Eles têm essa capacidade e precisam botar para fora em conjunto. Ninguém vai resolver nada sozinho — avaliou.


Sem “inventar muito” para o duelo decisivo

Chiquinho afirmou que não pretende promover mudanças radicais no curto período de preparação.

— Esse é o momento da gente não inventar muito. Os atletas precisam simplificar o máximo possível, agir com naturalidade. A gente não vai criar um amuleto da sorte, não vai liberar palavras que possam motivar de uma forma diferente. O que precisamos é entender onde estamos, por que chegamos a essa situação e tentar juntos achar uma solução imediata — defendeu.

Sobre esquema e possíveis alterações, evitou antecipar definições.

— Vai depender de como os atletas vão estar dentro da ideia de jogo que a gente vai utilizar contra o Monsoon. Não posso adiantar o que vou fazer. Independente da formatação da equipe, o que vai prevalecer é a disposição e a entrega. Se cada um executar o seu trabalho e ganhar os seus duelos, nós ficamos fortes — garantiu.

Sem licença de treinador da CBF, ele explicou que constará como auxiliar na súmula.

Eu não sou treinador. Fui convocado para uma missão diante do Monsoon, interinamente. Eu vou como auxiliar. Posso entrar no BID como auxiliar técnico. É dessa forma que vou me apresentar na súmula e à beira do campo vou comandar os atletas para esse jogo específico.


Treinos de terça e desta quarta-feira foram fechados à imprensaFoto: Vinicius Becker


Avaliação do elenco e cenário matemático

Questionado se houve erro na avaliação do grupo para disputar a elite estadual, Chiquinho discordou.

— Claro que os números mostram que não estamos desenvolvendo o trabalho esperado, mas isso não significa que os atletas escolhidos não são capacitados. Na maioria das vezes não foi o adversário que buscou suas próprias conquistas, nós demos para eles. Tivemos oportunidades de fazer gols mais de uma vez. Isso depende única e exclusivamente da ação técnica do atleta no momento da finalização ou na hora de defender — pontuou.

Para ele, a autocrítica individual será determinante.

— Se os atletas conseguirem fazer essa autocrítica e saber o que precisam melhorar individualmente para que o coletivo seja forte, é em cima disso que vamos trabalhar para fazer um grande jogo no sábado e continuar vivo para o último jogo diante do Avenida.

Ao fim da entrevista, reforçou o apelo por união e confiança:

No futebol não existe impossível. Enquanto existir matemática a nosso favor, precisamos acreditar que é possível a permanência na primeira divisão. Faltam 11 dias para o término da competição. Se nós não abrirmos mão das nossas vaidades, do nosso ego, do nosso orgulho nesses 11 dias e emergir nesse processo de reestruturação emocional, a gente não vai conseguir. Mas se focarmos exclusivamente naquilo que viemos fazer em Santa Maria, temos totais condições de sair dessa situação — concluiu.


Confira a entrevista completa


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