Em sete anos, Rota deve duplicar 10 vezes mais do que a estatal EGR havia duplicado na RSC-287

Em sete anos, Rota deve duplicar 10 vezes mais do que a estatal EGR havia duplicado na RSC-287

Foto Deni Zolin

Apesar das queixas de parte dos motoristas sobre as condições da RSC-287 ainda não estarem ideais, mesmo com o pagamento de pedágios, e da demora de dois anos para reconstruir os trechos destruídos pela enchente de 2024, um fato é que a Rota de Santa Maria já entregou, em menos de cinco anos, 12 km duplicados na rodovia – 6 km das travessias urbanas de Santa Cruz do Sul e Tabaí e 6 km do trecho rural de Tabaí. Isso representa três vezes mais duplicações do que a estatal EGR havia feito entre 2014 e 2021, quando assumiu a rodovia - em 2018, a empresa duplicou 4,2 km do perímetro urbano de Santa Cruz. 


Estado e Rota divulgam prazos de reconstrução de trechos destruídos e de duplicações na RSC-287

Rota deverá entregar mais 30 km duplicados em 2027 e outros 11 km em 2028


E agora, com as obras de duplicação em pelo menos cinco grandes frentes, em Vera Cruz, Santa Cruz e Venâncio, além das reconstruções em Mariante e Candelária, a previsão da concessionária é entregar mais 41 km duplicados até abril de 2028, o que vai totalizar 57 km de duplicação na rodovia se essa meta for cumprida. Ou seja, em sete anos, a Rota terá duplicado 10 vezes mais do que a EGR, que também ficou sete anos na administração da rodovia. Claro que é preciso aguardar para ver se a concessionária vai cumprir com os prazos.

 
Os valores investidos pela Rota não foram divulgados, mas será uma quantia significativa. Até porque, além de ter de elevar a rodovia antiga e de fazer a parte duplicada em um nível mais elevado, usando mais pedras para reforçar os aterros, a Rota terá de construir mais pontes secas para resistir a futuras enchentes. Essas obras extras serão cobradas do governo do Estado, pois não estavam previstas no contrato. Mesmo assim, só as duplicações vão exigir um investimento elevado. Como a Rota tem um faturamento de cerca de R$ 10 milhões por mês com os pedágios e maior parte das obras é feita com financiamento, vai ter lucro mesmo no futuro. O pedágio para carros é de R$ 5,40 em cada uma das cinco praças de cobrança.


Até a Copa de 1930, promessa é ter 130 km duplicados


A Copa do Mundo está na reta final e, quando vemos, a de 2030 já estará aí. Pois até lá, a previsão do contrato é que a Rota terá de entregar os 130 km duplicados entre Novo Cabrais e Tabaí. Se realmente cumprir com o prazo, na próxima Copa, a viagem de Santa Maria a Porto Alegre passará a ter apenas 70 km de pista simples, daqui a Novo Cabrais, e 219 km duplicados, de Novo Cabrais até a Capital. Claro que só vendo mesmo para crer. Mas mesmo que a Rota atrase um pouco o cronograma, será um grande avanço em comparação com o que tínhamos em 2021, antes da concessão, quando eram 200 km de pista simples na RSC-287 e 89 km duplicados na Tabaí-Canoas e na Rodovia do Parque.


DE SANTA MARIA A PORTO ALEGRE


Como era em 2021 (antes da concessão)

200 km de pista simples e 4 km duplicados na RSC-287
+ 85 km duplicados na Tabaí-Canoas e Rodovia do Parque
= 200 km de pista simples e 89 km duplicados

Como é hoje em 2026

188 km de pista simples e 16 km duplicados na RSC-287
+ 85 km duplicados na Tabaí Canoas
= 188 km de pista simples e 101 km duplicados

Como ficará em 2028*

147 km de pista simples e 57 km duplicados na RSC-287
+ 85 km duplicados na Tabaí-Canoas
= 147 km de pista simples e 142 km duplicados

Como ficará em 2030**
70 km de pista simples e 134 km duplicados na RSC-287

+ 85 km duplicados na Tabaí-Canoas
= 70 km de pista simples e 219 km duplicados

*Conforme cronograma divulgado na sexta-feira pela Rota e pelo governo do Estado
**Conforme os prazos do contrato de concessão, que exigem a duplicação total dos 130 km de Novo Cabrais a Tabaí e dos trechos urbanos de Santa Maria, Paraíso do Sul, Novo Cabrais e Candelária. Pelo contrato, a duplicação dos 70 km restantes entre Santa Maria e Novo Cabrais é prevista para 2040 a 2042, mas o Estado se comprometeu a antecipar ao menos a duplicação dos 22 km entre Santa Maria e o Trevo do Santuário, na Quarta Colônia, para data que será definida a partir de agosto

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Deni Zolin