
Foto: Lucas Amorelli (Diário)/2ª DP apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos na casa e escritório do suspeito
A 2ª Delegacia de Polícia de Santa Maria (2ª DP) cumpriu dois mandados de busca e apreensão, na tarde desta terça-feira, no apartamento e no escritório de um advogado da cidade, suspeito de crime de estelionato. De acordo com o delegado Marcelo Arigony, titular da 2ª DP, e que está conduzindo o inquérito policial, o advogado está sendo investigado por falsificação de documentos, como guias de pagamento de IPTU, e, até mesmo, uma sentença de pena pecuniária da Comarca de Capão da Canoa. A polícia acredita que um cliente do advogado teria sido lesado em mais de R$ 300 mil, levando-se em conta ações judiciais perdidas em que o defensor pode ter sido negligente.
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Foram apreendidos celulares, computadores, aparelhos eletrônicos, recibos e documentos relacionados com a vítima e com outros clientes. O primeiro mandado seria cumprido no endereço indicado como sendo o do escritório do advogado, na área central de Santa Maria, mas a polícia foi informada de que o suspeito estaria atuando em outro local. O segundo mandado foi na residência do advogado. Ele estava no apartamento e autorizou que a investigação tivesse acesso ao escritório onde ele trabalha atualmente, também na área central.
A Polícia Civil soube dos supostos golpes quando o cliente, de 41 anos, desconfiou das cobranças e procurou outro escritório de advocacia. O escritório, então, procurou a polícia.
- Ele apresentava esses documentos ao cliente, e o cliente pagava valores como se ele (o advogado) estivesse pagando essas guias na Justiça. O interessante é que a vítima, uma pessoa de posses, teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no passado, e o advogado teria se aproximado dela nesse momento de fraqueza e teria se colocado na condição de procurador para auxiliá-lo - detalha Arigony.
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O delegado não tem conhecimento se outras pessoas foram prejudicadas, mas diz que podem surgir outros elementos que apontem fraude com outros clientes. Os documentos serão remetidos à perícia para avaliar se são falsos. Até o momento, a polícia trabalha com 15 fatos envolvendo a suposta vítima. Com o andamento do inquérito, será possível determinar por quais crimes o advogado responderá, que podem ser, por exemplo, estelionato ou fraudes processuais.
- A partir dessa diligência, talvez surjam outras vítimas. Vamos verificar se o mesmo modus operandi foi utilizado com outras pessoas - diz o delegado.
Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Criminal de Santa Maria e acompanhados pelo advogado Daniel Tonetto, profissional designado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como fiscal da ação. A medida é necessária quando o suspeito é advogado, segundo a legislação penal.