Foto: Reprodução/TV Globo
A Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, município do Rio de Janeiro, abriu um procedimento para apurar o caso como importunação sexual, após a desistência do participante Pedro Henrique Espindola do BBB 26.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Segundo a Polícia Civil, imagens do reality show serão analisadas e Pedro será chamado para prestar depoimento. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.
Depoimento no confessionário
Após deixar o programa, Pedro entrou no confessionário e relatou o episódio ocorrido na despensa da casa com a participante Jordana. Em depoimento exibido pelo BBB, ele afirmou que interpretou de forma equivocada uma situação envolvendo a colega de confinamento.
– Eu tava faz dias já querendo me segurar, pra não ficar olhando os outros, cobiçando os outros. As meninas, a Jordana principalmente, porque ela é muito parecida com a minha esposa. E daí hoje eu acabei caindo nisso, olhei pra ela, cobicei ela, desejei ela. E achei que ela tinha dado moral também, tinha sido recíproco, mas pelo que eu vi era só coisa da minha cabeça – disse.
Segundo o ex-participante, a situação teria ocorrido após Jordana comentar sobre procurar um objeto na despensa.
– A gente chegou na despensa e eu tentei beijar ela. Entendi errado, não era isso que ela queria – afirmou.
Comunicado de Tadeu Schmidt
Logo após a desistência, o apresentador Tadeu Schmidt comunicou ao público a saída de Pedro Henrique do reality.
– Pedro desistiu do jogo. Vamos ver agora como foi esse momento e o que o levou a tomar essa decisão – disse, antes da exibição do vídeo do confessionário.
Após o depoimento, Schmidt afirmou que a produção ofereceu acolhimento à participante Jordana e reforçou o posicionamento do programa sobre o episódio.
– Todos vocês podem ter certeza que se o Pedro não tivesse desistido, ele teria sido retirado do programa, porque atitudes assim são inaceitáveis, não apenas no BBB, mas em qualquer lugar, e as pessoas precisam entender isso – declarou o apresentador.
Nota da Polícia Civil
Em nota oficial, a Polícia Civil informou que o caso está sendo tratado como importunação sexual:
“A Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá apura o caso de importunação sexual, após a autoridade policial tomar ciência do ocorrido no programa. As imagens serão analisadas e o ex-participante será chamado para prestar depoimento. Diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.”
O que diz a lei sobre esse tipo de situação
De acordo com especialistas, a conduta relatada no episódio pode ser enquadrada como importunação sexual, crime previsto no artigo 215-A do Código Penal desde 2018. A legislação define a infração como a prática de ato de cunho sexual sem o consentimento da vítima, com o objetivo de satisfazer desejo próprio.
A pena prevista para esse tipo de crime varia de um a cinco anos de reclusão. No caso, a existência de imagens do programa e o depoimento do próprio ex-participante podem reforçar o conjunto de elementos analisados pelas autoridades.
Mesmo sem a ocorrência de flagrante no momento exato dos fatos, o Ministério Público pode avaliar o caso e decidir pela instauração de investigação. Isso ocorre porque a importunação sexual é considerada um crime de ação penal pública, ou seja, não depende de representação formal da vítima para ser apurado.
A produção do Big Brother Brasil não comentou sobre eventuais medidas legais contra Pedro Henrique. Nas redes sociais, o episódio gerou ampla repercussão e reacendeu debates sobre assédio e a segurança das mulheres, inclusive em ambientes televisionados e monitorados por câmeras.
* Com informações do G1