
Fotos: Lucas Amorelli/
A relações públicas Aline Sanchotene nem sempre consegue comemorar com tranquilidade as principais datas festivas do ano, como Natal e Ano Novo, ou as vitórias do time do coração. O que preocupa a ela e a outros tutores e que é motivo de estresse para a maioria dos animais de estimação, é o barulho dos fogos de artifício típicos dessas festas.
Tutora da lhasa Lua Morena e da vira-lata Fiona, ela conta que, nas noites de comemoração, precisa redobrar o cuidado com as pets que ficam muito atormentadas com o som alto dos fogos e chegam a passar mal:
- Cada um reage de um jeito, mas as duas sofrem muito. A Lua, além de inquieta, fica ofegante e com taquicardia. Fiona se encolhe no colo e treme muito.
Segundo Aline, o sofrimento das cadelas com os fogos se estende por horas, mesmo depois de terminado o barulho.
- Há muito tempo, não sei o que é assistir os fogos. Não tem o que fazer. Apenas esperar que as comemorações se encerrem e torcer para que as pessoas pensem nos animais e deixem de soltar fogos - afirma ela, que conta com o apoio da filha, Manuela, para acalmas as pets.
A pet sitter Betina Drehmer conta que o desespero dos animais com os fogos é uma de suas principais preocupações nesta época do ano, quando muitos tutores viajam e deixam os pets sozinhos em casa.
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- Além de não deixar de lado os passeios, tenho o cuidado de garantir a segurança deles durante o momento dos fogos. Com medo, os pets querem fugir, tentam passar por buracos, escondem-se embaixo de carros e, com isso, podem ficar presos em grades ou se machucarem. O que é festa para alguns, é um grande tormento para eles - lamenta.
Betina lembra que tapar os ouvidos do cão ou amarrá-lo não ajuda muito, já que a audição deles é extremamente sensível.
AUDIÇÃO SENSÍVEL
Segundo a médica veterinária Liselene Seixas, da Bicho Chic Pet Shop, os cães sofrem com o som dos fogos de artifício porque têm a audição quatro vezes mais sensível do que a do ser humano, o que justifica, para alguns, um verdadeiro pânico. Ela explica que acolher o animal no colo e falar com ele com voz suave tende a potencializar o medo e não acalmar.
O treinador de cães Sergio Loreto explica que o som entra rápido na mente do cão, causando dor e danos no ouvido. Ele diz que a melhor maneira de evitar esses problemas é uma conscientização geral da sociedade, a fim de que se diminua a queima de fogos nestas e em outras datas.
COMO AMENIZAR

- Não solte fogos. Se sair de casa nestas horas, verifique se o pet está em um ambiente seguro. Em vez de comprar fogos de artifício, compre ração e ajude uma instituição protetora de animais - solicita.
- Mantenha o cão em local com menor barulho possível, chamando-o para brincar, na tentativa de distraí-lo dos sons. Acalme-o e ofereça um petisco como recompensa
- Garanta a segurança do ambiente onde o animal fica. Alguns entram em pânico e tentam fugir. Na procura de um lugar para se esconder, podem se bater contra móveis ou portas e se machucar. Além disso, podem cair na piscina ou se enforcar na corrente
- Evite as fugas. Nestes casos, os cães ficam expostos a atropelamentos ou podem se perder
- Com o som dos fogos, os animais podem ficar estressados, agressivos e até mesmo sofrer convulsões. Existem florais ou sedativos que podem ajudar o animal, mas jamais medique seu pet sem avaliação de um médico veterinário
- Jamais leve os animais para passear durante a queima de fogos. Com o medo do barulho, eles podem ter dificuldades de urinar ou defecar
- Coloque uma coleira com uma placa de identificação com o seu número de telefone, para o caso de seu cão fugir
- Desde filhote, ajude-o a compreender que o barulho passa e que nada de ruim vai acontecer. Porém, evite mimá-lo nos momentos de fogos, pois desfazer o comportamento de medo no animal adulto é mais difícil
- Os gatos devem ficar em ambientes seguros, sem objetos que possam ser derrubados. Deixar a porta do guarda-roupa aberta pode transmitir segurança
Fonte: Fonte: Liselene Seixas, médica veterinária