Fábrica australiana de fertilizantes recebe licença da Fepam e iniciará produção na região

Fábrica australiana de fertilizantes recebe licença da Fepam e iniciará produção na região

Fotos Divulgação

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) concedeu nesta sexta-feira (15), a Licença de Operação EIA/RIMA para a Águia Fertilizantes, empresa responsável pelo Projeto Fosfato Três Estradas, em Lavras do Sul, que tem capital australiano - ela pertence à Aguia Resources Limited, com sede em Sidney, na Austrália. A licença foi entregue ao gerente geral da empresa, Diego Boeira, pelo vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, e pela secretária estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, em cerimônia realizada no Palácio Piratini.

 
Com a licença em mãos, a empresa inicia a fase operacional do projeto e começará a atuar em uma unidade industrial arrendada no município de Caçapava do Sul. A estrutura foi alugada da empresa Dagoberto Barcellos em contrato firmado por 20 anos. 

- É uma planta já pronta que nos permite iniciar rapidamente a operação - explica Boeira.


Licença da Fepam foi entregue nesta sexta, no Palácio Piratini, pelo vice-governador Gabriel Souza. À esquerda de Souza, o diretor da Águia, Diego Boeira.


A produção inicial será realizada na planta de Caçapava do Sul, com capacidade de até 150 mil toneladas por ano. A meta da empresa é produzir cerca de 70 mil toneladas ainda em 2026, primeiro ano operacional do projeto. Em 2027, a produção deverá alcançar aproximadamente 150 mil toneladas anuais, enquanto avança a implantação de um novo complexo industrial junto à mina de Três Estradas, em Lavras do Sul. A nova planta, já licenciada, começará a ser construída em 2027, com previsão de conclusão em 2028. O investimento previsto para esta etapa supera R$ 80 milhões e permitirá ampliar a capacidade produtiva para até 300 mil toneladas anuais de fertilizantes fosfatados.

 
Somadas, as operações de Caçapava do Sul e Lavras do Sul poderão representar cerca de 10% da demanda de fosfato do Rio Grande do Sul, estado que atualmente depende integralmente de produto importado. O Brasil importa cerca de 59% de todo o fosfato consumido internamente, sendo que 28% dessas importações são destinadas à Região Sul e aproximadamente 13% ao Rio Grande do Sul.

 
Desde o início das pesquisas minerais e estudos ambientais, em 2011, a Águia Fertilizantes já investiu cerca de R$ 230 milhões no empreendimento, incluindo infraestrutura de mina, estudos técnicos, licenciamento ambiental e adequação da planta industrial de Caçapava do Sul, que beneficiará o minério proveniente de Três Estradas nos primeiros anos de operação.


Fertilizante fosfatado que será produzido pela empresa melhora a qualidade e a saúde do solo e, consequentemente, a resistência a pragas e doenças, garantindo um aproveitamento mais eficiente dos nutrientes e evitando desperdícios.

 
O principal produto da empresa será o Pampafos, primeiro fertilizante fosfatado natural produzido em solo gaúcho. Lançado comercialmente durante a Expodireto Cotrijal, em março deste ano, o produto possui aplicação direta e liberação gradual de fósforo, além de cálcio, magnésio e micronutrientes. Por não passar por processos químicos industriais, o fertilizante apresenta características consideradas ambientalmente favoráveis e voltadas à melhoria gradual da fertilidade do solo.

 
Testes agronômicos realizados desde 2019 demonstraram resultados positivos em diferentes culturas agrícolas relevantes para o Rio Grande do Sul, como aveia, arroz e soja. Em ensaios conduzidos com aveia, o Pampafos alcançou 92% da produtividade obtida com Superfosfato Triplo (STP) na mesma dosagem de fósforo aplicada. Já em testes realizados em arroz irrigado, o fertilizante apresentou produtividade superior ao produto convencional em determinados tratamentos.

Segundo a empresa, a produção regional de fosfato busca oferecer uma alternativa para reduzir a dependência externa de fertilizantes, especialmente em um cenário internacional marcado por instabilidades geopolíticas e pressão sobre custos logísticos. A estratégia inicial prevê comercialização prioritária no Rio Grande do Sul, com foco em aproximar a produção do consumidor final e ampliar gradualmente a distribuição do produto no agronegócio gaúcho. Entretanto, distribuidores de fertilizantes do Uruguai já manifestaram interesse em comercializar e indicam ter demanda para entrega imediata.

Atualmente, a Águia Fertilizantes gera cerca de 80 empregos diretos. Com o início da operação da mina, o número deve subir para aproximadamente 110 postos de trabalho. Com a entrada em operação da nova fábrica em Lavras do Sul, a expectativa é ultrapassar 150 empregos diretos.

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Fábrica australiana de fertilizantes recebe licença da Fepam e iniciará produção na região Anterior

Fábrica australiana de fertilizantes recebe licença da Fepam e iniciará produção na região

Espaço de casa noturna com 18 hectares é colocado à venda em Santa Maria Próximo

Espaço de casa noturna com 18 hectares é colocado à venda em Santa Maria

Deni Zolin